terça-feira, 18 de setembro de 2012

conto antigo


Imagem encontrada na internet

“ Não sou a única desgraçada vagando neste inferno”

Madrugada. O telefone toca...

– Alô?

– Por favor não desliga!! você não me conhece eu não te conheço não sou bandido e nem do telemarketing.  Algo se quebrou na minha cabeça, quando ando escuto estilhaços nela. Por favor, não desliga!! Estou numa terra estranha convivo com muitas pessoas mas me sinto só, fugi da minha pequena cidade achava que escaparia da solidão, mas ela está nas minhas entranhas e pulsa cada vez mais forte. Uma vez, vi uma moça muito bonita na kombi senti que ela estava com medo, saltou rapidamente e a segui, meus pensamentos iam da frustração aos desejos mais sádicos; estava disposto a tudo, porém me lembrei dos meus pais e desisti das minhas intenções criminosas. Estou ficando louco, me masturbo várias vezes e como compulsivamente para preencher o vazio dolorido que sinto. Por favor não desliga!! merda!! Os créditos do celular estão acabando, resolvi me dar de presente um celular de última geração parcelei várias vezes fiquei feliz, durou pouco a felicidade, surgiu outro mais moderno. Sempre estou pra traz. Sou de momentos... O último foi que resolvi ser escritor, fiz um blog e colocava meus textos, ninguém lia. Um dia, vi um comentário e o li ansioso: “ Você escreve muito mal. Suas histórias são fragmentos desconexos de outras histórias conhecidas”. Foi um comentário anônimo, o filho da puta não se identificou. Por favor, não desliga!! O silêncio do meu quartinho de pensão é sufocante, estou ficando sem oxigênio, minhas ideias estão embaralhadas, quero morrer!! Acho que tem umas baratas dançando funk embaixo da cama, a menina da Kombi aparece, está de pernas abertas no chão escuro, diz: “ Me Coma!!! Se não te devoro”.  Por favor não desliga!! No auge do desespero, digitei números ao acaso no meu celular, não conheço ninguém. Desculpa por lhe incomodar, é que estou muito doente, não consigo dormir. Agora, que vomitei e defequei tudo que sentia, o sono está vencendo a minha insanidade. Obrigado por me escutar, juro que nunca mais lhe incomodarei. Tchau e se tiver bina e registrou o meu telefone, me liga. Quem sabe a gente pode ser amigos. Tchau, fui!!

  Laura desliga o telefone. Olha para o revólver no colo. Vai dormir um pouco aliviada. 

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