quinta-feira, 29 de agosto de 2013

De repente gritou:


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- Acordei!

Viu-se com quarenta, pai de dois filhos adolescentes e casados há vinte anos. A família assustou-se sempre fora um respeitável homem de família. Dormia por horas e quando acordou, estava bem. Voltou à rotina.

Vintes anos depois:

- Acordei!
Viu-se com sessenta anos. A mulher já estava senhora, os filhos maduros e pais de filhos crescidos.

Mais vinte anos...

- Acordei!

Viu-se com oitenta em quarto de hospital. Na janela, uma jovem sorria para ele. Foi o grande amor de sua vida e que havia morrido anos atrás.

Pela primeira vez, sentiu-se feliz por acordar e viver realmente como sempre quis.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Quando o sol da manhã ilumina o ponto de ônibus...






Surge sua sombra que é outro ponto, onde aparece a sombra do ônibus para levar minha sombra ao trabalho. Sempre me despeço dela e nos encontramos depois do expediente. À noite estamos tão cansados da rotina que nem conversamos, só ficamos fazendo companhia um para o outro.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pergunta sem resposta



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- Mãe!! O que a gente faz, quando descobre que o bicho-papão mora dentre da gente?

domingo, 25 de agosto de 2013

Clara

 
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Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que nunca mostra a ninguém.
Mark Twain( Não sei se foi o autor realmente)

Eu a encontrei em uma noite de lua cheia. Fiquei completamente apaixonado por ela. Mas, alertou-me que tinha muitos segredos. Eu a aceitei assim mesmo.

Amigos me criticam, dizem que sou tapado por não enxergar o outro lado de Clara. Faço-me de desentendido. Clara é uma ótima companheira.

Hoje, chega estranha a nossa casa e diz que alguém do passado está à espreita. Beija-me e sai. Horas depois, volta fria e tento aquecê-la com meu abraço.  

Clara diz que precisamos ir embora. Pergunto aonde vamos e responde que não sabe, mas sigo minha vontade de continuar com ela e saímos fugidos de casa.

Antes de conhecer Clara, não me via e quando a encontrei me reconheci nela. Como se fosse outra possibilidade de mim e sinto que Clara sente o mesmo comigo.


No céu, vejo a mesma lua cheia do dia que a encontrei pela primeira vez. Dirijo, enquanto Clara dorme. A luz do luar ilumina uma parte de seu rosto e a outra está imersa na escuridão. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Em outras realidades e outras redes sociais...

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Encontrei meu duplo. Apesar de sermos idênticos, há diferenças... Ele é mais sofisticado que eu e tem uma ironia inteligente. Sou mais simples, como água cristalina. Mora numa casa perto do lago e todas as terças-feiras toma chá com Machado de Assis e Clarice Lispector em frente ao lago. Na realidade em que meu duplo vive, estão vivos. Convidou-me também, mas não estou de férias do trabalho e nem sei como chegar até ele, atravessando o labirinto vertiginoso das múltiplas realidades.

***

Post ao som: 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A INTOCADA


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- Clara, quer namorar comigo?

- Antes preciso lhe revelar um segredo.

- Diga! Nada mudará o que sinto.

- É que na minha vagina existe o mundo das fadas.

- Está brincando?

- Não. Quer ver?

Mostrou e o rapaz ficou encantado. Tirou fotos, colocando nas redes sociais. As fadas faziam até pose.

Clara não gostou da história, pois foi mais um que não quis amá-la para não macular o mundo das fadas, que ficava em sua vagina.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

“ Tentar fugir de si mesmo é como tentar secar o gelo.”


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Secar o gelo é uma idiotice, mas me transporta para o ato de não pensar. É tão cômodo não sentir meu corpo e alma falando comigo. A pedrinha de gelo derrete, comprarei maiores.

domingo, 18 de agosto de 2013

CABEÇA LONGE

 


Eduardo estava no gol, mas sua cabeça viajava para lugares distantes. Nem percebeu a bola na rede. Quando viram o menino levaram um susto, pois ele estava literalmente sem cabeça. Ela só voltou de noite. 

