domingo, 26 de fevereiro de 2012

“ NÃO SE LEMBRA DE MIM?”

 



Ando pelas ruas, encontro um olhar de raiva. De repente sinto a vida fluir dentro de mim e um medo de morrer. Apresso os passos, mas ele é mais jovem. Estou cansado, quero viver e o medo me paralisa. Sento no chão, vencido.  O perseguidor para na minha frente:

- Quer ajuda?

- Não.

- Parece um trapo.

-  Sei... O que quer?

- Quero dizer que venci.

- Que bom, mas o que tenho a ver com isso?

- Não se lembra?

- Não.

- Era professor...

- Faz muito tempo.

- Você adorava chamar um aluno de burro e que seria um perdedor pelo resto da vida.

- Pois é, as coisas mudam.

- Não se lembra de mim?

-  Estou oco.

- Certo. Só quis que soubesse que venci.

- Parabéns.


O jovem foi embora e me levantei estranhamente reconfortado.

Fui marcante para alguém nesta vida. 
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