quarta-feira, 28 de maio de 2014

Solicitação de amizade...

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"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto."
Fonte - Livro do DesassossegoAutor - Pessoa , Fernando




"Seu eu do passado quer ser seu amigo"


Desculpa, mas não quero contato contigo. Você ao saber do seu futuro, que sou eu, fará mudanças no passado e, aí, não serei mais como sou e sim outro que você quer ser. Meu instinto de sobrevivência está em alerta. O que está feito, tá feito. Tanto minhas alegrias e as cicatrizes causadas por meus erros ou desventuras fazem parte de mim. Enfim, não quero desaparecer, transformando-me em algo parecido ao ideal que você( eu antigamente) tanto almejava na época.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Outro conto antigo e ridículo



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EDUARDO: O GORDINHO FELIZ E CHARMOSO


Ninguém poderia imaginar que a maravilhosa, gostosíssima Juliana e o seu respeitável galante esposo fizessem aquele ato tão horrendo, o qual repercutiu em todos os jornais do país.
Essa história aconteceu há dez anos...

            Eduardo não era muito bonito, mas muito meigo e simpático. As pessoas o adoravam, morava com os pais e a noiva ( por sinal uma gata). A mãe e a noiva disputavam quem iria fazer os doces que ele gostava. Quando foi trabalhar no novo emprego, a chefe Juliana era muito bonita e rigorosa. Era esposa do presidente da firma, culta, achava que as pessoas tinham que cuidar do corpo e estudar, por isso, ao ver Eduardo, achou-o repugnante. Seus colegas o consideraram muito engraçado.
          Quando os pais e a noiva ligavam para o celular, para reclamar um dos outros, ele tentava apaziguar:
-          Mãe, não implica com a Marlene Maria, deixa ela fazer o brigadeiro que eu gosto.
-          Pai, não escute o rádio alto, o pessoal de casa está reclamando.
-          Marlene para de ciúmes, deixa minha mãe preparar o bolo de castanha que gosto tanto. Ah!! Você já passou aquela camisa vermelha e encontrou meus cordões de ouro, pra gente ir à gafieira? Encontrou?! Te adoro meu docinho de coco bem rechonchudo.
           A única que não achava graça era sua chefe, mas seu jeito engraçado de ser foi conquistando-a aos poucos.
            Um dia, Marlene Maria( sua noiva) quis fazer uma surpresa. Foi visitá-lo no trabalho. Ela era um pouco extravagante, usava um vestido justíssimo e estampado com flores amarelas; o decote mostrava a exuberância dos seus enormes seios. Os homens da empresa ficaram impressionados, como aquele gordinho medonho tinha uma namorada tão atraente. Até despertou a atenção do presidente da firma, esposo de Juliana.
            Bem, Juliana e o marido gostavam de apimentar a relação, convidavam outros casais para fazer swing. Ela queria ver o potência de Eduardo e o marido desejava o corpo de Marlene Maria. Conversaram sobre o assunto:
-          Você viu a noiva do gordinho escroto?
-          Não, mas disseram que era linda. O Eduardo me atrai e sei que a noiva dele também te atrai.
-          Sim, que tal nos o convidarmos, para passar esse feriado prolongado na nossa casa de praia?
-          Acho divino, nós vamos curtir bastante.

      A chefe fez a proposta para Eduardo, ele estranhou, porém ela disse que era importante para discutir uma promoção. Disse que podia levar a noiva. O rapaz levou Marlene Maria eles (pobres inocentes) à toca do lobo.
  Contudo, ao perceberem quais eram as intenções do casal anfitrião, quiseram ir embora. O presidente e sua esposa tiveram um surto:
 - Como eles não querem a gente? Nós somos bonitos, jovens e magnatas!!!
Pegaram duas espadas de samurais da coleção, que possuíam na parede da sala, para matar o outro casal. Foi uma perseguição feroz.  A casa de praia ficava numa ilha distante e incomunicável. Mas, graças a deus, Eduardo e sua noiva foram salvos por pescadores, que no momento passavam em frente da ilha. Foram direto à polícia.
     Quando os policias chegaram lá para prendê-los, o casal tinha se matado.
      Eduardo e sua família resolveram se mudar para evitar o assédio da imprensa.  Foram buscar a verdadeira felicidade e a acharam rapidamente. Ele virou um excelente dançarino de tango e escritor de romances policiais. Sua noiva e seus pais ficaram sendo seus empresários.
    Eduardo e Marlene Maria tiveram cinco filhos: Maria Lunar, Pérola Verde, Água corrente, Sol nascente e Amor Remoto.
    Enfim,  foram felizes para sempre!!!      