***
Ao som: 






sábado, 17 de agosto de 2013

DESCONECTAR






Chove lá fora e percebo que alguns amigos do facebook me deletaram. O céu da madrugada chora por mim e eu tenho vontade de rir de mim mesmo. E o pior que tem uma pessoa que está me perseguindo no youtube, postei um vídeo lá e ela já negativou. Aí, começo a pensar que essa pessoa pentelha pode ser um artista famoso que morre de inveja de mim, por causa do meu talento. Coisa louca! Fui ao delírio egocêntrico e voltei para realidade. Ainda bem que sempre sei o caminho de volta.Abrirei a janela e lavarei meu rosto com as gotas geladas da chuva. Quem sabe assim, a razão volta para mim? Um abraço para quem fica, irei me desconectar agora.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Conto antigo, mudei algumas coisas...


ENCONTRO

 Sozinho na multidão observa a paisagem em movimento. Sempre quando pode, viaja ao estrangeiro para viver como um anônimo. Aproveita ao máximo essa sensação, sente-se livre. 

 De repente, olha para o lado e vê uma jovem olhando-o fixamente. Fica desapontado, decide que não cederá. A jovem se aproxima. Tenta fugir...

 – Oi. Não quero incomodar, mas sempre acompanhei suas novelas. É um excelente ator. A tevê produz um fenômeno estranho, quando aparecia na tevê lá de casa, considerava-o um amigo íntimo. Estou passando uma temporada por aqui e o que me conforta é a reprise de uma novela antiga sua. Tá tão engraçado sendo dublado... Sinto saudades de sua voz. Desculpa por importuná-lo, pode me dar um autógrafo? 

 – Sim. O seu nome?

 – Antônia.

 Ele autografou. A jovem tinha uma beleza frágil, pensou que para fazer amor com a moça precisaria ter todo o cuidado, senão poderia partir todos os ossos de seu corpo. Convidou-a para ir ao Café. 

 – Não posso. Tenho que trabalhar. Foi muito bom encontrá-lo. 


 Quis pegar endereço de Antônia, mas ela saiu rapidamente do vagão e se misturou na multidão. 

 Continuou a viajar no trem.

***

Música ao som :


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Nua




Foi à festa fantasiada, mas os convidados estavam desnudos. A fantasia que usava, espelhava sua verdadeira essência e ficou envergonhada por isso. Resolveu se despir para ficar como todo mundo, ocultando sua alma.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NA HORA DO ALMOÇO


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Quando fui ao banco, uma jovem de vestido florido me abordou e me roubou um beijo. Voltei atônito para o trabalho. Depois, soube que mesma moça havia beijado outras pessoas e se jogado do viaduto.

Meses depois, nós, as “ vítimas” da beijoqueira suicida, fizemos páginas nas redes sociais para nos encontrarmos.



Beijamos uns aos outros para nunca perder o gosto dos lábios da jovem de vestido florido.

domingo, 11 de agosto de 2013

UM HOMEM NO PORTÃO...

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Gustavo olha pela janela o estranho em frente a sua casa e vai atendê-lo:

- Bom dia, o que deseja?

- Gustavo?

- Sim...
- Não se lembra de mim, sou João Paulo. Estudei com você no ginásio.

- Estou me lembrando de vagamente, o que posso lhe ajudar? Entra.

João Paulo estava nervoso:
- Lembra-se que eu implicava muito com você?

- Bem... Coisas de criança. Nem me lembro mais.

- Como? Eu te batia e xingava todos os dias! Estou aqui, para pedir perdão.

- Perdoar? Faz tantos anos.

- Por favor, me perdoe e me livre da maldição que você rogou para mim.

- Cara, você está doido! Não joguei nenhuma maldição para você. Não estou gostando do rumo dessa conversa.

- Não se lembra mesmo? Por favor,  precisa recordar para me salvar.

