, “ Há os grandes escritores e uma legião de escritores menores que tentam assimilar seus estilos.”. Então eu sou da legião dos que tentam ser aspirante a escritor que digere o estilo da legião dos escritores menores, que assimila o estilo da legião dos grandes escritores. Estou bem na fita,
sábado, 18 de abril de 2015
NA CORDA BAMBA

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- Querido, você não sente que está se equilibrando e está
prestes a cair?
- Sim, não se esqueça de que somos da classe média e sempre
nos equilibramos, amor. Nunca pertenceremos à elite e nem nos identificaremos
com os pobres.
- Amor, ajuda-me! Vou cair!
- Vamos juntos. “ Na riqueza e na pobreza...”, lembra-se?
segunda-feira, 13 de abril de 2015
NÁUFRAGOS

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NÁUFRAGOS
Ele queria só se divertir e ela queria fugir dos anos de
solidão. Quando ele a viu, enxergou seu desejo e quando ela o viu, um refúgio.
Beijos, abraços e palavras românticas. Ele a levou para o penhasco que dava para
uma ampla visão ao mar aberto. Ela olhou a imensidão do oceano e sentiu-se
atraída e, quando observou o rapaz a sua frente, começou a sentir repulsa. Jogou-se
do penhasco. Atônito, ele fugiu com medo de ser incriminado. Anos depois, a
maturidade o fez entender o que acontecera.
É que certos indivíduos são náufragos que só veem a si mesmos
e incapazes de enxergar o outro. E ele e a jovem que conhecera pertenciam a
esse vasto grupo.
sábado, 11 de abril de 2015
LUIZA IMAGINATIVA

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“Imaginar é o
princípio da criação. Nós imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos
e, finalmente, criamos aquilo que queremos.” Shaw , Bernard
Desde menina tinha amigos imaginários. Quando se tornou moça,
apaixonou-se pelo namorado imaginário. Mas, ele fugiu com a amante imaginária e
nunca mais voltou. Ela ficou grávida e resolveu assumir sozinha seu filho
imaginário. Os pais ficaram abalados no início, porém, com o tempo, amaram o
neto imaginário. O tempo passou e o filho de Luiza cresceu, arrumou uma
namorada muito bacana e formou uma bela família. Luiza já idosa observava os netos a
brincar no quintal e jurava que sempre guardaria o segredo de que seu filho era imaginário.
“ Faço o que eu digo, mas...”
- Kaylane, puta que pariu, Kaylane. Por que você xingou outra vez aquela professora de piranha, Kaylane?! Fui chamado outra vez para ir à escala e estou cheio de coisas para fazer, Kaylane. O veado filho da puta do diretor quer me ver, Kaylane. Porra, Kaylane, falei pra você não me arranjar problema, filha da puta! Aliás, por que xinga tanto as pessoas, Kaylane, caralho! Não aprendeu isso comigo, não falo nenhum palavrão, boceta cabeluda. Deve ser a vaca da sua mãe e aquele veadinho novo namorado dela. Ela sempre foi sem classe, Kaylane. Caralho, minha vida está uma merda, Kaylane! E mais essa que você me arrumou, PUTA QUE PARIU, Kaylane. Aquele filho da puta do diretor é um merda, já estudamos juntos quando éramos crianças e eu metia a porrada nele. Agora, ele fica dando de superior e como devo educar você, Kaylane. É um escroto fodido, Kaylane! Kaylane, estou chegando, desce logo, caralho. Quer comer aonde? Como? Quer duzentos reais, PUTA QUE PARIU, Kaylane!!! ESTOU FODIDO, CARALHO!!! Tá bom, pegarei no caixa vinte quatro horas. Já cheguei, vem logo Kaylane, te amo filha.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
ESCURO( mini antigo)