segunda-feira, 26 de maio de 2014

Na hora do jantar

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A mãe olha a comida e pensa no filme que assistiu ontem. Desejava viver como a protagonista: linda, rica e dividida entre dois amores.

O pai olha a comida e pensa por onde anda o melhor amigo da juventude. Eram tantas aventuras...

O filho analisa a comida e procura se há algum aliem microscópico que torna as pessoas bobas, olhando a comida como seus pais. Não quer ficar como eles.


domingo, 25 de maio de 2014

Atazanando meu juízo





- Olá! Estou fazendo um vlog, já que todo mundo está fazendo. Espera... (Mãe, que é? Tá, vou limpar o quarto, agora, dá licença? Tchau, mãe!). E aí galera?! O que fizeram esse final de semana? Fiz coisas bem bacanas, outra vez me interrompem... (Que foi Tiffany?  Pois é, adicionei sua amiga de dezoito anos que faz protestos políticos dançando nua na rua. Não podia, por quê? Ela não quer me aceitar por sou um velho de trinca e cinco anos? Como vocês, jovens, são preconceituosos. Inclusive você, sobrinha, querida. Dá licença que estou ocupado.) Agora vai... E aí galera? Estou fazendo o vlog para... (Que é pai? Tem gente na porta dizendo que estou devendo. Isso é calúnia, pai Que saco! Fala que não posso entender!). Bem gente, depois tento fazer o vlog, porque os encostos estão atazanando meu juízo! Fui!

"A VIDA COMO ELA É"


"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado."Autor - Camus , Albert



um casal beijando-se na esquina, um cachorro faz cocô na calçada, a avó que busca o neto na escola; um homem falando ao celular, o passarinho na árvore seca, uma batida de carro, briga; uma jovem com olhos fixos nas vitrines, um mendigo caminhando calmamente; o executivo apressado quase atropela uma ambulante, um senhor toma seu café sentado numa lanchonete, um corpo inerte na calçada, um bebê que nasce no meio da rua; polícia persegue bandidos, alguém corre para pegar o ônibus cheio; o sol vai se pondo, a noite vem e assim sucessivamente...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A noiva


 Grace Kelly

"Vida certinha é ficção."(Dudu Oliva)

Curtiu tanto sua festa de casamento que desejou eternizar este momento.  Às vezes, não entendia os olhares entediados do noivo, familiares e dos outros convidados. Tudo estava tão perfeito...


Na verdade só queriam outro dia, para sentir novamente o desconhecido da vida.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mistérios


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“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.”

O homem olha pela janela do ônibus, ele está à deriva porque foi demitido de seu primeiro emprego, em que estava há dez anos. Não sabia o que fazer. A jovem ao seu lado imagina como será seu primeiro dia de faculdade. As mãos estão suadas e a cabeça longe. No banco da frente, uma mulher pensa no primeiro encontro com um amante. Só conhecera o marido na intimidade. Tem impressão de se lançar ao abismo. Um senhor mais à frente está ansioso com o retorno do filho, depois de anos brigados. Pergunta-se como serão os netos e se gostarão dele. Por acaso, saltam do ônibus e, uma rápida troca de olhares, os mistérios de cada um se compartilham e não se sentem tão sozinhos. Seguem seus respectivos destinos rumo ao mistério maior, a vida.




domingo, 18 de maio de 2014

A GRANDE DEUSA!!( conto antigo, um dos meus primeiros contos)

