, “ Há os grandes escritores e uma legião de escritores menores que tentam assimilar seus estilos.”. Então eu sou da legião dos que tentam ser aspirante a escritor que digere o estilo da legião dos escritores menores, que assimila o estilo da legião dos grandes escritores. Estou bem na fita,
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
- Alô...

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- Alô...
- Você é um mistério.
- Então ficamos assim, somos dois mistérios pela madrugada adentro.
Olha a maçaneta se mover. Mas, a porta do quarto está trancada:
“Sem tempo de pensar bobagens... Amanhã tenho muito trabalho.”
O primo volta para cama, mas continua à deriva.
Camada tênue
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Comprou uma echarpe em um brechó. O tecido deslizou em seu pescoço, tornando-se uma camada tênue sob a pele. Uma vez, a amiga de quarto pegou sem permissão a echarpe. Aproveitou que a outra chegaria do trabalho tarde e foi para uma festa...
De repente, percebeu que o tecido não estava no pescoço, ficou apavorada de tê-la perdido. Quando chegou, ficou surpresa. A amiga estava na cozinha, vestida com o uniforme do trabalho e a echarpe a envolvia.
domingo, 2 de dezembro de 2012
miniconto antigo

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PRIMITIVO
A claridade da lua ficou mais intensa, havia faltado luz elétrica na casa. Teve a impressão de que o bebê estava diferente. O luar revelava detalhes que não havia percebido até então. Aos poucos, deixou de reconhecê-lo, desistiu de compreender. Começou a sentir, unicamente, o impulso de lamber a cria.
sábado, 1 de dezembro de 2012
AMIGOS
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AMIGOS
Acostumaram-se um com o outro. No casamento, nunca houve amor e paixão. Cansados dos amantes, retornavam para casa e jantavam em um silêncio confortante. Os filhos foram embora e começaram a criar uma afinidade entre eles. Assistiam a tevê juntos, riam das mesmas piadas e caminhavam de mãos dadas como intuito de se ajudarem a evitar os buracos das calçadas e ruas. Anos depois, quando um morreu, o outro faleceu meses depois.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
miniconto antigo

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SEGREDOS
Guardava o segredo de todos. Quando anoitecia, escondia-se nas cobertas. Os medos e as angustias dos outros se transformavam em monstros horrendos.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Noite densa

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- NOITE DENSA...
Sinto cheiro de brigadeiro. Estou com fome!
- Não faz isso, tio gigante.
- Por quê?
- É que ao devorar a noite, as pessoas não irão dormir e ficarão muito cansadas para viver.
- É tão chatinha. Também com esse nome, Consciência.
domingo, 25 de novembro de 2012
Ele

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Tinha uma jaqueta exclusiva para viajar. Um dia, decidiu ser mais caseiro, pois estava enjoado de passear. Resolveu aposentá-la. Passado alguns anos, lembrou-se da peça de roupa e a procurou. Não a encontrou. De repente, sentiu-se angustiado e, pela primeira vez, teve uma insônia desoladora. Na mesma madrugada ouviu um barulho na janela, era a jaqueta que apareceu toda empoeirada que retornava para onde ele a guardou. Percebeu que ela viajava sozinha todos estes anos e voltava para casa sempre.
DESABAFO DO DUDU O LINDO E O BELO DE LA VEGA DA SAGA VAMPIRESCA: AMOR ETERNO... ETERNO AMOR
- Sou muito criticado, mas sempre fui assim. Nunca tive ambições profissionais. Só quero amar e ser amado. Quando encontrei Brittany Kendra todo o vazio que sentia, foi preenchido. Eu a amo com todas as forças da minha alma. Ela sabe que ninguém a amou como eu. Por que não posso só viver para amar e ser amado? Por que as pessoas me criticam tanto, por querer me transformar em um vampiro para ficar eternamente com minha imortal Brittany Kendra. Me magoa muito que um povinho fica me chamando de burro e incapaz, só porque não desejo estudar e sim amar e ser amado. Gente pentelha! Deve ser que nunca amou de verdade como eu, que amo e sou amado. É muita dor de cotovelo, desses metidos a nerds e a intelectuais. Por que o vampiro, não podem saltar plumas coloridas no sol? Qual é problema disso? Gente, o mundo precisa de mais amor e menos intelecto. Os sentimentos aquecem já a inteligência gela tudo. Podem me sacanear a vontade, mas vou seguir o que sou de verdade: Uma pessoa que ama e é amada eternamente. Um conselho: Cuidem de suas vidas e deixem a minha em paz.
sábado, 24 de novembro de 2012
"TÃO BOBO"

