, “ Há os grandes escritores e uma legião de escritores menores que tentam assimilar seus estilos.”. Então eu sou da legião dos que tentam ser aspirante a escritor que digere o estilo da legião dos escritores menores, que assimila o estilo da legião dos grandes escritores. Estou bem na fita,
Editei uma foto que achei no Google, coloquei um monte de efeitos. Confesso, sou sem noção.
Foi criado por mulheres, mas, identificava-se com a
avó, uma senhora forte e com valores sólidos. Todos diziam que era a
"patriarca" da família.
Ao crescer, o neto se espelhou na avó e quando esta morreu, ficou com
algumas roupas e joias dela. Nos momentos de dificuldade, ele as usava para
absorver a força da senhora tão distinta.
Certo dia, ao ver a mulher com uma conversa suspeita, começou a segui-la
travestido na avó.
Então, pegou-a em flagrante. Ela estava aos beijos com uma colega de
trabalho num parque afastado da cidade.
Pegou o revólver e atirou três vezes. Considerou que era seu dever
acabar com a pouca vergonha.
Quando era menino, lançava-me ao desconhecido de peito aberto. Não sabia o
que era medo.
O pessoal lá de casa começou a falar que não podia sair sozinho, porque o
monstro me pegaria. De tanto me dizerem, o mostro surgiu em todo lugar, até no
meu quarto. Senti bastante medo.
Com o passar dos anos, quando comecei a testemunhar os vários episódios
violentos e absurdos do mundo, ele foi se transformando numa criatura frágil.
Até hoje o "monstro" vive comigo. Mora dentro do armário com
pavor de tudo que se relaciona lá fora.
-Vanusa me escuta! Preciso me banhar
na sua Áurea Energética. Quem conseguir se banhar na sua Áurea terá super
poderes, Vanusa. Quero ser poderoso para transformar os políticos de Brasília
em honestos e bondosos, com minha Espada Laser da Justiça Suprema.
Por favor, Vanusa, me libera sua
Áurea Energética, para que eu poça emanar o halo da paz forever para que todos
sejam amigos e caminhem de mãos dadas.
Vanusa, não tenha medo! Tenta me
entender... Não faça isso, Vanusa! Não tira a roupa, Vanusa. Vanusa, na pula da
janela nua, o que os vizinhos dirão. VANUSAAA... Vanusa se foi!
***
Dias depois, recebi uma carta póstuma de Vanusa:
"Querido
Eduardo, eu queria muito te dar minha AURA Energética a você, entretanto, você
queria usá-la para impor sua vontade. Mesmo tendo boas intenções, querido,
seria um ditador com poderes inimagináveis e cercearia a liberdade individual
dos indivíduos de escolher os próprios caminhos. Por isso, que decidi acabar
com minha vida para que não possa se banhar na minha AURA Energética. O mundo é
imperfeito e injusto, mas, acredito na liberdade de escolha e do pensamento de
cada indivíduo. OBS: Eduardo, querido, o certo é Aura Energética e não Áurea
como já vi postando por aí. Aprenda a escrever, por favor! "
O pai vivia na
biblioteca, diziam para não o atrapalhar. Ouvia a mãe comentar que ele era um
acadêmico brilhante. A menina foi crescendo sem se importar com a
ausência paterna. Tinha coisas interessantes para fazer, como brincar no
jardim e desenhar imagens que brotavam da sua imaginação.
Em uma noite,
ela ouviu algo bater na janela do quarto e encontrou um unicórnio. Interagiram através do olhar; a garota subiu no dorso nu do animal e
voaram rumo às estrelas.
A partir desse momento, encontraram-se todas
as noites até o dia em que o pai faleceu.
Mesmo que a menina deixasse a
janela aberta, a criatura nunca mais voltou.
Quando me quebrei em vários
cacos, senti uma dor insuportável por não ser mais inteiro. Colei-me e me parti
muitas vezes e, com o tempo, tornei-me mais forte.
Quando me estilhaçava, colava-me e descobria novas formas de mim.
Compreendi que a inteireza que tinha antes era só aparência.
Diferente, desta que estou conquistando a cada “despedaço”.
Conheceram-se numa festa. Ambos estavam viajando e sedentos por
aventura. Ele a chamou para sair da festa e passear um pouco pela praia.