De repente, a luz ilumina algo. Meu cérebro
processa a informação que o objeto é uma jovem desnuda que declama poesias.
Estou sentado numa poltrona em frente ao palco. Logo, estou num teatro. Como
fui parar ali? Ao lado, outras pessoas estão assustadas e pergunto a elas o que
está acontecendo. Ninguém sabe. Minha última lembrança é estar bebendo um café
em um bar. A jovem nua levanta e nos manda calar a boca, fala da importância de
aprender a ouvir o que o outro tem a dizer. Um homem aparece e eles começam a
dançar. Uma voz ecoa no teatro, parece ler um monólogo. O pensamento de que fui
sequestrado começa a martelar minha cabeça. O espetáculo continua. Agora, é o
casal que recita versos. No fundo do palco, luzes aparecem. Vibram e mudam de
cores de acordo com o ritmo com que as palavras são pronunciadas.
Inesperadamente, a cortina cai e o teatro é iluminado. Esperamos por algum
tempo e vamos todos embora.
FOLHA SECA NA VIDRAÇA DA JANELA( miniantigo)

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Chove e o café está frio. Olha o relógio da
sala: "Está na hora dele chegar.". Vai ao quintal e vê o cachorro
inerte. Depois, pede a um pedreiro que trabalha na casa ao lado enterrar o
bicho no terreno baldio ali perto. Anoitece, quem ele espera nunca mais lamberá
sua mão. Bebe o café gelado e olha sem ver um filme na televisão.
Sacolé de coco

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Escondido da mãe pegou um. De repente, surgiu um barulho de
vidraça estraçalhada. Foi encontrado deitado no chão, atingido por uma bala
perdida. Nem conseguiu sorver o fruto proibido que se derreteu junto com o
sangue.
domingo, 5 de abril de 2015
MALDIÇÃO
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Em tempos muito antigos de príncipes guerreiros, princesas
delicadas e criaturas mágicas, existia uma bruxa que adorava jogar maldições,
inclusive, nas princesas. Ela as considerava chatas e queria tornar as coisas
mais divertidas. Um dia, ouviu rumores da existência de uma princesa que era a
mais pura de todas. Curiosa, foi verificar se era verdade. Seguiu a princesa
pelo bosque, um barulho de alguém mergulhar no lago ecoou na mata silenciosa. A
princesa seguiu o som e ficou escondida atrás da árvore para observar um jovem
camponês, banhando-se nas águas cristalinas do lago. A bruxa observou que a
princesa mordia os lábios e sua respiração acelerava. Então, percebeu que ela
já estava amaldiçoada pelo desejo que sentia pelo rapaz; por sua moral que não
a permitia se entregar aos seus impulsos; pelo reino que a colocava em um
pedestal, tornando-lhe um fardo pesado. Pela primeira vez, a bruxa sentiu pena
de alguém. Decidiu que para esta princesa, seria uma fada madrinha.
***
Conto ao som..,
Conto ao som..,
sábado, 4 de abril de 2015
TÓPICOS DE PESQUISA DA SOCIOLOGIA DA TELENOVELA( miniconto antigo)

Soraia, grande vilã da novela mexicana Maria do Bairro
– Hoje, vamos falar da dicotomia entre o bem e o mal. Nas
telenovelas, por exemplo, as mocinhas só fazem sexo por amor, enquanto as vilãs
são promíscuas e só almejam alimentar as entranhas trêmulas de desejo. A partir
deste paradigma, vamos observar uma estrutura de valores de nossa sociedade
ocidental judaico-cristã...
***
" Realmente, espelhando-me no conceito que o professor
está comentando, eu sou vilã. Mas, na realidade, dou muita felicidade aos
homens e os ajudo a serem melhores amantes para suas namoradas, noivas e
esposas. Eu só pratico o bem, compartilhando meu saber erótico. Portanto,
também faço parte do grupo das mocinhas. "
LAURA LABIRÍNTICA