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-Vejo uma bailarina a bailar, ao sair da xícara.
- Apesar dos anos, continua o bobo de sempre.
- Não consegue ver, ela é tão linda...
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
QUIMÉRICO ( Uma ideia antiga, mas outra versão)

Cena do filme Entrevista com o Vampiro
Helena era fã de uma série de filmes, que contava a história de um jovem ancestral vampiro. Mesmo casada os revia sempre.
Um dia, teve um sonho que fazia amor com o imortal. Foi intenso e se sentiu culpada, pois respeitava o marido . Meses depois, descobriu que estava grávida. A gestação foi diferente de seus outros filhos. Tinha desejo de comer coisa viva e quase matou com os dentes o passarinho, animal de estimação dos filhos.
Quando o neném nasceu, o desejo passou, mas a criança era estranha ao passar dos anos. Parecia mais esperta que os outros. Além de ter fixação por sangue.
O marido olhava desconfiado para Helena. O menino era completamente diferente dele e dos irmãos. Já, Helena fazia de tudo para provar sua inocência.
O garoto era muito parecido com o ator dos filmes. Helena nem se lembrava de seu nome. Outro dia, encontrou-o fazendo papel de um pai de família numa série para televisão. Já estava bem coroa.
O tempo foi passando e o filho mais novo de Helena se apartava ainda mais da família e na escola. Parecia uma assombração. Ela e o esposo o levaram para vários médicos e nenhum conseguiu entender a anemia que ele tinha.
Um dia, ele falou para Helena: - Mamãe, vou desaparecer.
Ela viu o filho se dissipar no ar. Chorou muito. As autoridades nunca encontraram o menino.
Anos depois...
Helena assiste na tevê A Rosa Púrpura do Cairo em que o personagem sai da tela do cinema e vai ao encontro de uma espectadora sonhadora. Sente uma identificação com a história. Recordou-se de sonho e de seu filho.
Helena assiste na tevê A Rosa Púrpura do Cairo em que o personagem sai da tela do cinema e vai ao encontro de uma espectadora sonhadora. Sente uma identificação com a história. Recordou-se de sonho e de seu filho.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Anos isolado na montanha...

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Na cabana havia muitos livros, que relia várias vezes. Não sentia saudade de conviver com as pessoas. Um dia, escutou uma explosão e viu o céu ficar vermelho por vários dias. Sentiu medo, mas continuou com sua rotina. Dias se seguiram, um cheiro forte de podre surgiu na floresta. Ele estranhou, mas, ao ver os animais calmos, esquecia as preocupações. Foi ao rio lavar roupa. Escutou um barulho na mata. Escondeu-se atrás da árvore. Viu um homem e uma mulher sujos e com a pele cheia de vermes cruzando. O ermitão voltou para a cabana, olhou fixamente a vasta biblioteca que possuía. Acende uma vela, que se transforma num enorme fogaréu, atraindo a multidão da zumbis...
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O CONSERVADOR- conto antigo

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Ia todos os domingos à igreja. Só vivia para a esposa e os filhos. Na repartição quando pintava uma propina, não perdia tempo. Pertencia a um esquema que desviou verbas da administração pública há anos. Quando foi descoberto e um manifestante xingou sua esposa, deu-lhe vários socos: “ Ninguém mexe com minha digníssima esposa.”.
domingo, 18 de novembro de 2012
GOZO DOENTIO