Completamente sozinhos, caminhavam pela areia e olhavam a lua iluminar o
mar. Depois, mergulharam e transaram.
Tudo estava tranquilo, até, o homem comentar: " Poderia te
matar agora."
A mulher sentiu um frio na espinha e se afastou. Ele percebeu que a brincadeira
foi de mau gosto e se desculpou.
Voltaram ao clima de antes e resolveram ir para outro lugar.
Na estrada, ao fazer uma curva sinuosa, o homem sentiu uma forte coceira
no nariz e espirrou com força, perdendo a direção. O carro caiu no precipício e
explodiu.
Em segundos antes da queda, ela se lembrou de que uma vidente lhe disse
de que um homem iria matá-la um dia.
O homem sobreviveu, sentindo-se culpado pelo acidente e pela brincadeira
sem graça que tinha feito.
Continuo a me assustar com as coisas que
acontecem por aí. Mas, parece que todos se acostumaram com o absurdo e
acreditam que a vida é assim mesmo.
Será que sou só eu, um náufrago em meu quarto, desesperado
com as ondas gigantes com rostos de bestas? Queria tanto me acostumar e a me resignar, não consigo. Mais uma vez, à deriva na madrugada, completamente sozinho. Ainda bem que tenho esperança.
-
Doutora... Já estou muito tempo fazendo essas sessões, mas há um segredo que
nunca revelei a ninguém. É que nunca gostei do meu corpo... Não gosto de ser
homem, mas não me sinto " bicha". Em sonhos, transporto-me para uma
ilha. Eu era uma jovem delicada e havia uma mulher que sempre estava comigo.
Era bela e uma sensível poetisa. Ficávamos juntas no imenso mar recitando
poesias, nadando e se tocando. Ela era
minha mestra-mãe-irmã-amiga-amante. Será que ela é só fruto da minha
imaginação? Por que estamos separadas?
Doutora! O que está fazendo... Dou...
***
Ela
se levanta e vai ao divã, onde está Firmino e o beija. O homem se vê
transformar na jovem através do espelho, que havia no consultório. Amaram-se e
choraram de felicidade. A busca incessante havia terminado.
...Chegaram, ao lugarejo, exauridos. Contaram as
últimas moedas para a estada; não queriam mais acampar no mato. Dormiram por
horas e nem se importaram com o cheiro denso de suor. Quando começou a
entardecer, um desejo brotou-lhes; foram à janela e começaram as carícias. Não
perceberam que uma procissão passava através da janela. O rangido do ventilador
de teto abafava os suspiros.
Imagem manipulada do filme A noite dos mortos vivos de 1968
No inverno as ruas escurecem
rapidamente e ficam mais vazias. Helena anda apressada, quer entrar logo na sua
casa.
Ao chegar, tranca-se e, sentindo-se segura, dá uma arrumação rápida nas coisas,
toma banho e vai assistir um pouco de tevê.
Toda casa está escura, só a luz da televisão ligada. Helena deseja se distrair
um pouco, sente medo de tudo.
Quando começa a madrugada, inicia um filme de zumbi. Helena assiste para matar
saudade dos tempos que assistia estas histórias com os primos. Era muita gritaria
e zoação.
No filme, a heroína está escondida nos arbustos, observa um morto vivo
que lhe parece familiar. Neste momento, Helena sente uma presença na janela. É
seu primo que não via há muito tempo e viciado em crack.
Ele está com os olhos vidrados no filme e, por segundos, Helena percebe que seu
primo e o zumbi trocam olhares que transbordam uma voracidade imensurável.
Helena desliga a tevê rapidamente, corre para o sofá e se esconde nas cobertas.
Reza para amanhecer logo ou cair no sono.
Percebe que o primo se foi, está completamente sozinha no breu da madrugada. Pensa na infância e de como seu bairro foi tranquilo um dia.
De repente, ouve o galo cantar e a
movimentação na rua. Helena relaxa e cochila um pouco, ainda tem três horas de
descanso até o despertador tocar.
Um era impulsivo, o outro mediador e o último controlador.
O que equilibrava, cansado de arbitrar, foi embora para encontrar sua
individualidade. Anos depois, com remorso, voltou. Percebeu que a casa
não fora destruída e os irmãos que sempre estavam em conflito, viviam em
harmonia.