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A mente de Laura sempre foi um labirinto, perdida entre
lembranças e devaneios. Um dia, teve certeza que o marido estava tendo um caso
com a vizinha ao lado, pois ele não saia da casa dela. Surtada, matou a mulher.
Anos depois, na prisão, descobriu que a vizinha não era
amante de seu marido. Na verdade, o esposo da vizinha que tinha um caso com
ele. Por isso, vivia o tempo todo na casa ao lado.
Eles foram embora para o outro estado e dizem que adotaram
até uma criança.
Laura está se tratando na prisão e estuda para ingressar na
faculdade de Serviço Social.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
"ENCONTREM SEU VERDADEIRO DOM"

Cena do filme Professora sem classe
- A professora Sofia sempre dizia isso para gente e seguindo
seus conselhos me tornei um assassino em série. Matei tanta gente e nunca fui
descoberto... Até agora. Infelizmente, tive o azar de ter uma testemunha para meu último
crime. Enfim, até os gênios cometem erros, não é mesmo?
***
Ao assistir pela tevê o assassino, sentiu-se lisonjeada com a
lembrança do ex-aluno. " Pelo menos seguiu seu próprio caminho e se
destacou. Não viveu uma vida medíocre como os outros que reproduziram a mesma
estagnação de seus pais."
domingo, 29 de março de 2015
"Quero mostrar como o sistema é falho, serei o cara que quebrou as regras. "

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Mas, com o passar do tempo, os jornais que publicaram
sobre ele serviram para embalar peixe. Vieram outros que o substituíram na
mídia. O esquecimento veio. Só era lembrado rapidamente por causa de suas
vítimas e não por ele mesmo.
quinta-feira, 26 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
SEM FÔLEGO( série antiga de minicontos antigos)
O TAPA
ela cai na cama tem
vergonha de sentir uma sensação gostosa o homem vem a beija ardentemente tudo
se misturava saliva línguas sangue ela fica mais excitada lembra-se de quando
era pequena o padrasto batia de vara de marmelo no seu traseiro por fazer alguma
arte não chorava fingia sempre gostava das surras do padrasto o tempo correu
virou mulher quando não tinha ninguém para machucá-la maltratava seu corpo
usava agulhas velas chicotes porém
sentia arrependimento fez anos de análise nunca conseguiu deixar de sentir
prazer na dor um dia encontrou ele que a perseguiu na rua deserta ela
começou a correr mas ele conseguiu alcança-la a empurrando
forte na parede de um beco qualquer ela o arranhou ele simplesmente a esbofeteou a possuiu ali
mesmo encontraram-se mais vezes hoje moram juntos apesar dela ser feliz tem um pouco de vergonha do
caminho que escolheu
TUDO SE ACABOU
estou vermelho quero que minhas lágrimas se transformem em
lanças para atingir todos os que me prejudicaram Sara por que foi embora me
deixando sozinho sonho com você todas às noites você me aparece é metade sereia
e felina seus cabelos amarram meu pescoço sinto falta de ar acordo vou à janela
as estrelas estão brilhantes são tão bonitas mas já estão mortas quero ver o
mar para encontrar você minha sereia-gatuna todos me odeiam quando ando nas
ruas as sombras das pessoas aumentam querem me pegar corro o mais rápido que
posso ninguém me ajuda um monstro verde aparece vou para faculdade encontrar Lúcio
a gente tem que fazer o trabalho de História escuto gritos no meu apartamento
está pegando fogo vejo a fumaça ter uma forma de bailarina a vida é uma merda
que homem é esse que aparece na minha sala cantando ópera sai daqui filho da
puta mãe gosto de você do pai sereia-gatuna aparece diz "vem meu
amor" vou sim tudo está se dissipando o castelo de areia da minha vida é
diluído pela maré alta
HOMEM-FOGO E A MULHER-LAGO
numa praça havia uma
fogueira e ao seu lado um lago eram apaixonados porém não podiam consumar a
paixão uma estrela cadente apareceu no céu os dois fizeram um pedido em comum o
fogo tomou a forma de um homem forte o lago em uma bela mulher pela primeira
vez conseguiram ficar no mesmo espaço com o contado de dois corpos tão opostos
ouve uma condensação no ar surgindo uma
neblina o homem-fogo suga os exuberantes seios d’água da amante e a
invade com seu pênis de fogo a
mulher-lago sente o membro em chamas penetrar em sua vulva d’água o gemido
final de ambos ecoou por toda a praça as
pessoas foram ver o que estava acontecendo
a fogueira e o lago desapareceram nunca mais ninguém os viram na praça
os mais velhos sempre contavam a lenda do homem-fogo e da mulher-lago
segunda-feira, 23 de março de 2015
O SALTO NO ESCURO