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“O bacilo da peste não morre nem
desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa,
espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na
papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e
ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa
cidade feliz.” A Peste, Albert Camus.
I.
Primeiro surgiram notícias
isoladas de que algumas pessoas tiveram uma doença repentina e estranha. Com o
tempo os casos foram aumentando. De repente, multidões se encontravam
estendidas no chão gemendo freneticamente, com os rostos extasiados de prazer e
gozando até a morte.
Os que escapavam fugiam
para regiões desabitadas, e formularam regras rígidas da moral, bons costumes e
religiosas para sobreviver. Achavam que isto poderia aumentar a imunidade e
dificultar a disseminação do vírus ou bactéria. Não adiantou, ao longe se ouvia
milhões de pessoas tendo múltiplos orgasmos. Os berros eram tão intensos, que
os animais ficavam escondidos. Sacerdotes e juízes pregavam que a causa do mal
da sociedade era o desejo carnal. Qualquer manifestação sexual representava a pena
de morte. Existiam fogueiras de corpos em cada esquina. Todos se vestiam com
armaduras, para que a doença não penetrasse na pele. Orações em todas as
partes. O cheiro do medo impregnava o ambiente.
II.
Dia nublado. Aparentemente a
cidade estava tranquila. Os transeuntes voltados para si mesmos.
Ele e ela andam pela rua,
perdidos em suas lembranças. Esbarram-se e, mesmo com as armaduras, seus
corpos tremem. Sentem pavor da peste e se distanciam, já que são casados com
outras pessoas. Mas, uma esperança os acalenta. E se, por um milagre, não fossem
contagiados? Aproximam-se e fogem para
um lugar mais ermo. Os amantes se despem e transam na busca do prazer proibido.
Minutos depois, cumprimentam-se perplexos por não estarem contaminados pelo
gozo doentio.
Em outras partes do mundo, no
mesmo dia, os casos foram florescendo.
Um rapaz deitado no campo,
olhando as nuvens, masturba-se e suando percebe que está bem.
Duas amigas que
brincando, brincando, desvendam-se e ficam contentes por estarem sadias.
O despertar do desejo de um
casal idoso numa manha ensolarada.
Um beijo inesperado de dois rapazes que viviam
brigando...
III.
A cura se espalhara, assim
como a praga. Ninguém entendeu o que acontecera. A alegria voltou às ruas. As
armaduras foram largadas .
Como sempre, alguém tentava
explicar. Mas, para que entender?
Só sei que tudo voltou ao
normal. Vamos aproveitar a cura, por enquanto!
Se alguém achou a narrativa parecida com outros enredos, deve lembrar
que os acontecimentos sempre se repetem ao longo da história. As piores pestes são a ignorância, a intolerância e o
ódio e seus bacilos estão adormecidos em nosso inconsciente, esperando o
momento certo de despertarem. Por isso, precisa-se nunca esquecer e nos manter
atentos para não reproduzirmos os mesmos erros.
BREVE

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BREVE
Rua deserta, as folhas das árvores levemente movimentadas pelo vento; ao longe, gritos de crianças na hora do recreio. Uma senhora olha pela janela: Um rapaz cego toca um violino. Absorta ouvindo a melodia, não percebe que seus mamilos estão enrijecidos. Um gemido de dor a faz retornar. Prepara a injeção de morfina para o enfermo ter um pouco de paz.
sábado, 17 de novembro de 2012
OCULTO

Cena do filme O homem elefante
Sempre estudou em colégio interno e, nas férias, visitava a fazenda dos pais. O lugar era imensidão e o garoto andava a cavalo por todos os recantos. O único lugar que não ia, era na ala dos empregados.
Anos depois, os pais já falecidos, retornou à fazenda. No jantar, revelou que pretendia vender a propriedade. Quando anunciou sua vontade, a velha empregada deixou quebrar a jarra de suco. Ele não compreendeu a razão do desespero. À noite, quando percebeu que a senhora estava ausente, resolveu ir à ala dos empregados para ter notícias dela.
Quando chegou lá, ouviu grunhidos. Seguiu-os para saber de onde vinham. Ao abrir a porta de um quarto, viu a velha empregada lendo um livro para um ser completamente deformado; assustado, perguntou quase gritando quem era.
Ela respondeu: “ Um anjo”.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
JÁ TÁ CRIANDO PEITINHO

– Mamãe já vai voltar. O papai vai chegar. Seja boazinha, fica quietinha. Não resista! Para de botar a mão aí! Se não obedecer, não vou comprar aquela boneca cara que tanto deseja. Não é mais um bebezinho, já tá criando peitinho; precisa se comportar como uma mocinha... Mas, nem pense em namoro, é muito nova. Caramba! O tempo passa rápido! Já está escurecendo... Um carro se aproxima, tem gente chegando... tire as mãos da cabeça, deixa eu pentear o seu cabelo direito. Seu pai e sua mãe querem te encontrar arrumada. Apesar da malcriação, a vovó te ama.
Conto antigo

