terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O NOVO E O VELHO( miniconto ressuscitado)

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Meia-noite, alguém bate na porta. É um menino e diz que é o Ano novo. Quem atende é um senhor que responde ser o Ano velho. Então, o ancião deseja para o menino boa sorte e vai embora. O menino entra na casa.

PONTO DE EQUILÍBRIO( miniconto antigo)





Apesar de muitos não a perceberem, achava-se fundamental à sua família. Pois, como não tinha uma beleza esfuziante da mãe e das irmãs, não comprometia a aglomeração de admiradores que alimentava o ego de cada uma delas.

domingo, 27 de dezembro de 2015

IMPERCETÍVEL( Outra versão, última tentativa de melhorar a história.)



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Escrevo e não dá certo. Faço novamente. Desânimo e ansiedade, mas não posso desistir. Os tropeços vêm antes do salto mortal. Não posso me aborrecer com as críticas, tenho que usá-las a meu favor, para continuar minha busca. Deleto, deleto, deleto. Não tenho estilo, as ideias derramam, mas não consigo moldá-las. Mas por que continuo?  É que não só desejo me transformar em artista. Estes ensaios me salvam. Este livro é um erro e chato por ser muito descritivo. Assim nem parece literatura! Mas, tentarei revisá-lo outra vez e costurar outra roupagem. 
O livro que quero escrever é uma experiência de quem acha que pode ser um escritor um dia.  Meu Deus, que objeto não identificado é este que estou escrevendo. Parece que tem vida própria.  Chega de falar de mim. Quero falar dela...  

***

  Ele morria de sono. Acabou de escrever alguma coisa no computador.   “Meu Deus, o que foi que eu fiz?”.
Depois, deitou na cama.  A vontade de escrever um pensamento foi mais forte que o cansaço e o sono. Pegou o caderno, caneta e começou a escrever: “INSPIRAÇÃO: 3. Qualquer estímulo ao pensamento ou a atividade criadora. 6. Entusiasmo poético; estro.  7, teol. Moção divina que, segundo a crença cristã, teria sido dirigida aos autores dos livros da bíblia.”(Aurélio). 
Concluiu que Sophie é esse suspiro divino, que o atormente e o fascina.

***


***
PARTE I
Observo a moça imperceptível de longe. Antes, a via sair de casa para trabalhar, ir à faculdade e quando corria para manter a forma. Agora, vejo-a com a família. Sempre brinca com os filhos e namora o marido. Montei na parede do quarto, um painel com fotos suas em preto e branco, embaçadas de propósito. É assim que a vejo realmente. Precisa abstrair, para olhar a sua beleza. Confesso que até inventei uma fantasia erótica com ela, que nunca se concretizou...

Nunca interferi na sua vida, a espio. Quero conhecê-la e saber o que pensa. As joias que ganhava dos amantes vendia e investia nos estudos. Acreditava que se não estava prejudicando ninguém, poderia fazer o que quisesse (quiser). A vida era dela, afinal de contas. Sentia medo da loucura, é seu temor primeiro. Lembrava-se sempre dos moleques da rua onde mora que implicavam com uma mendiga louca, chamando-a de fedorenta.  Os adultos riam e alguns permitiam aquela situação degradante.