Gustavo começou a puxar pela memória e foi às lembranças antigas diluídas pelo tempo. Então, veio o fragmento.  No chão, sujo de terra e sangue, Gustavo disse para João Paulo: - Nunca será feliz. Vai perder tudo que ama e vagará com um morto vivo pelas ruas.

- João Paulo, lembro-me. Estava com tanta raiva de você naquele momento. Mas, nunca quis seu mal. 

- Tudo bem, mas me perdoa?!

- Claro, sem ressentimentos.

- Me sinto leve. Preciso ir, tchau!

- Tchau!


Quando João Paulo foi embora, Gustavo se sentiu leve. Em todos esses anos, tinha a impressão de carregar um peso muito grande que não o deixava ser feliz.  

LÍVIA


Crédito da foto: http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com.br/2011/09/suburbios-cariocas.html

Fugiu com o motorista. Agora, vive numa casa do subúrbio e tem três filhos.

Não fiquei chateado por isso, mas por ter gostado de um pobre. Por que não se apaixonou pelo meu chefe, que era doido por ela? Pelo menos,  teria uma recompensa... Talvez uma promoção.


Um dia, fiquei observando-a com os filhos e o marido. Iam à igreja do bairro. Lívia transbordava felicidade, mesmo com um vestido simples. 

Nunca ficou assim comigo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"AGENCIADOR"

 
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Ele não quer, mas eu o obrigo. Sou seu senhor e não pode me desafiar. Precisa saber o seu lugar. Quando o forço a se vender, chora muito. Mas, não tenho pena, preciso de grana. Aliás, tem que me agradecer por sua existência. Sem mim, não existiria e nem teria um lugar para ficar (mora em baixo da minha cama). Sempre fica lembrando-se do passado, quando éramos crianças. Porém, os tempos são outros e não posso entrar na conversa de um amigo imaginário. Aproveito que sua forma se modifica de acordo com o desejo dos “clientes”,  para faturar muita grana. Comprei até uma cobertura no Leblon.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LAURO

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Quando nasceu, os familiares projetaram os sonhos perdidos nele. Ele aceitou carregá-los, apesar do peso. O tempo passou, Lauro começou a quebrar cadeiras e quando pisava surgiam pegadas profundas.

Um dia, andando pela rua, Lauro estava tão pesado com os sonhos alheios que de repente desapareceu na enorme cratera provocada por ele.

Foi parar em um mundo subterrâneo, onde havia outro céu e mar. Lá, os nativos o viam como era e não um receptáculo de ideais dos outros.


Pela primeira vez, sentiu-se leve.

domingo, 4 de agosto de 2013

POR ENQUANTO...


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Uma ninja me observa na janela. A lua brilha o dardo que lançará em minha direção. Tenho medo de morrer. Mas, o celular toca e ela atende. Desaparece e só vejo as cortinas ao vento. O sono vem, por enquanto estou salvo.

sábado, 3 de agosto de 2013

EMPREENDEDOR



Vivo em um mundo alegre, onde todos vivem uma vida perfeita. Sou o único que é imperfeito. Mas, o cotidiano sem problemas provoca tédio nas pessoas e elas complicam a vida para fugir do marasmo. Então, resolvi vender meus fardos por excelentes preços. Estou prosperando em meus negócios.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

NEURA?


Por esses dias, sonhei com um artista famoso. Ele posava para tirar foto e a cada flash, sua pele e carnes iam sendo retiradas até virar uma caveira. Lembrei-me de uma história, não sei se é verdade, que nos primórdios da fotografia muitas pessoas não gostavam de tirar foto, porque achavam que suas almas eram roubadas. Confesso que estou tirando muitas fotos de mim e me sinto cansado. Até um vizinho perguntou se estou doente. Bem... Vou parar um pouco de me fotografar.

