domingo, 24 de outubro de 2010

A SALVO


“Transeuntes”, de Ana Zanetti


A SALVO



Nunca gostou de violência, por isso sempre se esquivou de situações que poderiam levar a agressividade. Quando criança tinha um colega da escola que o odiava. Não sabia a razão, mas se mantinha longe. Na realidade, os meninos eram afastados dele devido ao seu jeito um pouco delicado. Entretanto, este colega era muito agressivo.
Anos se passaram, ele assumiu sua homossexualidade e vivia bem com os amigos e família. Estava feliz por encontrar a serenidade desejada e um companheiro bacana. Um dia, este colega valentão da escola esbarrou com ele na rua. Reconheceram-se de imediato. Ele fingiu que não o conhecia, não queria passar uma situação constrangedora. O outro o olhou fixamente, disse que o conhecia e o convidou para um café.
Sua vida estava tão boa e calma, não queria perder o que construíra com tanto trabalho. Emaranhou-se em ruelas e se diluiu com os transeuntes até estar seguro novamente.
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