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Em todas as cidades do mundo existiam cartazes daquela bunda. Todos os homens e mulheres a veneravam, como se fosse uma Deusa poderosa que controlava suas vidas. Programas de televisão passavam horas, mostrando beleza da pitoresca bunda em vários closes. Enfim, aquela bunda era uma paixão internacional. Mas, a origem do sucesso dela nunca foi descoberta por ninguém e as provas ficaram eternamente esquecidas.
Ela na realidade, não era uma bunda comum, possuía vida própria e tinha poderes de persuasão entre as massas populares. Esses poderes foram conquistados graças às experiências genéticas, produzidas por cientistas e cirurgiões plásticos brasileiros, que queriam produzir bundas perfeitas para atender às necessidades básicas dos brasileiros como, por exemplo, lindas bundas embelezando as praias, ruas, praças e as cidades brasileiras. As bundas geneticamente mudadas não iriam precisar praticar exercícios ou colocar silicones. Iriam ficar sempre empinadas e rígidas, bem.
Ao iniciarem as experiências, os cientistas recrutaram mulheres como voluntárias. Tudo estava indo muito bem, quando de repente um cientista errou um cálculo na dosagem de hormônio. Logo, a bunda de uma voluntária começou a crescer rapidamente. Todos os cientistas ficaram apavorados com acontecido, a voluntária foi modificando seu corpo e se transformava numa enorme bunda. A situação estava tão fora de controle, que os cientistas chamaram o exército para destruir a grande bunda e tentar conter a presença dos jornalistas, para que a população não soubesse da trágica notícia.
O exército apareceu no laboratório com vários tanques e soldados armados com AR15 para destruir a grande bunda. Mas, ela soltou odores que hipnotizaram todos em sua volta. Demorou pouco tempo para que a grande bunda dominasse todo o mundo, intitulando-se a GRANDE DEUSA. Congressos, parlamentos, forças armadas e jornais de todo globo terrestre começaram a servir aos seus prazeres mais escabrosos. Conseguiu, com sua beleza e odores, dominar cada indivíduo da face da terra. Nessa ocasião, surgiram cantores populares que desempenharam os papéis de sacerdotes para a glorificação da Grande Deusa! A Bunda Dominadora! Suas músicas doutrinaram milhares de pessoas, fazendo uma lavagem cerebral nelas. Pararam de pensar em estudar, trabalhar e refletir. Queriam reverenciar somente, a beleza e os odores da Grande Deusa!
Há resistências, principalmente intelectuais, mas estão diminuindo cada vez mais aos encantos dela.




 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

EXCLUSIVO!

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Nova lei para matar zumbis

Deverão matá-los por legítima defesa, não por crueldade. Para muitos, isto é um grande paço contra a barbárie.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Você existe?

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"Idealismo é a capacidade de ver as pessoas como poderiam ser se elas não fossem como são." Autor - Goetz , Kurt http://www.citador.pt/frases/citacoes/t/idealismo

Ele era um ótimo filho, irmão, aluno, profissional, marido e pai. Muitos diziam que era a personificação da perfeição. Sempre estava bem e sorridente. O mau humor não existia em seu vocabulário. Um dia, o filho mais novo, ao observar as atitudes do pai, perguntou-lhe se realmente existia. Ficou atônito com a pergunta e, ao se olhar no espelho, dissipou-se no ar. Mesmo todos os vestígios de sua existência desaparecer, amigos e familiares lembravam-se dele.

A mãe sabia que tinha parido um filho tão querido, o pai sentia a experiência de pegá-lo no colo, os irmãos recordavam-se da admiração e a inveja que sentiam por ele; os amigos tinham saudade do bom companheiro que ele era, o chefe nunca encontrou um funcionário tão aplicado; a mulher não quis mais nenhum homem, pois ele foi um esposo que nutria suas necessidades e os filhos se entristeciam pela falta de um pai tão dedicado.