Ao som


domingo, 28 de julho de 2013

CASSANDRA

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Dançava ao redor de uma enorme fogueira. Todos de seu povo estavam felizes. De repente, soldados avançaram contra eles. Desesperada com tanta selvageria, Cassandra se jogou na fogueira e se juntou às chamas dançarinas, que a colheram como irmã.

sábado, 27 de julho de 2013

CRIATURA


Filme Alien 8º Passageiro

“Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Porque isso me era tão difícil?”( Emil Sinclair, Demian)



Assiste a um filme sobre uma criatura que mata tudo que vê pela frente, que não faz por maldade, mas para sobreviver. Ela vive num mundo vivo, sem palavras. Começa a pensar que gostaria de ser que nem essa criatura, viver sem o peso da culpa. Torce para que mate todos os personagens, principalmente os “bonzinhos” com discursos prontos. Ouve alguém gritar, vai á cozinha e pega o remédio para avó. A senhora diz que seus olhos estão estranhos, ele diz que está cansado. Volta a ver o filme, depois vai dormir. Em sonhos, ele e a criatura são a mesma coisa viva...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CONFUSÃO



“Um ator de uma série famosa morreu de overdose. Fiquei curioso, por quê?  Era rico e só pegava gostosas. Resolvi falar com um amigo que era fã da série. Ele fez um vídeo falando mal de mim e colocou nas redes sociais. Disse que sou superficial, só porque quero assisti-la devido à morte do ator. Fui falar com ele que não queria ser fã, só estava curioso. Não quis falar comigo e ainda por cima, ameaçou-me com uma faca. Lutei com ele e sem querer o empurrei tão forte que ele caiu com a cabeça na quina da mesa da sala. Morreu na hora. Agora, estou fugindo da polícia. Com certeza, a mãe dele dirá que o matei por gosto. Ela quando  o viu caído, começou a gritar e a passar o sangue do filho no rosto dela, depois rasgou a blusa e chupou os próprios seios. Fiquei admirado com seus seios rígidos e exuberantes. Não tenho dinheiro, não seio o que farei. Espera um pouco, tenho um tio que mora com gnomos canibais, que habitam as profundezas da floresta amazônica. Vou para lá até a poeira baixar. “

quarta-feira, 24 de julho de 2013

INSPIRAÇÃO


Quando papai não tinha mais inspiração para escrever, saía do escritório e ficava mais tempo com a família. Eu adorava esses momentos e rezava para que a inspiração nunca retornasse. Mas, a inspiração veio desenfreada e papai foi consumido por ela. Perdi feio!

terça-feira, 23 de julho de 2013

TRAIÇÃO


Crédito da foto: http://www.icad.puc-rio.br/projetoheliofeijo/galerias.html



- Cara, dói muito ser traído. Digo por experiência própria, a dor é dilacerante. O pior é que minha namorada me traiu com meu melhor amigo. Deixa contar a história desde o início... Ela vinha dos sonhos e passávamos momentos maravilhosos. Um dia, comentando com esse meu amigo, sobre minhas aventuras eróticas com ela, pediu-me para descrevê-la. Ele era desenhista e depois de terminar o desenho, minha namorada se materializou na nossa frente, nua em pelo. Depois, beijou meu amigo na boca e eles saíram correndo. Fiquei a ver navios. Mas, aprendi uma coisa muito importante, não revelar a ninguém sobre namoradas que vêm dos sonhos, principalmente aos desenhistas.

BREVE PENSAMENTO DE MANHÃ


quinta-feira, 18 de julho de 2013

O PRIMEIRO LEITOR

 
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Sandro leu a notícia que o amigo Lúcio retornaria à cidade natal para  lançar seu novo livro. Ficou feliz com a notícia, tinha todos os livros do amigo de infância.

Quando eram pequenos, ouvia as histórias do amigo e quando Lúcio aprendeu a escrever, Sandro se transformou em seu primeiro leitor. A amizade foi rompida no final do colegial, quando Lúcio lhe disse que iria embora para dar um rumo na carreira.

“ Anos se passaram e Lúcio está aqui novamente.”, pensou eufórico. Foi à noite de autógrafo. Enfrentou fila grande para que o amigo assinasse o novo exemplar.

Quando chegou a sua vez , o outro fez gestos cordiais e mecânicos. Percebeu que Lúcio não o tinha reconhecido, agradeceu e foi embora. Não estava triste, não deixaria de ler as obras do amigo.