Sou uma gota d'água que está prestes a cair no breu da noite.
Aceitarei meu destino de ir ao encontro com o mistério. O instante da queda se
aproxima, quero viver o momento de não agir e esperar a hora de ser lançado ao
escuro. A escuridão que me aguarda é tão concreta e sou tão frágil. Pela primeira vez, estou bem com minha
solidão. Para saltar no escuro precisa estar só. O momento está chegando, o
instante da queda. Tocarei o mistério sem tentar desvenda-lo, talvez, irei me
tornar outro enigma. A hora chegou
domingo, 22 de março de 2015
sábado, 21 de março de 2015
OVO

Vocês não estão vendo,
como assim? Está diante de seus olhos e ninguém faz nada? Por quê? Cometem um
crime horrível e ninguém percebe! Como são cruéis! A violência é atávica em
vocês! Gente, esse ovo cozido é vida! É origem de tudo e vocês querem comê-lo.
Não ouvem o pranto do ovo, ele chora por dentro. Deixem o ovo viver com sua
ancestralidade. Como podem ser tão irresponsáveis! Graças a Deus, eu me
alimento de luz! Sou um ser especial, que não mata um ovo para satisfazer meus
impulsos mais primitivos. O ovo é universo! Ele é mais que vocês todos
juntos! O ovo é Deus! Queria ter um ovo mítico em Brasília ao invés de
políticos. O ovo com sua brancura ilumina a escuridão do caos. Não veem isso? Não adianta chamar a polícia! Não deixarei que toquem em sua divindade. Ele é
tudo-nada e nada-tudo. Senhor! Perdoe essas pessoas que não sabem o que fazem.
São bestas famintas que, mesmo ao comer o ovo, nunca encontrarão sua inteireza.
domingo, 15 de março de 2015
SUPERFICIAL E PROFUNDA

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Todos a viam como alguém
transparente, sem segredos. Um dia, encontraram-na com os pulsos cortados na
cama. Não deixou sequer uma carta. Marido e filhos se perguntaram por qual
motivos se suicidou ou quais eram seus segredos mais densos. Não deixou rastros
e depois de sua morte tornou-se enigmática e profunda.
DESAPARECIDO

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Um dia, tornou-se
aparecido. Mas, a vida que havia deixado para trás desapareceu. Perdido, voltou
a desaparecer, descobrindo-se desaparecido por natureza.
domingo, 8 de março de 2015
DIANA