O  filho mais novo se arrependeu de ter feito a pergunta para ele. 


domingo, 11 de maio de 2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Palavras x Ações

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O marido sempre lhe mandava mensagens de amor pelo celular e declarava sua paixão por ela nas redes sociais. Mas, o que a esposa mais queria é que ele a ajudasse com os serviços domésticos e conversasse mais com ela cara a cara, deixando de lado o celular.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Em espírito

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Dona Rosalva implicava com todos, inclusive, envenenava gatos e cachorros de rua. A única coisa que gostava era uma solitária rosa que cultiva todos os dias num pedacinho de terra, em contraste com o quintal cimentado.

Um dia, alguém cortou a flor na calada da noite. Quando acordou e viu o acontecido, sentiu uma forte dor no peito. Os vizinhos a ajudaram, levando ao médico.

Dias internada, algo curioso lhe aconteceu... Começou a ver a rosa projetada nos rostos das pessoas e até dos animais.

Sentiu um imenso amor, pois acreditava que a rosa morreu para viver em espírito.

A partir daí, tornou-se mais amigável com todos.


sábado, 3 de maio de 2014

ANTÔNIO E JUSTINO( conto antigo e reformulado)

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"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem."Autor - Proust , Marcel


Antônio brincava no quintal. Ele morava num lugar, que antes era uma senzala. Sua avó contava histórias dos tempos de escravos e de como eles sofriam nas mãos dos senhores. Não muito longe dali, havia a Casa Grande que já estava em ruínas.
Um dia, teve curiosidade de entrar casa “mal assombrada”. Subiu uma escada velha, que rangia e teve medo de desabar junto com ela. Entrou no primeiro quarto que viu. Lá, havia uma cama antiga toda comida pelos cupins e sem colchão. Antônio, com medo, decidiu ir embora. Quando estava saindo do quarto, escutou uma vós de menino: – Espere negrinho!
   Antônio assustado viu um menino com uma roupa esquisita. Tinha os cabelos cacheados e uma olhar desafiador. Antônio perguntou: – Quem é você menino? Nunca te vi mais gordo.
  O outro disse agressivamente: – Negrinho abusado!
Antônio ficou furioso: – Você tá cheio de marra. Vou embora!!
– Fica onde está!
– Quer me bater, vem logo. Vou dar uma lição.
   O menino de roupa esquisita pegou um chicote pequeno e correu para cima de Antônio, mas o chicote atravessou o corpo de Antônio sem causar nenhum arranhão.
– Bem feito! Quem manda ser metido, fantasminha.
– Vou falar com meu pai: O Conde das Serras Verdes.
– Espera aí, já ouvi falar nele. Minha avó falou que ele era um senhor muito mau.
– Ele não é malvado. É um homem forte.
– Mas, ele viveu há mais de cem anos atrás.
– Como assim, estamos em 1826.
– Não seu idiota, estamos no século 21.
  – Então, você não é um escravo?
– Não, sou livre. A princesa Isabel assinou a Lei Áurea e libertou todos os escravos negros. Você não sabia disso?
– Não.
– Qual é seu nome?
– Justino.
–  É um fantasma. Não pode estar vivo.
– Claro que não, vou chamar meu pai!
   A casa continuou silenciosa. Ele percebeu que o outro estava com razão.  Depois da briga, ficaram conversando.
    Com o passar do tempo, começaram a trocar informações sobre suas respectivas épocas. Antônio mostrou o celular, internet e o videogame. Já, o Justino mostrou seus livros prediletos e brinquedos antigos.
Antônio disse a Justino que os livros de sua época tinham uma linguagem mito difícil. Justino argumentava achar que a Internet transmitia informações com muita rapidez e ao mesmo tempo. Ele ficava com a cabeça embaralhada. Começaram a ficar amigos. Trocavam ideias e brincavam bastante.
O tempo passou e Antônio teve que viver a vida adulta. Casou e teve três filhos.  Entretanto, sempre fazia uma visita ao seu amigo e contava sobre sua mulher, filhos e depois os netos. Justino achava graça de ver o amigo crescer até ficar com os cabelos brancos. Um dia, Antônio nunca mais voltou.
Justino conheceu outros colegas que sempre o fizeram pensar que o mundo está em constante mudança. Muitas vezes, tinha medo de quando a vida humana acabasse, ficaria sozinho no mundo.