Crédito da foto: http://www.estudanteonline.com.br/imagens/balada2-160506-1.jpg
REALIZAÇÃO DE UM SONHO
Havia concretizado a fantasia de fazer uma grande viagem. Tudo estava perfeito, não havia regras. Entretanto, a euforia se prolongava e ele começava a ter saudades de sua rotina. Flashes surgiam na memória: gritos, a voz ao microfone, bem longe, pedindo calma e um avião em forte turbulência. A fim de apagar suas últimas lembranças, embriagava-se com os amigos e as jovens, com quem ficava por uma noite até perder a consciência. Ao acordar para novamente festejar,lembrava dos pais. Às vezes, tinha o ímpeto de falar com eles, mas alguma coisa o impedia de fazer contato.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
2:45
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2:45
- Me dá um cigarro.
- Não fumo.
- Quem é você?
- Não interessa.
-Grosso!
- Por favor, só quero esperar meu ônibus sossegado.
- Seu pai tá me devendo!
-Cara! Nem sei quem é meu pai, você tá viajando.
- Me deve 40 reais.
- Vai à merda tô cansado.
- Comi sua mãe todinha.
- Não fala da minha mãe!
-É uma safada!
- É a senhora sua mãe!
- Vou metê a porrada em você
- É... então toma!
Três tiros.
Um corpo na rua. O outro desaparece...
Horas antes...
Roberto fugiu do hospício. Queria voltar para casa, mas, no lugar havia um prédio. Não encontrou a família. A mulher e os filhos voltaram para o norte.
Carlos roubou a arma do tio policial, procurava o "desgraçado" que ficou com sua namorada na festa da praça.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Um conto que poderia se transformar num filme, lógico que melhor desenvolvido