Descobriu que eles encontraram seus lados de mediadores e se resolveram
sem a sua ajuda.
Enquanto ele para se sentir completo precisava deixar seu
lado impulsivo e controlador se digladiarem.
É uma bela jovem e dirige sozinha pela estrada em busca de liberdade.
Seu carro quebra e um desconhecido a ajuda. Dá-lhe carona e uma forte atração surge entre eles.
A mulher tem receio que seja um tarado, já o homem pensa que a jovem
pode ser uma emboscada. Talvez seu comparsa está na próxima curva. Mas, ela
se reconhece no olhar dele e vice e versa. Os dois querem ser livres pelo
menos uma vez na vida.
Nada acontece e param num motel de estrada, só há um quarto vago.
Decidem ficar juntos e segundos depois, sozinhos, entregam-se ao desejo até o anoitecer.
Sentem-se com asas e voam em todos os recantos inimagináveis.
No entanto, nem se dão conta que seus antigos parceiros obcecados e
obsessivos colocaram rastreadores em seus respectivos celulares e já sabem que
estão juntos no quarto. Também, reconhecem-se na traição e na vingança.
Estranhamente, quem os visse, teriam a impressão de que estavam com
olhos felinos.
Por que não posso entrar na roda? Quero brincar, também, poxa vida? Quero tanto entrar na roda, mas, ninguém deixa. Sempre fico sozinho, vagando por aí. Quer saber de uma coisa! Se não me deixam entrar na roda, vou devorar vocês!
diz alguma coisa sei lá sobre seu trabalho viagem quem te sacaneou
espera um pouco continue online esta noite preciso de companhia as lembranças
estão jorrando em mim não queria falar daquele jeito com Marina meu pai me
telefonou e não quis atender mas e aí vai viajar com a Sandra para onde? O quê
está com sono? Nem são três horas da manhã fala comigo o quê? Vai se foder não
preciso de ajuda só quero conversar as máscaras voltaram querem me pegar viu a
Laura? Como, morreu há dez anos mas eu a encontrei outro dia e conversamos
muito ela me disse que mora num jardim lindo... Cara tem pessoas me perseguindo
elas são pernetas e usam óculos escuros com certeza é algo ligado ao governo tu
sabe que fui abduzido, né? Tem uma aranha me encarando ela tem os olhos da
professora Creusa lembra-se dela? Bem, estou muito ocupado e preciso
desconectar estou arrumando minhas malas viajarei para Nova York para um
congresso ultra secreto até mais querido fique bem e não tente mais se suicidar
tá bom
Quando começou a ouvir algo que não entendia, descobriu que era vazia.
Aos poucos, definira formas e significados a partir dos sons que adentravam no
fundo do armário. Não queria ser mais subjugada. Aos poucos a palavra
transformava seu corpo artificial em carne e osso.
“Sofia, meu nome”, disse de
repente. Saiu do armário e se olhou no espelho. Era uma mulher nua. Pegou uma
blusa e uma bermuda esperou seu “dono”, lendo alguns contos de um livro jogado
na cama. Via aquelas letras embaralhadas nas páginas, formando-se em palavras,
frases e orações. Apaixonou-se pela
literatura e adorava ouvir o “ possuidor” ler em voz alta, ela começou a nascer
a partir daí. Havia uma citação que
espelhava o que sentia:
"A palavra é meu
domínio sobre o mundo." Clarice Lispector
A porta se abriu, respirou fundo. Já sabia o que diria.
Antônio não comprou uma boneca inflável porque se sentia triste ou
sozinho. Queria dar um tempo nas relações amorosas, pois tudo se tornava chato
e tinha preguiça de cultivar relacionamentos. Com o utensilio erótico,
extravasa todos seus fetiches sem vergonha.
Ao abrir a porta, assustou-se com uma mulher vestida com sua roupa. Quis
chamar a polícia, mas ela pediu para que a escutasse. No início, Antônio se
sentiu em um romance absurdo e no sense, como uma boneca inflável se tornou uma
mulher tão independente e cheia de vontades.
Sofia disse para ele que desejava conhecer o mundo, ler vários livros e
que precisava de ajuda. Antônio respondeu que era impossível e a mandou ir
embora do apartamento.