Quando aconteceu, vieram outros seres e Justino aprendeu muito com eles e ensinou sobre os seres humanos extintos. Sempre revivia a lembrança de quando encontrou Antônio, pela primeira vez. 
Sentia uma nova sensação ao conta-la, como se sempre encontrasse algo novo que lhe passasse despercebido.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

TRIUNFO

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"Não há maior vingança do que o esquecimento."Autor - Gracián y Morales , Baltasar

"A melhor vingança é um sucesso estrondoso."Autor - Sinatra , Frank

Sempre quis retornar triunfante para minha terra natal. Hoje, bem sucedido, decidi voltar. Mas, quando vi as pessoas que me atormentaram reduzidas aos seus cotidianos medíocres, os planos de vingança tornaram-se sem sentido.

Senti-me triste, pois quanto tempo e energia gastos remoendo as lembranças ruins. Onde vivi minha juventude e as pessoas que convivi, não existiam mais como imaginava.

Esvaziei-me. Peguei o primeiro avião, não havia mais sentido ficar ali.

Estava prestes a nascer de novo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Peixe fora d'água



" no espaço ninguém pode ouvir você gritar". O slogan de "Alien, o Oitavo Passageiro"

Não posso acreditar acordei numa nave espacial. Como vim parar aqui? Ao abrir os olhos, uma médica me diz que estava numa espécie de capsula por cem anos.

Meu mundo que conhecia não existia mais. Perguntei como parei ali, ela comentou que fui um voluntário-não-especialista. Revela que era uma pesquisa comportamental para ver como um indivíduo sem qualificação de astronauta reagiria às adversidades. Mas, argumentei que já se passara cem anos. Então, disse que a pesquisa é de longo prazo.

Caminho pela nave, ainda bem que tem gravidade. Odiaria ficar flutuando. Os dias se passam e a única coisa que gosto é tomar banho de banheira, olhando através da janela envidraçada o universo. Não me canso de ver, como fazia com o mar antigamente. Tudo é tão sem sentido, como parei aqui nesta nave? Sinto-me um peixe fora d'água, já que todos são super inteligentes. Fragmentos surgem, estava só e um senhor me oferece ajuda, rubriquei um papel que ele pediu par assinar.

Fui convidado para trabalhar na biblioteca, pois, muitos cientistas gostavam de ler livros concretos, organiza-os com ajuda de um robô implicante. Quer ser meu chefe e o mando ir à merda toda hora. Agora, estou aqui, escrevendo sobre o que acontece comigo.

Estou preso nessa merda desta nave e não posso voltar para casa, porque não existe mais. Também, nem sei se já tive um dia uma casa.


Completamente só no Universo, mas quando estou no banho olhando as estrelas, sinto saudade de algo que não sei o que é. As estrelas me consolam são as únicas testemunhas do meu caos íntimo. Quer saber de uma coisa, para que complicar? Viverei a realidade que estou agora, completamente perdido no espaço. Tentarei ocupar a mente, entrosar-me com este povo metido e ser mais simpático com o robô que, querendo ou não, é meu chefe. 

A vida é absurda mesmo, se procurar lógica em relação ao que acontece comigo, ficarei maluco.

domingo, 27 de abril de 2014

A DEDADA PROIBIDA( Um dos meus primeiros contos.)


* Príncipe da Pérsia


Jargo era um guerreiro, considerado como um dos mais fortes e corajosos do reino.  Era o líder da guarda do palácio, defendia a família real com toda lealdade. Morreria para protegê-los. O rei lhe tinha muita estima e os soldados também. Porém o único que nunca gostou dele era o conselheiro real. Invejava a influência que o guerreiro tinha com rei e os habitantes do reino.

O conselheiro queria encontrar ou arranjar um mal feito do guerreiro, para depois desmoralizá-lo perante todos. Procurava algo que incriminasse Jargo, mas não conseguia encontrar nada.

