domingo, 19 de fevereiro de 2012

OLÁ, MAMÃE QUERIDA.


Sára Saudková




PREFÁCIO
Mais um conto antigo e deletado que me deu vontade de reescrever.

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- OLÁ, MAMÃE QUERIDA.



- Oi, o que quer?

- Nossa, que manifestação calorosa...

- Desculpa, é que vou para um chá beneficente. Precisa de dinheiro?

- Não... É que estava com uma ideia para fazer um novo filme e preciso de você. Pode me ouvir?

- Sim. Temos uma hora, querido.

- O roteiro que estou escrevendo, narra a história de uma senhora déspota que obriga os empregados a fazer sexo com ela. Tem uma cena em que a senhora mija no rosto do jovem jardineiro e para  que a cena fique mais impactante, o mijo tem que ser de verdade.

- Que horror, mas o que tenho haver com isso?

- Pensei que poderia ser você.

- Não sou atriz e ,se fosse, jamais faria um papel desses.

- Mãe, não seja retrógada. Eu contrataria uma professora de interpretação para você. Também, você sendo a senhora déspota, o filme teria mais  repercussão.

- Filho, desculpa. Gasto meu patrimônio para você fazer seus filmes fracassados, mas não me peça para mijar em ninguém de verdade. O que as minhas amigas irão dizer...

- Pensa com carinho, talvez você descubra outros eus fazendo este filme. Ah! Não é só o mijo que é de verdade, mas as cenas de sexo.

-Como? Está louco! As drogas queimaram sua mente.

- Para de fazer drama. Nunca entendeu minha alma de artista.

- Querido, preciso sair, pegue este dinheiro. Tchau.

- Estava mesmo precisando... Mas, estou muito chateado com você, está restringindo minha criatividade artística.

- Fala com seu analista, querido. Mais uma culpa que carregarei nas costas.
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