Escreve algumas
anotações para tese de mestrado, paga as contas, envia uma mensagem
parabenizando uma amiga, pesquisa sobre os lançamentos de filmes e peças que
deseja assistir, vai flanando pelos sites de seus assuntos de interesse. Mas,
apesar do labirinto de turbilhão de estímulos e informações, ela continua
ansiosa para que o grande amor do passado a aceitasse como amiga na rede
social. Não conseguia entender como aquela menina romântica persistia a viver
dentro dela e a sonhar pelo amante de séculos atrás.
, “ Há os grandes escritores e uma legião de escritores menores que tentam assimilar seus estilos.”. Então eu sou da legião dos que tentam ser aspirante a escritor que digere o estilo da legião dos escritores menores, que assimila o estilo da legião dos grandes escritores. Estou bem na fita,
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
DESCULPA INCOMODAR SEU SONO...
Magritte " la magia nera"
- Oi!
- Oi! Quem é você?
- Não me reconhece? Sou eu, a gente conversa
constantemente na madrugada adentro em nossos sonhos.
- Como? Está equivocado, senhor.
- Poxa, no sonho é mais simpática. Não acredito que
não se recorde de nossos papos sobre livros, viagens e filmes...
- Senhor, se não parar de me importunar, chamarei a
polícia!
O homem a pegou pelo braço e a mulher gritou por socorro.
A polícia veio e ela deu queixa na delegacia.
Quando foi
dormir, sonhou com uma mulher igual a ela:
“ Desculpa incomodar seu sono, mas o rapaz que a
abordou é um cara legal. Quando ele a viu, pela primeira vez, criou-me. Mas, sou um ser com pensamentos próprios, não
uma marionete. Gosto dele por livre espontânea vontade. Por favor, retire a
queixa! Juro que conversarei com ele e
não vai mais incomodá-la!”.
A outra retirou a queixa, mas, não gostou de ter uma
versão igual na cabeça de um estranho. Queria ser a única e ficou tão agitada
que não conseguia mais dormir. Resolveu ligar para o homem que a incomodou em
busca respostas. No início, ele ficou com medo, mas, decidiu encontra-la.
O homem lhe revelou o que dialogavam e ela se
interessou pela sua réplica que vivia na mente dele. Começou a assimilar as
características da outra e a media que fazia isso, essa desaparecia da cabeça
do indivíduo que assustou no primeiro momento.
Com o passar do tempo, tornaram-se amantes e a outra
se acoplou nela, desaparecendo na cabeça dele.
A outra não lutou por sua existência autônoma,
chorou silenciosamente.
O GAROTO E EU
O garoto corre pela casa, lutando com
inimigos imaginados.
Eu luto com inimigos reais.
Os inimigos do menino são gigantes poderosos que quando destruídos se
desfazem em pó encantado.
Os meus são homens como eu, mulheres,
crianças idosos e doentes. Não viram pó mágico, seus corpos se amontoam nos
destroços.
O garoto luta mano a mano com uma
espada de plástico.
Eu estou a quilômetros de distância
do campo de batalha. Só aperto o botão para acionar o bombardeio.
O garoto cresce e vai para guerra
defender sua pátria. Sente-se vencedor.
Eu retorno derrotado e a culpa me
consome.
O garoto e eu somos um só universo,
juntos e misturados. Vencedor e perdedor, mocinho e vilão.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
O PERSONAGEM( miniconto escrito em 2015)
Era mais um ator que desejava sucesso na carreira. Um dia, ao abrir a porta de casa, encontrou um manuscrito empoeirado. Começou a lê-lo e se apaixonou pela história e pelo protagonista. Concluiu que aquele papel seria o divisor de águas para sua carreira.
Foi mostrar aos seus colegas e alguns que
ouviram falar da peça disseram que era maldita. Ele não ligou e se dedicou ao
máximo para produzi-la. Fez de tudo para conseguir, até ir contra aos seus
valores mais profundos.
No dia da estreia, foi impecável. Atuou como
nunca e o realismo que transmitia assustava as pessoas, parecia estar possuído.
Quando a peça terminou,
ele era outro e todos ficaram abismados, já que não o reconheciam mais.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
domingo, 9 de outubro de 2016
A VIZINHA
Nunca troquei uma palavra com ela. Mas, adorava quando ouvia aquelas músicas tranquilas que me faziam viajar.
Em muitas ocasiões, encontrava-a lendo no ônibus e procurava anotar rapidamente o título do livro. Seguia-a e consequentemente descobri um mundo
novo, repleto de bons restaurantes, livrarias, cinemas,
bibliotecas e museus.