Até que um dia, um jovem informante transtornado veio a ele contar o que viu. Disse que vira uma cena esdrúxula, relacionada com a conduta moral do guerreiro Jargo. Começou a relatar:
 - Segui Jargo até uma casa afastada da cidade. Ele entrou na casa, fui observar, escondido para ninguém me ver. Lá esperava uma moça que parecia ser nobre. Conversaram um pouco e depois se beijaram apaixonadamente. Eles subiram ao andar de cima, esperei que uma luz aparecesse nos cômodos superiores da casa. Quando acendeu, subi numa árvore que era em frente ao cômodo em que estavam. Senhor! A cena era grotesca. Lá estava aquele homem forte, deitado de costa na cama e a moça alisando suas nádegas, penetrando seu delicado dedo naquele orifício, onde sai  impurezas do nosso corpo.  Ele gemia e pedia para ela não parar de tocá-lo.

A arma que o conselheiro queria para destruir o guerreiro estava em suas mãos. Então arquitetara um plano. O rei era um homem que pregava a pureza da alma aos cidadãos do reino e não queria no palácio, pessoas com desejos  considerados escusos. Falaria com o rei, arranjaria testemunhas, que seriam os companheiros de luta do guerreiro.

        Foi direto ao rei e relatou tudo. O rei atordoado não acreditou, mas decidiu ver se tinha algum fundamento na denúncia.  Junto com o invejoso conselheiro organizaram o flagrante.

Era uma noite calorosa, os dois amantes estavam se amando. Não perceberam que em breve teriam companhia. Jargo somente percebeu o que acontecia, quando a porta do quarta foi aberta com violência. Viu os soldados, seus companheiros, o conselheiro e o rei. No início, todos ficaram perplexos. Porém, momentos depois, todos o olharam com fúria e sarcasmo. O rei disse que estava enojado com o que vira, decidiu que os dois amantes deveriam ser punidos. O guerreiro pediu clemência à moça, mas, o rei não deu. Mandou matá-los.

Os soldados correram na direção deles, o cavaleiro teve tempo de pegar sua espada. Nu, lutou com seus oponentes, matando um a um. Pensou: - não posso deixar que a matem.

Ele pulava, dava cambalhota no ar; subia pelas paredes e lutava maravilhosamente com sua espada. Enfim, quase eliminou todos que invadiram o quarto.

Mas, um soldado o feriu em seu órgão sexual. Mesmo machucado conseguiu aniquilar todos seus inimigos. Os únicos que sobraram foram o rei e o conselheiro. Jargo iria poupá-los, porém o rei ergueu a espada. Ele rapidamente desviou e matou o soberano. O conselheiro quis fugir, Jargo jogou sua espada na direção dele, perfurando as suas costas.

A jovem ajudou Jargo no curativo do machucado, ele ficou triste porque com a ferida poderia ficar impotente. Ela para consolá-lo disse que existiam outras formas de sentir prazer. Ao término do curativo, decidiram fugir para um lugar seguro, onde ninguém os encontraria.  A moça era filha de um conde falido que foi assassinado por não poder honrar suas dívidas; sua mãe já tinha morrido. Não tinha mais nada que a prendesse naquele lugar, vivia das migalhas de um padrinho, que sempre a humilhava. A única coisa que possuía era Jargo, seu amor.


Fugiram para terras distantes e exóticas. Queriam um lugar calmo, onde pudessem se amar em paz.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O vazio invade o quarto e me acorda...


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Sinto aquele medo de criança de ser o único ser vivo no planeta. Mas, vejo um gato pulando o muro e uma coruja na árvore. Não estou só, mesmo que seja o único ser humano vivo. Existem outros animais, posso ficar com eles. Esquecer minha "humanidade", viver o instinto. Por que não? Ouço ao longe passos-vozes-carros-ônibus. O vazio deixa de ser denso e se transforma numa sensação minha. Estou com sede, vou pegar um copo d'água. Voltei, o dia clareia. Trabalhadores caminham pela rua, posso caminhar em "segurança". Às vezes, sinto-me um equilibrista que atravessa uma imensidão vazia.