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Estavam exaustos de
tanto se amar e felizes por não precisarem se esconder. Diana resolveu
deixa-los me paz e assinar o divórcio. Lauro apareceu na casa de Amanda com o
vinho.
No breu do quarto uma
fresta de luz surgiu. Os amantes acordaram e uma flecha foi lançada no peito do homem. Amanda gritou e ficou perplexa ao
reconhecer o rosto da assassina.
***
Quando Diana estava enfurecida, gostava de produzir à exaustão. Um dia, moldou uma estátua, que
era a sua imagem e foi dormir exaurida sem perceber o que fizera; ao amanhecer,
a estátua não estava no ateliê. Diana considerou que foi delírio e resolveu
preparar um café da manhã daqueles. Pela primeira vez, sentiu-se tão bem... Parecia
que a dor da separação havia desaparecido do nada. Não sentia mais nada por
Lauro, só vazio. Achou estranho, ela sentia tanta falta daquele homem,
principalmente, quando a possuía. Mas, decidiu não pensar muito, resolveu
seguir em frente. Ligaria para Paulo, estava pronta para recomeçar.
***
No restaurante com
Paulo, Diana foi abordada pela polícia. Era suspeita de assassinato de Lauro. Com
o tempo, provou sua inocência. As câmeras do apartamento de Amanda não
registraram sua presença. Porém, se não foi Diana, quem foi?
Diana lembrou-se da
estátua que tinha feito, depois de uma noite de fúria. Relatou à polícia e o
inacreditável esvaziamento que sentira no dia seguinte.
Claro que todos acharam
bobagem e o caso não teve solução. Amanda continuava a acusar Diana, mas
ninguém dava ouvido.
No enterro, Amanda viu
Diana e elas se entreolharam. Quando, todos se despediam de Lauro, elas viram
uma mulher de arco e flecha, escondida na árvore. Diana assustou-se ao ver como
eram parecidas. Amanda presenciou a tudo e a verdade se revelou para ela,
também.
***
Obs: Conto inspirado em um miniconto antigo...
quinta-feira, 5 de março de 2015
ERA UMA VEZ...
Desenho de um artista anônimo
Ana Lua fica horas no
banheiro a mexer no telefone. A mãe se preocupa com a filha, pois ela não larga
o celular por nada. Mas, não sabe que o aparelho eletrônico é um portal mágico
e quem vendeu a Ana Lua, foi uma fada madrinha muambeira. A jovem viaja para o
mundo encantado de seu belo príncipe. A mãe se espanta ainda mais, quando ela sai
do banheiro continuando a manipular o celular e os passarinhos luminosos voando a sua volta.
quarta-feira, 4 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
GRITOS

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- Pai, ouço gritos em
você.
- Que isso, filho? Está
com uma imaginação fértil.
- É verdade, pai.
Quanto tempo que não escreve.
- Estou tão sem
tempo...
- Arrume um tempo, pai.
Os gritos que vem de você, não me deixam dormir. Faz uma experiência, escreva.
- Tá bom.
O homem ligou o
computador, começou a digitar algumas palavras. Com o tempo, a tela branca do
Word transbordou palavras. Ele se
espantou com tantas histórias e personagens que gritavam em sua mente.
Quando amanheceu, o filho
muito contente foi ao encontro do pai, que ainda escrevia.
- Obrigado pai. Dormi
muito bem.
- Pois é, enquanto eu
vou penar no trabalho, já que não dormi nada. Mas, sinto-me em paz. A zoeira
que estava na cabeça passou.
A BESTA( miniconto antigo)
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Invade um antigo
casarão. Atravessa um longo corredor vazio. Encontra um quarto todo branco e
uma jovem à janela. Lambe os lábios e olha a sua presa, que não demonstra medo.
Percebe que na moça, apesar de ser bela, não há mais o viço da inocência. Está
oca como uma boneca. Perde a fome e vai embora.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
AMIGO

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- Quando fugia de mim, tornei-me outros e perdi fragmentos dos quais fui, quando tropecei em pedras no meio do caminho. Então, um dia, encontrei-me através da minha fuga. De certa maneira foi bom fugir, pois se eu ficasse, continuaria perdido. Sei que isso é difícil de entender, nem eu compreendo. Mas, é como me sinto. Ao me perder, eu me achei e tudo que passei, faz parte de minha essência. Bem, preciso ir. Obrigado por me ouvir. O senhor é um poeta importante, não é mesmo? Seu nome me escapa da memória. Não importa, sempre voltarei para conversar contigo, meu amigo.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
ESTRELA

Foto tirada pelo celular
A luz que vem de fora
incide na grade da janela, projetando sua sombra. De repente, vejo uma estrela
que ilumina minha escuridão.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
“VACA”