Um dia, mudou-se e nunca mais a vi. Gostaria de ter tido oportunidade de agradecê-la por me inspirar a apreciar o que existe de belo no mundo.
***
***
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
MEDO DE SER FELIZ
René Magritte
Estou tão feliz que sinto um aperto no peito de
que algo acontecerá! A felicidade me angustia. Quando não sou feliz não sinto
medo, torno-me destemido e livre. Agora, quando ela está em mim, transformo-me
num ser mesquinho, obsessivo e obcecado. Perco minha grandeza. Pelo
menos, na melancolia, encontro a serenidade e a reflexão. Sei que isto é sem
sentido, não quero que me entenda. Só me abrace e me faça esquecer-se do medo
de ser feliz.
Ela o abraçou e disse que ficariam juntos. Era uma
feiticeira e lançou um encanto nele, com a intenção de não perceber que
estavam prestes a serem enforcados.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
A ONDA
La Vague (A Onda), de Camille Claudel
Vem e destrói tudo
que se construiu anos. Sua irracionalidade ancestral assusta. Aparece, de
repente, num dia tranquilo em que você passeia devagar a olhar as belezas
muitas vezes ocultas pelo cotidiano e ela vem, engolindo-o. Não tem para
onde fugir, pois se esparrama violentamente e os destroços viram armas fatais.
Depois de tudo terminado, surge a calmaria. Vai embora, aparentemente, na
verdade, está adormecida em algum lugar ou até dentro da gente.
Até um dia acordar... Pode demorar eras e anos, porém, sempre desperta.
Até um dia acordar... Pode demorar eras e anos, porém, sempre desperta.
Vejam a
História para perceber isso.
domingo, 18 de setembro de 2016
REFLEXO( Última revisão, por enquanto)
SEGURAVA A PEQUENA MALA COM FORÇA...
E mesmo que não tivesse
muita coisa, Laura sentia orgulho ao carregar as fotos dos pais falecidos, da
tia que a criou com muita disciplina para ser tornar uma mulher de bem, os
livros de pedagogia e a bíblia. Era professora e havia recebido uma proposta de
emprego para ser governanta.
Laura teve um breve
arrepio, quando chegou à mansão centenária, mas, manteve a postura severa ao se
apresentar aos empregados e ao seu futuro aluno, Antônio, um rapaz pálido de quatorze
anos.
Laura achou-o estranho,
um menino com postura de homem maduro. Os primeiros dias foram tranquilos,
Antônio parecia ser muito educado. Entretanto, um dia, ele falou sobre a antiga
governanta que havia se suicidado. Contou que havia boatos sobre o desespero
por estar grávida. Laura não entendeu, inclusive, a malícia quando ele disse
que a moça só vivia na mansão e nunca fora vista com ninguém.
Depois, Antônio lhe deu um livro com recomendação
enfática para que o lesse. Laura só lia livros da área de educação e ao pegar o
aquele considerou o título estranho: A VOLTA DO PARAFUSO. Considerou o título
estranho e até pesquisou sobre seu significado. Além das informações sobre a
obra literária, descobriu que havia muitas adaptações da história para o
cinema.
Os momentos, antes serenos, se tornaram opressores. Laura à medida que lia o livro percebia que aconteciam situações semelhantes. O título do livro começou a ficar claro para ela. A expressão "dar uma volta no parafuso ou em parafusos" refere-se ajustar uma máquina - ou um instrumento de tortura - de modo que ela opere de forma mais rápida ou mais eficaz. Figurativamente, a frase refere-se a fazer algo mais intenso ou doloroso. Realmente, à medida que a narrativa do romance se aprofundava, Laura passava por este processo, principalmente, por se sentir impotente para salvar Antônio de algo que não sabia direito.
Tinha a impressão de que a história era um espelho. Ela e a governanta do romance eram a mesma pessoa. Antônio tornava-se cada vez mais estranho e sedutor. Tocava Laura de leve e a olhava fixamente. Questionou sobre a mansão ser assombrada, já que quando o sol mudava de posição, a luz e as sombras dos recintos produziam formas melancólicas e sugestivas. Pensou na antiga governanta e em quem a teria engravidado realmente. Perguntou aos antigos empregados que respondiam por meias palavras e se esquivavam apressados.
Uma vez, sentiu alguém beijá-la na alta madrugada, mas só viu um vulto
na esquina do corredor. Será que aconteceu ou foi fruto da sua imaginação? Em uma tarde,
flagrou uma jovem emprega a sair apressada do quarto de Antônio e ela estava
meio decomposta. Quando Laura entrou no aposento, o
rapaz estava a ouvir música e a torturar uma borboleta, colocou-a em um
recipiente sem oxigênio e assistiu prazerosamente ao inseto agonizar. Às
vezes, quando nadava na piscina, sorria-lhe e Laura incomodava-se e se refugiava
nos ensinamentos da tia.