Escrevi-lhe, uma vez, um bilhete. Tive uma surpresa logo depois: “Sei que é um voyeur. Tem esse poder, sei disso. Gosto de ser observada por você, fico excitada, apesar de amar meu marido. Observa-me desde menina. Mas não ouse meter-se no meu caminho. Acabo com você, num piscar de olhos. Você conhece a minha intimidade, sem me tocar. Sabe de coisas, que nem meu marido, conhece. Isso é tão interessante e estimulante. Não é você, que sabe tudo sobre mim. Conheço toda sua vida. Sou uma voyeur, também. Quer escrever um livro sobre mim, mas tenha cuidado com que escreve...”
 Ela é humana, isso me fascina. Imoral, sensual, racional, boa filha, mãe carinhosa, apaixonada pelo marido, excelente profissional e ambiciosa.
No armário escondeu chocolates e caixas de bombons. Adorava comê-los, não repartia com ninguém. Uma vez esqueceu, por muito tempo, que tinha uma barra de chocolate no armário. Ela apodreceu. “Tanta gente passando fome e eu deixei apodrecer uma barra de chocolate no armário”.
Quando saiu com um namorado, estava sem calcinha. Ele nunca poderia imaginar que aquela moça vestida discretamente, pudesse estar sem a roupa íntima. Ao ver, ficou surpreso. Nunca mais se esqueceu da noite inesquecível, que teve com aquela moça aparentemente sem sal.
Sophie sonha sempre o mesmo pesadelo
 “Um corpo de mulher estirado num terreno baldio. De repente, aparecem vários urubus com rostos de homens barbados e com dentes enormes e afiados. Começam a devorá-lo, principalmente, as nádegas da mulher. Engraçado, desde que me entendo por gente, sempre sonhei com isso.”

Recordava-se da irmã mais velha, que morreu num acidente de carro. O velório foi muito triste. A mãe chorava muito, o pai a consolava e chorava também. Ela estava apática, seu rosto estava seco. Os vizinhos fuxicavam que ela não gostava da irmã. Todos estavam errados, ela a amava muito.

PARTE II
Eu a chamei de Sophie.   
Trabalhava como secretária num escritório, que ficava na cobertura de um dos prédios mais importantes do centro da cidade. A janela ampla mostrava toda a Baía de Guanabara. Ela pensava que esse escritório deveria ser dela  que  era mais inteligente e capaz que o chefe, Otávio Ferraz de Albuquerque, que se achava o senhor do mundo.
Quando saía com seu escolhido, abusava da sensualidade. Ninguém poderia imaginar que aquela moça aparentemente sem sal, poderia tomar atitudes tão avançadas e possuir uma volúpia tão à flor da peleUm dia, um amigo contou as “aventuras secretas”, que teve com Sophie para Otávio. Ele ficou curioso, não dava nada por ela. Começou a se insinuar e  Sophie não gostou, o chefe não era o escolhido. Ele insistia, ela dizia não. Recalcado porque uma mulher de aparência tão comum não lhe deu bola, chamou-a de vadia. Sophie apenas sorriu, disse que não tinha nada a ver com isso e o mandou pastar. O executivo ficou sem ação. Era verdade. teve força para dizer:– Saia daqui agora, vagabunda!
Ao ir embora, ela pensou: “...um dia terei um escritório igual ou melhor”.
Sophie não ficou preocupada. Pediu ajuda a um antigo amante rico, que se tornou amigo, para lhe arranjar um emprego melhor. Conheceu-o quando trabalhava como recepcionista. O primeiro encontro deles foi no elevador. Ela o olhou sensualmente e começou a passar o batom nos lábios. No primeiro momento, o homem não a tinha notado. Quando a percebeu, desejou-a ali mesmo. Tiveram alguns encontros e acabaram a relação sem brigas.
recorre a um conhecido importante em último caso. Não abusa. Mantém sempre o contato, envia cartão nas festas de finais de ano e aniversário. Acredita que é bom cultivar boas relações sociais e afetivas, rendem muitos frutos tanto profissional como pessoalmente. Ela também sempre ajuda os que precisam. Conseguiu um emprego muito melhor do que o anterior. O seu amigo ficou feliz em empregá-la. Sabia que estava fazendo um bom negócio, ela era ótima profissional.

Sophie estava muito bem financeiramente. Montou uma confeitaria, que era o sonho dos pais e comprou uma casa confortável para eles. Mas faltava-lhe alguma coisa, sentia-se ainda incompleta.