Imagem retirada da Internet
PAIXÕES
Minha tia morreu há poucos dias. Liberando-me a contar a história da nossa família.
As únicas lembranças marcantes dos meus pais: O cheiro de nicotina entranhada na roupa do meu pai e os passeios de bicicleta em volta da praça, que ele me levava na garupa. Da minha mãe, recordo-me de que ficava a maior parte do tempo na cozinha. O aroma do feijão, que ela preparava, invadia todos os cantos da casa.
Não sei o que aconteceu direito, era muito pequeno. Disseram-me que quando meu pai morreu atropelado, minha mãe se foi um ano depois. Falaram que ela ficou bastante deprimida e começou a se envolver com pessoas erradas. Um dia, um homem a esfaqueou. Não vi o corpo da minha mãe. Quando cheguei ao velório, o caixão estava lacrado.
Levei muitos anos para perdoá-la. Ela amou mais o meu pai do que a mim. Mas, agora, compreendo-a.
****
Fui morar com uma tia solteirona, Jacinta, irmã da minha mãe. No início, a gente não se entendia bem. Com o tempo, um aprendeu amar o outro e começamos a viver bem.
Um dia, apareceu um estrangeiro na cidade, tinha o nome de um escritor argentino e jurava ser espanhol. A tia Jacinta ficou atordoada, quando o viu pela primeira vez. Ele usava uma blusa vermelha, mostrando o peito moreno e uma corrente grossa de ouro. Andava com seu violão nas costas, tocando em bares e nas serenatas.
Tia Jacinta começou a mudar de comportamento. Chegava em casa arfante, vivia rezando e ficava me abraçando. Sabia que era o maldito espanhol. Ouvia de algumas pessoas, que ele era uma farsa. Realmente, até hoje ele foi um enigma. Do mesmo jeito que apareceu do nada, evaporou-se. Tia Jacinta nunca mais pronunciou o seu nome.
Ficou triste, não queria sair de casa. Eu imaginava planos mirabolantes de vingança contra o maldito espanhol. O tempo passou, precisávamos sair da cidade. Todo mundo nos olhava feio. O ventre da tia Jacinta crescia a cada dia.
Vendemos a casa e fomos para o Rio de Janeiro. Um tio morava lá. Ele reservou um quartinho para gente. Para retribuir, comecei a trabalhar no seu armazém. Já a minha tia, ajudava a cunhada a costurar para fora.
Quando nasceu Ana, tive muito afeto por ela. Tia Jacinta lhe deu este nome, em homenagem a mãe dela, minha avó.
Sempre gostei de ler e escrever. Um dia, disseram-me que era escritor. Até então, não sabia. Recebi convite para trabalhar em outro Estado. Fui.
Alguns anos se passaram, voltei. A menina que eu conhecera, transformou-se numa moça muito bonita. Quando nos reencontramos, percebi que minha tia estremeceu. Perguntei se não estava se sentindo bem. Ela disse: - Tive mau presságio.
Não liguei. Continuei a olhar para Ana.
***
Um grito de pavor ecoou pela casa: - Vocês são primos! Não podem-. Minha tia desesperada olhava para mim e sua filha. O meu tio e sua mulher tentavam acalmá-la. Ana começou a chorar, mas estava decidida a assumir o romance comigo. Sempre foi mais forte do que eu. Foi ela que me pôs contra parede:
- Você vai assumir o que sente por mim, ou não? A mãe tem que entender. Eu e Alberto vamos ficar juntos.
Pegou a mala no quarto e a minha mão. Fomos embora, mas preocupados com a tia Jacinta. Estávamos saindo escondidos faz algum tempo
O rompimento durou três anos. Mandávamos cartas e convites para passar um tempo em nossa casa. Ela, neste período, nunca respondeu. Quando o nosso filho Lúcio nasceu, enviamos uma foto dele. Sem avisar, minha tia apareceu num domingo chuvoso e nunca mais foi embora. Tia Jacinta faleceu tranquila. Sabia que podia ir em paz.
****
Fato curioso, dias depois da morte da minha tia, Lúcio encontrou debaixo do colchão da cama da tia Jacinta uma foto do tal espanhol com dedicatória e um bilhete. Estavam escritos num castelhano de origem bem duvidosa:
" Para siempre recorde de mim e as tardes calientes, que passamos juntos. Amor, me voy. O seu sobrinho achará outro lugar para ficar. Venha comigo, largue tudo. Só quiero viver contigo.
Ass: Julio Cortazár"
Conto antigo
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Barbie
A manina correu para cama dos pais:
– É hoje que vão levar a Barbie ao veterinário?
A mãe acordou primeiro, logo em seguida o pai. O dia estava ensolarado e os passarinhos cantavam nas árvores balançadas pelo vento. Na copa, quando tomavam o café da manhã:
– Querida, vi na tevê ontem sobre o massacre de Ruanda.
– Na África?
– Me parece ser guerras de tribos. Matam crianças e bebês...
– Que coisa horrível. Nem me conta, porque passo até mal.
– Realmente... Que horas que tá marcado com o veterinário.
– Às 10:00. Depois a gente deixa a Carol na minha mãe.
– Certo. Vamos à festa do Zé e da Marta?
– Sim. Eles são ótimos.
– Cadê a Carol?
– Tá com a Barbie no quintal.
Saíram de casa na hora prevista. Foram ao veterinário e deixaram a cachorrinha poodle Barbie no consultório. Ela ia ficar alguns dias internada.
– Mãe ela vai ficar bem?
– Vai sim.
– Vamos ao cinema amanhã.–. Disse o pai.