ESPERANÇA(Refilmagem de uma ideia antiga)


terça-feira, 22 de abril de 2014

"Decifra-me ou devoro-te"


Édipo e a esfinge

   
 Um barulho de mensagem no celular, Anderson a leu: " Vou te devorar, por que não me decifra logo?". Apagou a mensagem e continuou a fazer o que sempre fez.

Numa manhã faltou o trabalho e todos ficaram surpresos e até ligaram para sua casa. Mas, ninguém atendeu. Até, sua mulher, Laura, não aparecera no trabalho.

Passara-se mais de vinte quatro horas e decidiram abrir a casa de Anderson.

Encontraram a esposa com uma barriga enorme e num estado de gozo profundo.

Anderson estava inconsciente em seu útero. Tiveram que fazer cesariana, já que a vagina de Laura se contraía com muita força para não libertá-lo.




segunda-feira, 21 de abril de 2014

ÚNICO DESEJO

Crédito da imagem: http://www.circulandoporcuritiba.com.br/2012/09/a-mulher-e-o-cantaro.html

A lua ilumina a estátua feminina em pleno jardim. Ela sorri para mim, mas continuo a ouvir Helena tocar piano. Passos lá fora, não sei o que sinto, meus pensamentos estão desarmônicos. Levanto-me e saio da sala. Quando chego ao jardim, vejo a estátua dançar suavemente. Vou até ela e fazemos sexo até o ápice da música que Helena toca no piano. Tudo terminado, a mulher retira a pintura prateada e vai embora. Depois, vou até Helena e a beijo longamente. Estou agradecido por ela realizar meu único desejo. Meu primeiro amor foi uma estátua, que ficava numa praça perto da casa dos meus avós. E, apesar dos anos, ela nunca saíra da minha cabeça. Até chorei, quando ela foi implodida por um louco, que se dizia traído por ela. Helena achou linda e triste a minha história e percebeu que teria muita inspiração musical ao realizar meu desejo. Realmente, tornou-se excelente pianista.


***



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Intimidade



"O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança" Gabriel García Márquez

Quando Antônio dormiu abraçado com Vanda até ao amanhecer, sentiu-se mais íntimo dela do que nas outras noites de puro sexo.

Foi seu primeiro e único amor.     

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eles




“Nunca nos devemos esquecer que nenhum homem pode fugir de si mesmo.”


Os jovens observam a senhora e o homem. Deduzem que são mãe e filho. Planejam como atacarão, vestem fantasias. Denominam-se caçadores de aventuras e esperam ansiosos as aulas da faculdade, para poderem brincar.

A senhora sente um arrepio, olha para o filho, que lê um livro. Sempre cuidou dele e desejava que aquele mal não o afligisse mais.  Ele percebe o olhar temoroso materno e diz que está tudo bem.

Barulho ao redor da casa, a senhora se assusta, mas não pelo barulho e sim aquela sombra que perpassa pelo rosto do homem. Ela pede para ter calma, mas, não a ouve. É outra pessoa. A senhora pega o celular, sem sinal. Moravam em lugar distante e, em muitas ocasiões ficavam incomunicáveis com  o mundo exterior.

O homem sai de casa. Consegue sentir a pulsação dos invasores.  Em frações de segundos, descobre onde estão e os ataca, parecendo uma fera. Depois, enterra-os nos fundos da casa.

Entra na casa e chora. A mãe o consola. Diz que precisam ir embora. Desde criança, ele tinha uma força destrutiva, principalmente, quando os outros o provocam.

 Anos procuravam um canto, onde pudessem encontrar a paz. Porém, como fugir daquilo que existia dentro do filho.



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Solidões


autoria da foto... EU


Estrada deserta, chuva e um homem caminha à deriva.

 De repente, vê uma árvore solitária.  Diz " oi!" e se assusta com a própria voz , que parecia ser de outro.

 Continua a olhar e, pela primeira vez, durante muito tempo, sentiu-se interagindo com algo.


Desejou que sua solidão se comunicasse com a solidão da árvore.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

BIRUTA


- Por que está com o rosto vermelho?

- Estou tímido e com vergonha, a lua me paquera.

- Esqueceu-se de tomar seus remédios?


- Parei, estavam me deixando biruta.