Luiz Antônio sempre
sonhou em ser escritor de sucesso, mas nunca escreveu um parágrafo sequer. Ele
não pensava na escrita e sim no status de um escritor de renome que mora em uma
ilha paradisíaca e numa espetaculosa mansão. Sonhava acordado com os prêmios
literários, champanhês e festas de arromba com celebridades internacionais. Imaginava
até aventuras eróticas com modelos que iriam visita-lo, ficando admiradas por
sua cultura, inteligência e o corpo malhado. Pois, além de escritor, em
devaneios, também, dedicava-se três horas e meia de treino na sua academia
particular.
Um dia, resolveu
escrever um best-seller e decidiu se matriculou numa oficina de contos de certa
senhora escritora. Achava que resolveria todos os seus problemas, já que ao
fazer a oficina, poderia conhecer contatos de alguma editora bacana.
Com o passar das aulas,
percebeu que o ato de criar não era tão fácil assim. A inspiração não vinha
somente com as ninfas que pegavam carona com a brisa da alta madrugada, pelo
contrário, a senhora mostrou que para escrever ficção precisava muito estudo e
trabalho. Luiz Antônio se aborreceu com
a descoberta de que não seria tão fácil como pensava.
Tentava ler os livros
sugeridos pela velha escritora e, em seguida, surgia um tédio terrível e as pálpebras
ficavam pesadas. Quando tentava escrever, empacava, ficando horas em frente ao
computador. O arquivo em branco do Word mostrava com ele era vazio de ideias.
Desistiu da oficina em
poucas semanas. Ficou com raiva da senhora escritora, pois ela destruiu seu
sonho de ser um célebre escritor, sem nenhum tipo de esforço.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Diálogo inspirado numa série americana famosa sobre vampiros e outras criaturas fantásticas...
- Oi, Pâmela Brenda. Quebrei o pescoço do Jonathan e peguei a pedra lunar mística para resgatar a Candancy do mundo paralelo. Temos algumas horas, já que Jonathan pode acordar a qualquer momento, é um vampiro híbrido com lagartixa do deserto. Como? Você não pode me ajudar, por quê? Foi fazer uma participação especial em outra série dos mesmos produtores da nossa? Por quê? Lutará com uma bruxa poderosa que quer abusar dos lobisomens? Mas, você não tem nada a ver com isto, volta para sua série de origem e me ajude! Antes que Jonathan acorde e quebre meu pescoço de novo ou me aprisione no deserto de vampiros desesperados. Poxa vida, sou o vampiro do bem e não quero sofrer o tempo todo. Também, tadinha da Candancy, por que ela sempre tem que se separar da gente e ficar numa realidade paralela? Só porque é a única personagem negra e bruxa da série? Isso é preconceito! Pâmela Brenda, por favor! Espera! Precisa desligar, lobisomens hipnotizados querem te devorar?!!! Está certo, acaba logo então esta participação especial e volta para me ajudar. Até lá, preciso me esconder, quando Jonathan despertar...
- ENCONTREI UMA FÁBRICA DE NUVENS!

Foto tirada pelo celular
- Querido, já tem 36
anos para saber como as nuvens são feitas.
-Como?
- Vai pro google.
sábado, 31 de janeiro de 2015
SÓ UMA METAFORA
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A menina corre e deita
na barriga do pai e ouve barulhos estranhos. Pergunta-lhe e ele responde que há
um mundo dentro do corpo das pessoas. A menina se espanta com a revelação, pois
se vê um planeta. Começa a ouvir os sons do próprio corpo e isso a assusta,
outras pessoas dentro dela. Ao perceber o susto na filha, o pai lhe diz que só
fez uma metáfora e começa a explicar o funcionamento do corpo humano. Ela
entende e cresce, porém, a ideia de ser um planeta persiste nas profundezas de
seu inconsciente e quando olha o céu estrelado, sente que sua imensidão diversa
dialoga com a do universo.
domingo, 25 de janeiro de 2015
NÃO MAIS PARTIDO...