Alguns dias se passaram. Barbie voltou contente e saltitante como sempre. O veterinário disse que ela se recuperou muito bem. O marido diz para mulher:
– Eu não falei que ele era um puta profissional, Fernando que o recomendou.
A família estava reunida contente na sala. As pessoas que passavam perto escutavam risos e latidos de cachorro.
SEMANAS ANTES:
– Mãe!
Carol foi ao encontro da mãe, que ficou assustada com o desespero da filha.
– Um cachorro da rua tá batendo na Barbie.
A mulher foi acordar o marido, que logo pegou um espeto de churrasco. Quando saíram de casa, viram que o vira-lata estava montado na cadela de raça. O homem o ameaçou com o espeto de churrasco, o cachorro saiu de cima da Barbie e avançou. Para se proteger, o homem furou o olho do bicho, que conseguiu fugir pelo portão entreaberto ganindo.
– Porra!!! Quem deixou esta porta aberta, foi você Carol?
– É que eu queria ir na casa da Lucia com a Barbie. Quando abri o portão. O cachorro foi direto nela.
– Querido, ela está nervosa, passou.
– Desculpa filho
...a poodle Barbie ficou prenhe:
– Querido, nem dando de presente, os nossos amigos vão querer. Filhotes mestiços são desvalorizados.
– E depois o que agente vai fazer com monte de vira-latinha. Deus me livre. Vou arranjar de qualquer maneira uma solução pra resolver essa rabuda...
– Então você vai resolver isso, querido? Ótimo.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
ESSÊNCIA DE UMA SOMBRA
Persona ( 1966) Ingmar Bergman
Juro que tentei encontrar meu caminho, mas minha essência é ser seu reflexo. Posso ficar por aqui? Estou tão cansada.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
MINHAS AMIGAS
"Um monte de fichas... Helena está estranha... Já organizei uma pilha pela data, agora vou para outra... Quero mudar de vida, viajar!... Um oceano de fichas sobre a mesa, prazo para entregar o arquivo arrumado... Helena conversava com um amigo de faculdade e seus olhos brilhavam... O expediente acabou, mas ficarei mais um pouco. Minhas amigas fichinhas, vocês me acalmam e por isso, não cometo uma loucura..."
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
POST DELETADO
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Às vezes quase me afogo em mim. Não é egocentrismo. É que sou tão fragmentado que pareço universo diverso, que na realidade é grãos de areia ao vento.
Às vezes quase me afogo em mim. Não é egocentrismo. É que sou tão fragmentado que pareço universo diverso, que na realidade é grãos de areia ao vento.
Tenho
ideias, lógico que muitas delas são merda. Mas, prefiro tentar concretizá-las a
deixá-las mofando no escuro da gaveta. Pelo menos tentei algo, se não levo
jeito pra coisa, procuro outra coisa para fazer.
Estou
com inveja. Não quero, mas tenho que aceitar que sou humano e capaz de sentir
sentimentos sublimes e mesquinhos.
Zumbi não
pensa, vive guiado pelo instinto. Logo, torna-se uma criatura pura. Mata para
saciar a fome, não por ganância.
De
repente, fiquei com medo de pensar:
Viver
pode significar morrer
Morrer
pode significar viver
Não me
aguento, quando começo a pensar que sou especial.
Quero ser amorfo.
Eu não sou engraçado, mas eu gosto das minhas
piadas. Então, serei comediante de mim.
Segunda-feira,
que bom! Adoro trabalhar!
Sou o mestre das inutilidades!
Você
daria sua vida para a realização de um desejo efêmero?
Não
tenho um lado e nem estou em cima do muro. No momento, permaneço num
intervalo.
À DERIVA.
Alguém
me empresta dois mil reais?
Quando
falam que sou profundo, sinto-me a profundeza do oceano, onde vivem os seres
muito antigos.
Às vezes me sinto tão amargo...
Um bom
escritor precisa conciliar a imaginação com o conhecimento. Só a primeira o texto
fica sem sentido e só o segundo, fica pedante demais. Por isso, se eu quiser
ser um bom escritor, terei que comer muito feijão.
Sempre
me perguntam qual a faculdade que fiz, questionando a razão de não seguir a
carreira. Fico sem saber o que responder. Fazem outra pergunta: “Qual a
finalidade do curso?” e falo superficialmente que o curso se divide em três
vertentes: Sociologia, Ciências Políticas e Antropologia... Aí, questionam sobre
o mercado de trabalho. Fico apreensivo, não quero servir de paradigma. Existem
muitas pessoas que fizeram Ciências Sociais e estão muito bem colocadas e
realizadas profissionalmente. Como em outras áreas, há pessoas que fizeram Direito e não seguiram a carreira por não gostarem, como médicos e entre
outros... No final das contas, é a pessoa que faz a diferença. Se ela é
aplicada, pode fazer qualquer atividade, que se destacará e conseguirá ser bem
sucedida, apesar das adversidades. Se valeu a pena pra mim? Sim. Através dela
fui encontrando minha individualidade. Antes, vivia na superfície e queria
percorrer caminhos de outras pessoas.
Sinto
fome de espaço vazio.
A cada
dia reforço a ideia que escrever é meu segundo oxigênio.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
PEQUEI

