terça-feira, 21 de setembro de 2010

“Transeuntes”, de Ana Zanetti



MITO

As pessoas sempre estranharam seu nome e o menino tinha vergonha. Mas a mãe recitava o poema de Fernando Pessoa:

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.

Quando ele cresceu, o mundo estava rodeado de medo. Pessoas desapareciam em massa, evaporavam-se de repente. Um dia, viu-se sozinho e entediado começou a desenhar vários tipos de gente. Quando terminava um, soprava. Ao poucos, o mundo foi sendo povoado de novo.

Quando percebeu que os outros estavam voltando, intensificou a produção. Exauriu-se até se dissipar no ar.
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