quinta-feira, 16 de outubro de 2014

ALEJANDRA (2007)



–Alô, sou eu Alejandra. Não adianta disfarçar a voz, observo você faz tempo, desde que acabou de ler o livro Sobre Heróis e Tumbas, tem medo que eu apareça nua e o afogue no mar obscuro e revolto. Sou a princesa-dragão e a minha enfermidade produz pesadelos terríveis em você, sou amaldiçoada. Não tem curiosidade em me conhecer profundamente? Precisa atravessar o túnel-poço-cloaca para conhecer minha diabólica e incestuosa existência. Apesar de dizer que “ ninguém merece uma Alejandra na vida real”, ficou fascinado por mim. Há obras de arte que nos marcam como gado, pior, queimam a alma. Sou uma deusa muito antiga, em minhas veias corre o sangue de povos milenares.  Como já sabe o meu nome tem nove letras que nem a minha pátria. Por favor, não fica mais escrevendo isto na agenda e falando com a primeira pessoa que encontra, não pega bem. Um leitor atencioso percebe isso e você não descobriu a pólvora, querido. Há uma fúria em mim, herdei da minha família, principalmente do meu pai. Por isso, matei-o e me entreguei às chamas, desejava acabar com círculo-vicioso-metafísico-diabólico-incestuoso que me prendia. O fogo destrói e ao mesmo tempo purifica. E aí, quer fazer a travessia do túnel-poço-cloaca?




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