- DOUTORA, eu pequei! Comi manga de noite, doutora. Eu sei doutora, que não podia comer nenhuma fruta de noite, porque tem muito açúcar. Mas, carne é fraca, doutora. Vejo quilos e balanças me perseguindo, Doutora. O que farei doutora? Qual é minha sentença, doutora? Sei... Ficar de jejum por um dia. Ficarei doutora! Vou emagrecer doutora!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Nova versão de um miniconto de uma ideia antiga

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BÁRBARA
Sempre tinha uma rosa branca em sua vagina. Quando a roubavam, ela cultivava novamente a semente que germinava em seu sexo e uma nova rosa branca surgia. Bárbara nunca se entregou, transbordava esperança.
domingo, 4 de novembro de 2012
EM UMA REALIDADE PARALELA...

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- EDUARDO.
- Sim.
- Está preso.
- Por quê?
- Por não ter uma posição definitiva sobre o mundo em que vive e permanecer num intervalo suspenso da realidade.
sábado, 3 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
INSÔNIA
INSÔNIA
Outra vez a maldita. Ligo a tevê e vejo um filme erótico,
mas que a história já conhecia, mas os atores são diferentes.
A cena: Duas mulheres na piscina:
- Kendra, estou tão sozinha. Justin vive trabalhando...
- Britney, acho que precisa de diversão. Olha o Plabo
limpando a piscina, é um gato!
- Kendra, ele tem idade de ser nosso filho.
- Britney, não quer
dar de mamar pra ele?
- Você é tão depravada, Kendra?
- Se não quer, eu quero!
Então Kendra vai em direção do Pablo, seduzindo-o. A cena de
sexo é bem forçada. Os atores não passam verdade.
Ligo o computador e começo a compartilhar pensamentos nas
minhas redes sociais. Curioso é que me sinto muito intenso, quando escrevo
minhas mensagens. Ganho até elogios. Muitos curtem o que escrevo. Posto alguma
coisa e espero... Nada. Começo a fuxicar as fotos que o pessoal compartilha no
facebook. Sinto-me culpado por fazer isso.
Assisto alguns vlogs,
encontro um cara que detona um filme romântico e vampiresco para moças.
Realmente o tempo corre muito depressa, o vídeo está datado. Pois, o filme é
uma série de três filmes e já estão lançando o último. A escritora do livro que
inspirou os filmes, já tem outro best-seller.
Estou com tédio, ligo a tevê de novo. Vejo um canal que o pastor manda os fiéis correrem num tapete vermelho para pisar na cabeça do demônio. Fico enjoado e volto para o filme erótico. Agora, Britney e Kendra fazem amor em cima da mesa. Que mesa resistente, a compraram onde? O marido Justin observa a tudo com olhar guloso.
Estou com tédio, ligo a tevê de novo. Vejo um canal que o pastor manda os fiéis correrem num tapete vermelho para pisar na cabeça do demônio. Fico enjoado e volto para o filme erótico. Agora, Britney e Kendra fazem amor em cima da mesa. Que mesa resistente, a compraram onde? O marido Justin observa a tudo com olhar guloso.
Volto à internet.
Quero encontrar algo, que não sei o que é? Acho que vou postar alguma
coisa no blog. O galo já está cantando. Merda! Ainda nenhum comentário nos vídeos(
Para quem não sabe, produzo vídeos para Internet). Tem uns vídeos de humor
interessantes no youtube... Estou de saco cheio da internet.
Está no final do filme. Britney e Justin transam e no último
suspiro, os créditos aparecem. Eu vi esse filme em algum lugar, mas os atores
eram outros.
Chega de ficar à toa. Ainda bem que o sono veio.
ESTRANHAMENTO
Quem é você, que faz vídeos sem sentido? Com essa voz mole, que parece estar dopado? Que mostra a cama desarrumada e não capricha no cenário? Você sou eu? Não sou assim. Será? Quando me vejo nos vídeos, parece que sou outra pessoa.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
conto antigo

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MEU MENINO
Óculos de armação grossa. Cabelos curtos. Poeta. Olhar atrevido. Antônia. Vi-a pela primeira vez em um famoso festival literário, ela dava uma palestra sobre o seu novo livro de poemas. Como pode escrever e falar tão sobriamente com apenas vinte anos? Olha para mim todo o tempo e sorri, retribuo... Alguém da organização do evento me dá um pequeno papel: “ no hotel às sete...” . Será que ela está brincando, comigo?
“Olá!!” disse a me ver entrar no saguão. Passeamos e conversamos sobre tudo. “ Sinto que está nervoso”. Tentei disfarçar. Tilintar dos talheres, conversa alta e agitação dos garçons nos incomodavam, “ Vamos sair daqui, me leva ao hotel”.
Beijo. Tiro sua roupa devagar, seios rígidos e pequenos. Encaixe perfeito. Cansaço. Sono. No dia seguinte, Antônia não estava lá.
Quando retornei para casa, recebi um e-mail: “ Olá! Meu menino, tive um compromisso. Voltei para cidade e queria vê-lo.”.
A partir de então sempre estarei disponível quando me chamar.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
DELÍRIO CÍCLICO DE VERÃO

Estou doido, falo uma língua que não entendo. Será que serei esmagado? Sou uma barata voadora na parede.
HÓSPEDE
Cena da imagem de A viagem de chihiro
Quando estava cansado de ficar num corpo, ia para o outro. Não era um parasita, mas hóspede. Ajudava até o dono do corpo em que estava através de pensamentos e sonhos. Pulava de corpo em corpo, vivenciando histórias que não eram suas.
- CALA A BOCA