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Meu pai era um homem
imponente e bem educado. Mas, sempre ouvi falar que quem o aperfeiçoou foi
minha mãe, pois ele era de origem humilde. Seu passado era ofuscado pelos
prêmios e condecorações que recebeu ao longo do tempo.
Um dia, papai adoeceu e
uma senhora com vestimenta simples apareceu na nossa casa. Ela cuidou dele até
o fim e o acalentava como se fosse um bebê, cantando cantigas de ninar. Minha
mãe fazia vista grossa, amava-o o bastante para saber que isso fazia bem para
ele. As duas desenvolveram uma cumplicidade que se aproximava a uma
amizade. Quando papai morreu,
abraçaram-se em silêncio. No velório, recordo-me da senhora passar a mão na
minha cabeça e ir embora para sempre.
Anos se passaram e esta
recordação persistia em mim. Perguntei para minha mãe quem era aquela senhora e
ela me disse: “ sua avó”. Quis saber mais e ela me deu o endereço.
A senhora estava
sentada na varanda e me recebeu contida. Perguntei por qual motivo nunca me
disse que era minha avó e ela respondeu ser complicado responder. Ela e meu pai
estavam brigados tanto tempo, que ela não queria se machucar mais. Decidiu
tentar ser indiferente, mas nunca conseguiu.
Mostrou-me fotos
antigas de meu pai e o quarto em que ele dormia. Ela me chamou a atenção de como
os olhos dele eram tristes e concordei. Até nas fotos de festas e premiações,
seu olhar era muito melancólico.
Então, começou a falar
sobre ele. Disse que sempre desejou ir embora para ser bem sucedido. Colecionava
revistas de viagens, de mansões e comentava que encontraria a felicidade nesses
lugares. Um dia, despareceu com o vento.
Minha mãe deu sua versão,
que meu pai sentia-se incompleto, apesar das vitórias conquistadas. Escrevia
cartas que nunca eram respondidas. Uma vez, minha mãe o viu escrever em seu
bloco de notas “ banzo”, que significa um sentimento de nostalgia que os negros
da África têm, quando estão ausentes do seu país, é um termo de origem
africana. De certo jeito, sentia falta de sua origem, a mesma que no passado sempre quis fugir.
Através dos relatos de
minha avó e da minha mãe percebi como meu pai estava à deriva, porque talvez não conseguisse encontrar um lugar no
mundo. Quando achou que saindo da casa materna, encontraria sua identidade,
descobriu que não estava completo e faltava o que deixou para trás.
No leito de morte,
papai estava tão tranquilo... Talvez, porque finalmente se percebeu completo e
não mais partido.
sábado, 24 de janeiro de 2015
PRAZER E CULPA

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Sai de casa armado até
os dentes e atira nas crianças que correm em frente à sua casa, fazendo sua
cachorra latir. Vai à comunidade próxima da rua onde mora e com uma granada
explode o som de funk-pagode-forró nas alturas. Em seguida, metralha todos que
encontra pela frente. De repente, se vê em um campo florido e o silêncio ecoa dentro
dele, sentindo um gozo profundo.
***
Ao ver o marido com o
rosto esboçando prazer, a mulher fica enciumada e o acorda braba.
- O que estava sonhando?!
- Nada.
- Sei...
Ele fica com medo de
contar o sonho, pois o achariam um monstro. Logo, para amenizar a culpa, vai até o armário e escolhe algumas roupas que não usa mais para doá-las, assim,
sente-se um homem bom.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
FANTASIA OU RECORDAÇÃO?

Foto tirada pelo celular
Eu estava entre o sonho
e a realidade, quando vi esta imagem que me remeteu a uma época que os mitos
eram tão vivos como as pessoas. Até pensei que era um templo muito antigo...
Mas, minha cadela Akira apareceu balançando rabo e com um olhar que revelava tudo.
Sem dizer nada, comunicou-me que quem fez a "obra" foi ela. Lambeu-me
e, depois, foi latir para os outros cachorros.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
ESPECIAL E PROFUNDO II