III

Meses depois se apaixonou por um rapaz humilde. Era empregado dos seus pais na confeitaria. Encontrou-o pela primeira vez quando ele foi à confeitaria para arranjar trabalho. Estava com olhar cansado por procurar emprego o dia inteiro. Sophie olhou para o rosto cansado: “Esse é o homem da minha vida”.
No início do romance ele se achava inferior. Queria até terminar o namoro para não prejudicá-la. Fugiu. Foi morar no pequeno sítio de um tio, que ficava muito longe da cidade. Ela foi atrás dele. Ajudou o rapaz, custeando seus estudos. Enfrentaram, no início, muitos preconceitos das respectivas famílias, amigos e colegas, mas depois todos perceberam que foram feitos um para o outro.

Atualmente ele é um renomado professor universitário de Sociologia e ela uma executiva de sucesso. Têm três filhos, um adotado, como ela sempre planejou. Aliás, nada saiu errado para Sophie. Eu queria ser determinado e racional como ela. Não consegui me civilizar, sou uma besta preguiçosa.

Quando nos encontramos na rua, ela me olha como se estivesse querendo me desvendar. Sinto uma mistura de medo e desejo. nos olhamos. Nunca passou disto.

****
Quando acordou, estava inspirado: “escreverei um livro”. não sabia como, estava obsessivo.

Pela janela da frente, Sophie observava o vizinho e escrevia no diário:

Apesar de ele achar que me conhece, nunca terá ideia que sou muito mais do que descreve. Esta história, na verdade, é sobre uma personagem que ele construiu, não eu. Por isso, gosto de ser imperceptível para viver na liberdade dos olhares dos outros. Realmente, em parte, está certo quando disse que eu escolho por quem quero ser notada, não perco tempo com idiotas. Assim como ele não pode saber de mim, com certeza desconheço muitos aspectos de seu caráter. Imagino e não deixo de, tambémconstruir um personagem . Às vezes, penso coisas estranhas como se fossemos reflexo um do outro. Chega de devaneios, preciso ir ao aconchego da minha família para deixar de refletir bobagens.”

***

Ultimamente, tenho um sonho estranho. Decomponho-me em palavras e estou preso no diário de Sophie. À medida que ela escreve, outras letras surgem e me torno outro. Logo, através deste sonho deixo de ser voyeur para ser observado. Amanheço assustado.  








sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

BRILHANTES

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Sempre quis fugir da escuridão e dos monstros. Um dia, viu uma joia brilhante que tornava o mundo lindo. Então, resolveu fazer de tudo para ficar rodeada de brilhantes.

Porém, através dos sonhos, a escuridão e as bestas atormentavam-na.


Ao amanhecer, ela já colocava um colar de pérolas e se olhava no espelho. O encanto dissipava a moléstia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ANTES DOS OUTROS CHEGAREM




Está parada em frente da pia e com um olhar perdido. O cunhado aparece sem camisa e coloca a mão em seu ombro. Ela estremece e suspira. Ele a abraça por traz e a moça sente o corpo forte sobre o leve tecido da camisola. Sempre gostou de ser tocada por ele. Os dois choram e o homem se retira.


A jovem fica por alguns instantes na cozinha escura e vai ao encontro da irmã, que está inerte na cama. Na varanda da sala, o marido diz ao telefone: “ Descansou”. Depois, deita ao lado da mulher falecida e da cunhada.

 Aproveitam o último momento dos três juntos, antes dos outros chegarem. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

FETICHE SECRETO

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Frederico imaginava-se um guerreiro muito forte que, depois de matar um dragão, possuía a linda-inocente-princesa-de-seios-enormes-e-nádega-arrebitada. 

Acreditava que podia fazer de tudo com ela, já que não existia de verdade. Inclusive, nem estava traindo sua esposa.

Porém, um dia, sua mulher recebeu uma carta anônima que revelava o fetiche secreto do marido. Revoltada, saiu de casa com os filhos.

Ele nunca descobriu que foi o vilão de sua história imaginada que o denunciou, por estar cansado de perder para Frederico todas às vezes, enquanto o outro regozijava os prazeres mais intensos com a linda-inocente-princesa-de-seios-enormes-e-nádega-arrebitada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

QUERIDO DIÁRIO...