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Não quero saber de sua verdade, não arrote sua soberba em cima de mim. Vou pegar a estrada. Vejo a montanha, ela me chama. Não aguento ficar aqui, sinto-me enclausurado. Encontre outro aluno. Desejo sentir novamente a água gelada da cachoeira e seu canto. Observar a dança do vento com a vegetação. Não quero saber de sua verdade, seu nariz empinado me inspira ideias assassinas. Vou embora! Sofia vem comigo, ela sempre me quis, desde o dia em que eu a encontrei andando de bicicleta. Vejo a montanha sempre tive curiosidade de escalá-la. Será que encontrarei duendes e fadas? Há uma lenda de que um poeta apaixonou-se por uma fada, subiu a montanha e ninguém mais o encontrou. Será que Sofia é uma fada? Ela nunca soube quem foi sua mãe, o pai nunca lhe disse nada. Cale a boca! Não quero saber de sua verdade...
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
- CLÁUDIA
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- CLÁUDIA
Meu remédio. Já tomei? Liga a tevê pra mim, Cláudia. Mas, antes me prepara um suco, Cláudia... Está meio aguado, Cláudia. Hei, quem está te ligando, Cláudia? Veja o que vai aprontar, Claudia. O último namorado que você arranjou me deixou perneta, Cláudia. Que faca é essa, Cláudia? Como? Está cortando o bife, Cláudia? Não o deixa duro, Claudia, minha dentadura vai rachar de novo, Claudia. Cláudia, você é uma boa filha. Só tem dedo podre pra homem, Cláudia. Claudia! A campainha está tocando. Cláudia...
domingo, 28 de outubro de 2012
MINICONTOS ANTIGOS SOBRE DESPEDIDAS

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DESPEDIDAS
A BRISA DA ALTA MADRUGADA
Foi embora e a única companheira foi a brisa da madrugada.
NA RODOVIÁRIA
A mãe não vê mais o filho no horizonte. Tímidas lágrimas escorrem, desmanchando um pouco a máscara de mulher rígida. A filha mais nova finge não perceber. Olha o céu azul.
- ADEUS!!!
Ela foi embora sem hesitação. No início o esposo ficou triste. Mas depois, começou a ter um caso com a vizinha da frente, que era muito prendada e gostava de servi-lo. Já a antiga esposa virou cantora de bar e escritora de livros eróticos. Hoje em dia, os dois estão muito felizes.
sábado, 27 de outubro de 2012
POEMA DESERTO
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POEMA DESERTO
- Um verso entrou no meu olho e me incomoda.
Viajantes( Uma nova versão)

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Quando Álvaro chega de viagem liga para Lauro. Deseja mostrar as fotos, em primeira mão, ao amigo.
Lauro sempre fica ansioso, pois as fotografias revelam que suas fantasias são reais.
Lauro: Estive com você nesse lugar em sonhos. Almoçamos num restaurante muito agradável.
Álvaro: Realmente, fui a um restaurante agradável quando estive em Roma.
Lauro: A comida estava deliciosa, né?
Álvaro: Sim.
Lauro: Uma vez, sonhei que você caminhava numa rua deserta e a lua o iluminava. Parecia um fantasma. Senti certa melancolia em você.
Álvaro: Passei uma madrugada assim. Estava me sentindo só, perdido, mas me lembrei de você e fiquei bem.
Lauro: Uma vez me perguntaram se éramos gêmeos.
Álvaro: Gêmeos de pais diferentes? Além do mais, nem nascemos no mesmo dia.
Lauro: Você é meus olhos que enxergam além do horizonte.
Álvaro: Já você, não me deixa esquecer das minhas origens.
Lauro: Sempre puxarei seus pés para que volte.
Álvaro: Quanto a mim, o levarei para conhecer os lugares mais belos do mundo.
***
Conto ao som de
Desireless - Voyage Voyage
Na van
Quero dormir, mas a garota sentada na minha frente briga com o namorado no celular, porque ele adicionou uma "piriguete" que só tirava foto de calcinha e sutiã. Ainda disse que adicionaria um monte de "homens gostosos". O trocador da van grita toda hora para ver se consegue passageiros, insiste com as pessoas e elas se desviam dizendo que irão para outro lugar. Além do pagodinho meloso que toca na rádio da van, tem um cara que ouve funk sem fone, ao lado dele, há uma jovem que ouve musica evangélica. Uma senhora comenta quase gritando com a amiga que o filho é vagabundo e irá obriga-lo a arranjar emprego. Não consigo cochilar, mas estou bêbado de sono e o caos de sons me invade. De repente, penso num espaço vazio. Isso me acalma.
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