A mulher não arredava o pé, então, Antônio ameaçou novamente a chamar a
polícia. Sofia argumentou que se fizesse isso, relataria à polícia que ele a
abusou por muito tempo, tornando-a escrava sexual. Antônio resolveu cooperar.
Sofia era inocente, pensava que respirar e ser
de carne e osso bastava para ser viva. Entretanto, descobriu que no mundo dos
Homens precisava de documentos que provavam sua existência. Sem RG, CPF e
Titulo de Eleitor, ela não existia, como muitos por aí. Antônio tentava
explicar que, antes de tudo, precisava ter uma Certidão de Nascimento. Como não
tinha pais e nenhum outro parente, teriam que procurar a justiça. Enquanto
isso, Sofia queira ler junto com Antônio e ele, a princípio meio contra gosto, levou-a
até para a oficina literária que participava. Sofia descobriu que ser mulher de
verdade tinha alguns convenientes. Sofria com a menstruação, percebeu que
quando não tomava banho fedia. Além de odiar fazer cocô e xixi. Todavia,
concluiu a que a vida é feita de momentos bons e ruins e que são importantes
para existência.
Realmente nesta história não houve amor à primeira vista, pelo contrário,
Sofia e Antônio se detestavam, apesar de gostarem dos mesmos livros e lugares.
Toleravam-se. Mas, com o passar das estações, surgiu certa amizade. Cada vez mais queriam ficar juntos.
Familiares e amigos diziam que ele estava maluco de ficar como uma moça
que foi boneca inflável. Antônio nem ligava e Sofia aos poucos descobriu que
ele é um homem gentil e não um egocêntrico que só desejava saber de si. Aprenderam muitas coisas juntas e até o sexo
foi um aprendizado. Andavam em todos os recantos da cidade e curtiam cada
momento juntos nos cafés e bares. Seguiam
a risca o refrão da música:
“Pedes-me um momento Agarras as palavras Escondes-te no tempo Porque o tempo tem asas Levas a cidade Solta me o cabelo Perdes-te comigo Porque o mundo é o momento”( Pedro Abrunhosa)]
Sofia conseguiu finalmente ser registrada e a ter documentos para poder
trabalhar. Antônio sempre ao seu lado, feliz com suas conquistas. Todavia,
começaram a entender que se tornavam mais amigos do que um casal. A relação
estava morna em demasia. Mesmo tristes, resolveram se separar, para viverem
outros amores.
Experimentaram vários amores, paixões, divórcios e tiveram muitos filhos,
mas a amizade continuava entre dois. Quando envelheceram, decidiram morar
juntos.
Anos mais tarde, familiares os encontraram um ao lado do outro. Antônio
já velho e inerte na cama e Sofia, uma boneca inflável vazia.
No ônibus, dou uma olhada no face para ver quem deu indireta em
quem, quem se divorciou, quem brigou com quem, clicar like, compartilhar frases
irreverentes, fotos e vídeos fofos. Além de curtir os postes dos amigos e dar
parabéns para gente que nem sei quem é mais, para fazer uma social. Além de
deletar e bloquear gente sem noção que adora escrever textão... No reflexo da
janela, alguém vê meu face e o que estou fazendo nele.
– Anda menino!! Escreva um discurso para homenagear
sua irmã, no seu aniversário de quinze anos.
– Eu não consigo. Tento, mas minha mente está vazia
de ideias.
– Você não se diz escritor?
– Só consigo escrever sobre o que acontece comigo e
ideias que passam pela minha cabeça. Não se lembra que só tiro nota baixa em
redação?
– Já vi que não tem jeito... Pode deixar que vou
escrever alguma coisa. Vai colocar suas besteiras no blog... como aquele conto
seu, sobre uma boneca inflável que se torna numa bruxa e transforma o seu
ex-dono em vibrador. Quando você vai criar jeito, menino?
– Um dia... Já postei outra história, quando puder,
dá uma olhada. Outra coisa, este conto que você achou ridículo, outro dia
recebi um e-mail emocionado de uma mulher, dizendo que graças ao meu conto, ela
teve coragem de largar o marido, uma mala sem alça. Agora, ela está vivendo um
novo amor.
