segunda-feira, 18 de julho de 2016

HELENA A GORDA

Fernando Botero



Era assim que o marido a chamava e dizia para os vizinhos que ela era horrenda de gorda. Helena aturava porque já estava acostumada desde a infância a todos zombarem dela por causa de seu peso.


Um dia, ele a abandonou e Helena ficou surpreendida de não ficar triste. Decidiu que cuidaria sozinha dos filhos e uma força surgiu dentro dela. Olhou-se no espelho e, pela primeira vez, e disse que era bela. Começou a caminhar, a diminuir a quantidade de comida e a procurar um emprego.


À medida que aprendia a se amar, os homens começaram a enxerga-la. Mas, ela não nem ligava por estar ainda encantada consigo mesma. Era vaidosa não pelos outros e sim por ela mesma. Ao emagrecer descobria curvas em seu corpo nunca antes vistos, inclusive, quando começou a comprar blusas estampadas. Todavia, almejava ser natural e não ter um corpo esculpido de academia. Ser abundante pertencia a sua individualidade.


Na alta madrugada, acostumava -se a passar cremes pelo corpo, exibia-se para o espelho e se divertia como se fosse menina. Estava no casulo, preparando-se para um novo começo.



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