Devorava o livro e, depois de terminá-lo, concluiu que deveria salvar Antônio, que parecia estar sendo dominado pela historia da antiga governanta. Decidiu confrontá-lo. Antônio riu dela e disse ser tudo fruto da imaginação de uma solteirona que não conhecera nada da vida. Laura foi arrumar suas coisas para ir-se. De repente, sentiu uma presença e viu um vulto de mulher na janela. Quase gritou, mas manteve a calma.
Devorava o livro e, depois de terminá-lo, concluiu que deveria salvar Antônio, que parecia estar sendo dominado pela historia da antiga governanta. Decidiu confrontá-lo. Antônio riu dela e disse ser tudo fruto da imaginação de uma solteirona que não conhecera nada da vida. Laura foi arrumar suas coisas para ir-se. De repente, sentiu uma presença e viu um vulto de mulher na janela. Quase gritou, mas manteve a calma.
O taxi que tinha chamado
já estava à espera. Dias depois, na casa da tia, viu no noticiário que a mansão
pegara fogo inexplicavelmente, matando Antônio que não conseguira fugir. Ficou
perplexa e triste por não poder salvar o menino.
Quando foi ao quarto,
encontrou o livro sobre a cama e a foto queimada de Antônio.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
O DESTEMIDO
Imagem encontrada no google
Em outros tempos existia um rei benevolente com
seu povo e terrível com os inimigos. Um dia, um invasor entrou no palácio
e matou o escriba que registrava os feitos do monarca. Todos ficaram surpresos
e questionaram o motivo, já que todos consideram a alteza um alvo
perfeito. O assassino confessou, mas, seu depoimento nunca foi ao público:
- O rei só é um homem, quis terminar com a fonte
da lenda. O escriba é que construiu o fabuloso personagem do rei, com sua
narrativa atraente e o dom que tinha com as palavras. Ele não só relatava os
acontecimentos, pelo contrário, transformava-o em mito.
O matador foi decapitado, enquanto o rei perdeu
sua grandeza, pois, nunca encontrou um escriba à altura do morto.
VULNERÁVEL
A princesa ficava horas à beira da janela da torre
mais alta. Ouvia música e conversava com vários amigos de suas redes sociais. O
dragão que guardava o castelo devorava os príncipes que tentavam salvá-la.
Entretanto, a fera não conseguia protegê-la dos
sapos que faziam perfis falsos de príncipes encantadores pelas redes sociais e os
quais brincavam com os sentimentos dela, tornando-a cada vez mais vulnerável.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
CONTO-CRÔNICA-BIOGRAFIA
Eduardo, quando deu por
si, descobriu que tinha uma ambiguidade complexa em seu ser. Tinha sensibilidade
de artista, mas, não possuía talento. Sua vida se resumia a procurar uma forma
de expressão. Esta busca foi uma travessia de vários ensaios na escrita, em
fazer vídeos e a fotografar.
Atualmente, com o desenvolvimento
da tecnologia, surgiram os smartphones com suas ferramentas e aplicativos que
ajudavam há melhorar um pouco a foto. Eduardo passava horas a editar seus instantâneos,
brincando de ser artista. Sem restrições, colocava um monte filtros de edição
de imagem nelas. Não tinha noção nenhuma de equilíbrio das cores.
Com o tempo, fotografar
com o celular foi a mais nova e breve obsessão de Eduardo( acumulou breves obsessões
ao decorrer das estações, eu que eu diga.).
Porém, esta mania podia
ser perigosa, já que havia a possibilidade de o considerarem bisbilhoteiro. Na
verdade, Eduardo desejava capturar a beleza escondida no cotidiano. Sua mente
se expandia para encontra-la, enquanto a câmera do telefone não acompanhava. Até
ficava desaminado de não conseguir descobrir algo interessante.
Um dia, no shopping,
viu uma manequim na vitrine e clicou. Depois, recortou para focar o rosto e
utilizou o aplicativo que transformava a foto em desenho.
Teve uma crise de
identidade, sentiu-se fingidor e não queria mostrar ser o que não era. Começou
a construir um manifesto para ele, com a finalidade de se justificar.