Quadro de Eduardo Oliveira Freire
"Analisarei mais um quadro de EOF. Este, para
mim, é o mais interessante porque trabalha com o duplo. Aparentemente, EOF
parece que almeja passar um descontentamento com o homem, inclusive, como este
degrada a natureza. O artista parte do princípio que somos " sacos de
merda que só faz merda". Entretanto, percebe-se que há beleza no lixo e
nas excreções, porque, para o artista, o ser humano pode se reinventar e
encontrar o lúdico e o lírico no asqueroso, proporcionando esperança para o
mundo decadente no qual vivemos. Por isso, que a essência do quadro é duplo.
EOF acredita que o ser humano é sagrado/profano, grotesco/sublime, belo/feio e
bom/mau. Confesso me emocionar com a obra e ao escrever este ensaio comecei a
chorar como uma louca, todavia meu lado intelectual prevaleceu. EOF sempre
relatou que tinha um sonho recorrente desde menino, de que uma bunda enorme
apareceu e dela saíram vários bonecos de barro. Ao chegarem à terra, uma brisa
surgiu e começaram a viver. Logo, o artista quis expor seu sonho através de
tanta dialética transcendental, a qual permeia em toda sua obra. Neste quadro,
especificamente, EOF mostra que não há a unicidade, mas que tudo é diverso-uno.
" (Professora de Antropologia e com doutorado em Arte Contemporânea
Kassandra Britney Jerusa Emanuelle)
domingo, 18 de janeiro de 2015
- PAI, ACREDITA EM DEUS?
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- Sim!
- Por quê?
- Porque acredito e ponto final. Vai dormir, tem
aula cedo.
O menino foi dormir. Quando deitou na cama, seu gato
o esperava. Os dois ficaram quietos um olhando para o outro. Quando o sono veio,
o menino pensou:
“ Deus é o cara que desenhou a gente. Sei disso,
porque construo vários mundos através dos meus desenhos.”
Ao amanhecer, a mãe foi acordá-lo e ele estava abraçado
com um desenho de um gato.
sábado, 17 de janeiro de 2015
ESPECIAL E PROFUNDO

A Pintura de EOF
“Este quadro do artista
Eduardo Oliveira Freire ilustra muito bem a ambiguidade e a complexidade de sua
obra. A pintura representa tudo, nada, o caos e a certa lógica cósmica que nos
antecede por gerações. Para o artista, todos os seres vivos e os nãos vivos
estão conectados por fios, os quais foram tecidos desde que a Terra foi
formada. O artista acredita que se deve voltar à simplicidade do cotidiano para
encontrar a inspiração de criar, não adiantando só ficar no plano das ideias e
da alta cultura. Mesmo sendo erudito, Eduardo mantém sua simplicidade genuína
que o faz singular em relação aos outros artistas. Apreciem a obra desse
artista tão especial e profundo.” ( Professora de Antropologia e com doutorado em Arte Contemporânea Kassandra Britney Jerusa Emanuelle)
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
MEMÓRIA DILUÍDA

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Desejo
Paixão
Amor
Maria
José
André mata José
Suicídio Maria linda
caixão
O dia
Céu azul
Todos tristes
André fuga
O tempo desliza
- Essas imagens soltas,
vagam na minha mente... Será que são recordações de um sonho?
- Talvez... Preciso
terminar o formulário. Seu nome?
- Meu nome?
- Chama-se André,
correto? Está aqui na ficha.
domingo, 11 de janeiro de 2015
POR ESTAR VIVO...

Imagem encontrada no google
- ESTOU APAIXONADO
- Por quem?
- Precisa gostar de alguém para ficar apaixonado? Estou
apaixonado por estar vivo.
sábado, 10 de janeiro de 2015
CULPA
Imagem encontrada no google
A jovem lhe olhou por
segundos no elevador; ele resolveu não entrar, sentiu sua aliança de noivado queimar
no dedo. No dia seguinte, a bela vizinha foi encontrada inerte na cama; havia
ingerido veneno. Sentiu-se culpado, será que se passasse a noite com ela,
poderia salvá-la? Desde então, resolveu não mais fugir, quando uma bela
mulher olhasse para ele.
Não está sozinha.

Há muitos pelo mundo
como você. A melancolia faz parte do nosso DNA. Às vezes, sonho que somos dois
cavalos selvagens que vagam por aí.
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