Na realidade, descobriu que não era de Lúcio que gostava, mas de suas histórias.


A noite estava estrelada e queria chegar logo em sua casa para ler o novo livro.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DORMINHOCO


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Todos tentavam acordá-lo para tomar café, mas ele continuar a dormir. Um dia, não mais o incomodaram.

Quando a fome veio, o dorminhoco despertou e casa estava vazia. Chamou alguns nomes e nada. Abriu a porta de casa e só havia ruínas. De repente, sentiu-se observado.

Trancou a porta e retornou para cama.

“ Quem sabe me chamam para o almoço.”

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Laura


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Olha através do espelho a tatuagem, um nebuloso labirinto de galhos e raízes em suas costas. 

 Lembrou-se que estava no metrô e não pensava nada importante, quando um homem apareceu de repente e lhe disse: - Faz tempo que a procuro.-. Laura não teve medo e começaram a conversar. Ele parecia ser tão culto, sentia-se envergonhada de não conseguir acompanhar a sabedoria dele.

Caminhavam pela cidade através dos olhos dele. Laura tinha a impressão que visitava outra cidade e não a que sempre vivera.

Em fração de segundos, tudo ficou em silêncio e o homem misterioso a beijou. Ela viajou para outros mundos de que nunca tivera conhecimento. A tatuagem, através dos lábios dele, adentrava no corpo de Laura.

Percebeu-se outra vez no metrô. Estava cansada, como se retornasse de uma longa jornada...

***
O homem misterioso caminhava feliz pela rua. Sentia o prazer de estar vazio.



Com o passar do tempo, ficou cansado de tanto saber.

terça-feira, 9 de julho de 2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

TEMPOS...

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 “Zangado, saio de casa e ando por muito tempo. Cansado, resolvo voltar. Nem me lembro do motivo de sair tão revoltado. Ao retornar, vejo meu filho um careca e com uma criança no colo. Ele se espanta quando me vê.”


“ Caramba! Este senhor usa a mesma roupa, que meu pai usava quando sumiu...”

domingo, 7 de julho de 2013

O ANFITRIÃO CONFIDENCIA AO AMIGO:


Boneca russa


- A cada dia percebo que minha essência é parecida com uma boneca russa. Quanto mais adentro, mais encontro um fragmento de mim novo e desconhecido.

 Uma garotinha entra na sala e vai ao seu encontro:


 - Papai, cadê as bonequinhas que saem de você? Quero brincar!!

sábado, 6 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Uma ideia antiga e um conto de nova versão

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“ ESTOU VIVO”

O menino de rua olha vorazmente para a vidraça de um café. De repente, vê um menino bem vestido sentado à mesa com um adulto que se assemelha a uma sombra.

Sente um peso no peito e uma tristeza já esquecida. Os olhos azuis do garoto, apesar de belos, parecem mortos.  Então ele olha para o moleque, que foge para bem longe.

O moleque chora tanto que se surpreende de ainda ter capacidade para isso.  Achava que estava seco por dentro, mas ao lembrar-se do menino, descobriu que ainda tinha vida. 

-ENGULA O CHORO, HOMEM NÃO CHORA!


Ele engoliu por vários anos até um Tsunami romper seu corpo e destruir tudo que encontrou pela frente.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Alfredo


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Nos seus tempos vagos, reproduzia quadros famosos. Tinha um que gostava bastante: Monalisa. Lembrava-se de sua mãe dizer, quando observavam o quadro: “ Você tem o mesmo riso cínico.” 

Colocou-o na sala para observar a família, que ficavam abismados de como Alfredo sabia de tudo que acontecia: As traições da mulher e a má educação dos filhos. 

Loucos de raiva, porque ele cortou os cartões de crédito, rasgaram o sorriso da réplica da Monalisa e se assustaram com tanto sangue que saía da boca.

 Do outro lado da cidade, no trabalho, Alfredo sentiu uma dilacerante dor na boca.