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Resolvi fazê-lo porque estou desesperada com minha vida caótica. Então, tento colocar minhas ideias em ordem e me entender como indivíduo. Sigo o conselho do meu saudoso psicanalista, que foi hipnotizado pela minha mãe-bruxa-secular para ser  escravo sexual. Coitado, para se livrar dela, jogou-se de um viaduto.  

Bem, meu amigo, minha família é repleta de criatura mágicas. Meu pai é um vampiro que sempre matou meus namorados e ele tem um hábito horrível de roubar minhas roupas. Quer ser eu e isso o angustia. Por isso, qualquer homem que se aproxima de mim, meu pai o deseja e o mata. Além do mais, pedi minha mãe a lançar um feitiço para proteger meu armário. Estava ficando sem roupa.

Meu irmão é um lobisomem e meio alienígena. Como já disse, mamãe é uma bruxa ninfomaníaca. Ela aprisiona todas as espécies de machos para serem servos sexuais. O mano é um cara bacana, mas quando fica bravo, mata povoados inteiros.

Sou a única normal da família e triste por não ter nenhum amigo ou namorado. Fugi de casa e uma comunidade religiosa me acolheu. Eles me consideram muito especial e até faço parte do coro da igreja.

O guia espiritual me disse que preciso perdoar. Então, resolvi passar o natal com minha família, já que é uma época de solidariedade e perdão.

Só não levarei meu noivo por precaução. Será que estou sendo rancorosa, meu querido diário? Desejo tanto desnudar minha alma e perdoar minha família!!! 

***
Ah, meu amigo, quero lhe mostrar um poema antigo que escrevi e que minha professora de literatura me falou que era muito profundo e intenso. Coitada, ela foi assassinada pelo meu irmão, porque não quis ficar com ele.

Sou menina travessa
Mas, quando quero sou mulher sensual
Porém, posso ser fera faminta
Logo, menina- travessa-mulher-sensual-fera-faminta

E  aí? Será que sou uma poetisa, querido diário?


***
Trilha sonora do conto: 


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ENCONTRO


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Através do reflexo da bola da árvore de natal, o menino via um senhor com olhar cansado.

À medida que crescia, a projeção do senhor tornava-se mais jovem. Já muito idoso, o menino de outrora observou a bola da árvore mais uma vez. Viu que o garoto do outro lado se parecia muito com ele, quando era jovem.



A criança lhe estendeu a mão e o senhor entrou na bola, onde sempre imaginou ser um mundo mágico natalino.


***


Fiz um blog reunindo contos meus de natal antigos. Por favor deem uma olhada sem compromisso.  http://contosdenataleduardooliveira.blogspot.com.br/


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O PAI X O CARRASCO




- Meu pai me ajudava nos deveres de casa.

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- Ele me torturava todos os dias.

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- Levava-me ao cinema aos domingos.

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- Era um dos mais terríveis!

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- O que me importa é que foi um bom pai.

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- Que pena,  morreu e não pode ser mais punido. Mas, a História o condena, inclusive, o que ele representou no passado.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

“ Não estou perdida, mas achada na imensidão do mundo”

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Um dia, a menina percebeu que a bailarina da caixinha de música havia desparecido. Chorou muito, pois adorava vê-la rodopiar. Anos depois, já uma moça recebeu um cartão. Sorriu e ficou feliz pela bailarina. 

domingo, 13 de dezembro de 2015

NOITE BRAVA( texto antigo)



Espírito rebelde
Coração saindo pela boca
Pensamentos e sonhos se misturam
Quero estar com os Deuses!
As estrelas dançam para mim
Sou gigante e como carne humana
Noite brava
Não tenho medo
Sou gigante-bravo-guerreiro
Nenhuma pedra vai atingir minha testa
Vou pegar o ouro que está no fim do arco-íris
Sou movido pelo prazer
O sentimentalismo barato não me atinge
Sou mito
Começa a amanhecer
A noite brava me dá uma lambida
Vai embora
Amanhece
Acordo
Viro grão de areia outra vez

sábado, 12 de dezembro de 2015

APENAS UM DIA( conto antigo e retocado)



“A vida está cheia de uma infinidade de absurdos que nem sequer precisam de parecer verosímeis porque são verdadeiros.”