Adorava reler os livros
de certa escritora, que a ajudou bastante na criação dos filhos. Mas, hoje,
sentia-se desamparada. A autora não publicava mais os conselhos.
Aniversário do meu filho,
preciso organizar os preparativos... Mamãe está com uma dor no peito, preciso
levá-la ao médico... Espera, o diretor diz que preciso gritar ainda mais.
Também, preciso levar Belinha ao veterinário para castrá-la, do contrário pode
ter câncer. Como? O diretor me diz para abrir mais as pernas e gritar
palavrões. Como estará Rose com o filho doente? Ligarei para ver se precisa de
alguma coisa, sei lá, que eu compre aqueles remédios caríssimos. Rose é uma
empregada ótima e quase da família. Agora, o diretor quer que fique por
cima... Cada vez mais em me decepciono com os políticos, só querem roubar a
gente, se pudesse, os faria desaparecer. O diretor pede para ficar de quatro e
gritar mais alto e, o pior, que estou rouca, descobri que tenho calos na
garganta. Não posso me esquecer, preciso dar uma revisada nos meus poemas,
quero lançar meu primeiro livro ainda este ano. Que lindo, Carlão tatuou nos
braços a foto dos pais, ele sempre foi um filho amoroso. Quem o vê me possuindo
com força, nunca acreditará como é uma boa alma. Uma vez, defendeu-me de um
namorado violento. Que pena que seja tão bem casado com Marinalda, inclusive,
tem uma tatuagem dela no peito e, nas costas, a dos filhos. O diretor me
manda fazer outra posição, ainda bem! Estou com câimbra! Hoje, quando saí de
casa, vi um arco-íris lindo, tirei até foto. Adoro ver tudo que é belo e me
emociono, mas, não posso chorar, tenho que lamber os lábios, revirar os
olhos e gemer. Terminando por aqui, vou para casa e tomarei um longo banho.
Verei um filme com meu filho.Cena final, o diretor me pede para fazer cara
insana e gritar bem alto.
- Doutora, não queria matar meu
marido. Só pretendia tirar da cabeça dele a amante que morava nos seus sonhos.
Desejava libertá-lo daquela parasita, doutora, deixava-o fraco de tanta
safadeza imaginária.
***
Uma mulher vestida de preto e com
óculos escuros olhava fixamente para o quarto da paciente, que matou o marido.
Enfermeiros e médicos lhe atravessavam e nem percebiam sua presença.
Para ele, todas eram assim. Por isso, batia e
abusava delas. A única que prestava era sua mãe, que com receio dele ser
afeminado por não ter nenhuma figura masculina em casa, ensinou-lhe a ser um “
homem de verdade”.
Quando Laurinda viu pela janela um homem estranho a caminhar ao redor da
casa, sentiu aperto no peito. Falou para o marido comprar alarmes e até uma
arma.
O marido achou exagero, mas realizou o desejo dá mulher para ela ficar
calma. Com o passar do tempo, Laurinda via o estranho todos os dias e o medo
aumentava. Quem era aquele homem? Sentia-se cada vez mais em perigo.
O marido resolveu que precisavam tirar umas férias juntos e foram à casa
da serra. Laurinda, mesmo em outro lugar, sentia a presença do estranho, porém,
decidiu ocultar o medo do esposo.
Madrugada na serra, o breu era mais intenso e parecia uma manta pesada
que a sufocava. Teve pesadelos de estar sendo perseguida. Quando acordou, viu
que o marido não estava na cama e foi procurá-lo no escritório.
Ele estava ao telefone e dizia baixo para ter calma que tudo acabaria
logo. Laurinda ficou curiosa e se concentrou para ouvi-lo, já que uma forte
chuva começava.
Ouviu que o marido planejava algo, estranhou seu jeito, não parecia o
homem que conviveu por vinte anos. Ouviu-o dizer para alguém que ela já assinou
as apólices e só faltavam os detalhes para matá-la.
Então, a verdade revelou-se. O estranho que ela via ao redor da casa era
o marido, o tempo todo. Não o tinha reconhecido, porque fora de casa, era
outro, o caçador que esperava o momento certo para agir.
Foi ao quarto e pegou a arma da bolsa. Retornou para onde o marido
estava e atirou até acabar munição.
Depois, ligou à polícia e disse que matou um estranho que tinha invadido
sua vida.