―Luigi Pirandello
Frases - http://kdfrases.com


Parecia um dia comum como qualquer outro, senti a luz do sol no rosto. Fui tomar banho e me arrumei para ir ao trabalho. De repente, percebi um silêncio, cadê todo mundo? Estou só na casa e isso é raro acontecer. Quando fui sair de casa, Foca me avançou. Achei estranho, sempre foi uma cadela mansa. Fugi e tranquei o portão. Ao caminhar, percebi olhares ameaçadores e não entendia o motivo. Um carro invadiu a calçada e veio à minha direção. A multidão gritava: " Acaba com ele!".  Desesperado, corri para casa de novo, Foca não estava mais lá. Vi meu pai na cozinha e contei o acontecido. Ele disse que ia fazer um chá de cidreira para me acalmar. Meus pensamentos estavam caóticos e me deu uma vontade descomunal de beber água. Quando fui à cozinha, vi meu pai colocando um pó estranho na xícara de chá, perguntei-lhe o que era aquilo, ele pegou uma faca e veio para cima de mim. Lutamos até eu dar uma rasteira nele e consegui pegar a faca. Novamente fui para rua e, do nada, grupos me perseguiam com porretes. Perguntava-me por me aquela gente me atacava se não fiz nada? Para fugir, entrei em vielas e dobrei esquinas que nem sabia existirem na cidade. Queria encontrar um refúgio, então, olhei uma pipa vermelha que cortava o céu como se fosse um pássaro, resolvi segui-la. Corri muito até chegar num bosque, a pipa havia sumido.  Escutei a voz de uma jovem, dizendo olá. Fiquei com medo de ser uma armadilha, mas ela me contou que aquilo acabaria logo, durava só um dia. Quis saber mais, porém argumentou que o importante era me salvar. Falou que me ajudaria, não tive escolha e me lancei ao abismo com ela. Na verdade, ela me levou ao seu chalé, que era repleto de objetos antigos e delicados. Conversamos sobre tudo e fomos nos aproximando e nem percebemos a noite surgir pela janela. Depois, transamos pela madrugada adentro. Quando amanheceu, acordei com um bilhete: "Pode ir. Só sinto desejo por homens perseguidos.". Fui embora e ninguém me atacou na cidade.  Entretanto, vi um homem ser perseguido por um monte de gente. Tomara que encontre a pipa vermelha e a moça que me ajudou.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Saiu do ninho e partiu para o mundo...


NOITE-SONHO( Conto retocado)



“Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”


“O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.
Adélia Prado

Minha pele está repleta de estrelas. Estou anoitecido. Ao longe, ouço o pessoal da vila a gritar, perseguem-me. Dizem que sou uma aberração. Não sinto ódio, pois compreendo que o desconhecido dá medo. De repente, os pensamentos e palavras se esvaziam em mim e sinto a totalidade da noite. Tenho a impressão de chegar ao divino vivo. Os gritos desaparecem. De repente, ouço os pássaros, passos apressados e barulho de buzina. Amanheci, porém, o sonho-noite ainda flui em mim.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

CÉU( CONTO PUBLICADO EM 21 de outubro de 2013)





- Lana, pare de brincar de amarelinha. Está na hora de ir à igreja.

- Ah mãe, me deixa chegar ao céu para conversar com Ele. Aprendo muito mais.

Conto inspirado no conto de uma amiga


 
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- Mamãe?!

- Que é menino? A gente tá no culto. Somos visita e não podemos fazer vexame.

- Mas, estou com dúvida. Esta igreja é do Senhor ou do Diabo?

- Claro que é do senhor, garoto!

- Então, por que só está se falando do Diabo?