Concluiu que era um
pseudoartista e sua pseudoarte o ajudava a enxergar o mundo em vivia e a si
mesmo.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
MEU LAR
- Oi, desculpa de incomodar esta hora da noite, recorda-se de mim? Estou diferente, né? Preciso de um lugar para descansar, posso ficar por aqui? Juro que vou embora rápido, só necessito repousar um pouco. Pode deixar que não virei uma pessoa má. Lembra-se àquele rapaz megalomaníaco que você conheceu, não existe mais. O que restou fui eu, seu cadáver que vaga na imensidão do mundo. Meu estômago ronca que nem um velho, pode me dar alguma coisa pra comer? Como preciso descansar, deixa-me ficar, por favor. Espera, não te conheço! Mas, esta era a casa! Merda, a pessoa que conhecia não mora mais aqui. Pensei que retornando não estaria mais perdido, entretanto, este não é mais meu lugar, também. Sou um apátrida e ruínas do que fui um dia. Não precisa chamar a polícia, estou indo. Ainda bem que me sobrou foram as recordações, aliás, a memória pode ser meu lar, depois de tantos anos.
domingo, 4 de setembro de 2016
SAYACA SUKINO...
Estava
homogeneizada com a multidão no trem, todavia os sentimentos urravam. Descobriu
que Yukito(um colega de turma e seu amor platônico) transformava-se na
guerreira galáctica Diana, que salvava Tóquio de todos os perigos.
Um dia, viu-o no
terraço da escola, seu corpo magro se metamorfosear em uma mulher máscula
vestida com pouca roupa.
A revelação
aumentou ainda mais atração da jovem pelo amado. Ainda absorta em seus
pensamentos, Sayaca Sukino nem poderia imaginar que num outro canto da cidade,
Diana/Yukito luta com um monstro pontiagudo e devorador de moças inocentes. Ele
lhe atingiu gravemente, com sua gosma branca ácida estelar...
NÃO PERCAM O
PRÓXIMO EPISÓDIO DE DIANA, O MENINO-AMAZONA
***
Quero esclarecer
que não tirei a foto e nem desenhei, reeditei a imagem para ilustrar um conto
antigo meu.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
POR MILÊNIOS
Imagem encontrada no google
Não conseguia se olhar no espelho e a cada século que passava, aumentava sua depressão. Tornou-se um predador terrível que atacava suas vítimas na calada da noite. Porém, andando sozinho, resolveu caminhar pela madrugada cada vez iluminada e viu um monte de pessoas tirando selfies com seus celulares nos bares. Achou esta atitude interessante e resolveu comprar este "aparelho estranho".
Quando a mercadoria veio, descobriu seus mistérios e começou a se fotografar. Assustou-se a se ver e continuou a tirar selfies.
De repente, tornou-se mais humano.
sábado, 27 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
DEPOIMENTO
De um tempo pra cá, descobri um mal na minha vida que tenho vergonha de dizer. Fiquei em segredo por muito tempo, com medo dos outros me julgarem. Confesso que me escondia na cama e chorava muito!
Então, um dia, fui a uma igreja e ela me curou deste flagelo. Agora, revelarei meu segredo!
Depois de ser abençoado, faz 24 horas que não tiro SELFIE e como estou feliz! Toda hora eu clicava selfies, até fazendo as necessidades fisiológicas. Sabe, eu não curtia o momento e almejava só registra-lo para depois compartilhar nas redes sociais. Não estava mais a assimilar as coisas, minhas atitudes eram automáticas e quando percebia meu celular estava lotado de selfies, em quanto minha mente, oca.
Bem, espero ajudar outras pessoas que sofrem desta mesma mazela ao ouvirem meu depoimento. Não se desesperem, pois, o milagre sempre acontece e a compulsão por selfies será substituída por momentos mais introspectivos, que promovem a verdadeira conectividade entre os indivíduos.
#curaselfie
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
sábado, 20 de agosto de 2016
SOLTANDO AS FERAS
Crédito da foto: http://downloads.open4group.com/wallpapers/1024x768/mulher-sensual-dancando-13480.html
Quando terminou de dançar, percebeu que
só havia morte. As feras retornaram para ela, saciadas.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
terça-feira, 16 de agosto de 2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
FANTASIA CORRENDO SOLTO
Quero tirar foto, mas tenho receio que alguém
implique comigo, por achar que estou sendo "paparazzi" de anônimos.
Mantenho o vidro fechado e através da sujeira de poeira clico em um móvel
artesanal. Depois, de ver a foto, imagino um tempo antigo, onde os dias eram
lentos e pareciam intermináveis. Aí, invento uma jovem a se pentear e a se
olhar ao espelho à espera de um príncipe, o qual só habitava em seus sonhos.
sábado, 13 de agosto de 2016
ROSTO-ABISMO

Imagem encontrada no google
Quem via sua selfie nas redes sociais, caia literalmente de um
precipício. Entretanto, mesmo acumulando várias pessoas dentro de si, o homem do
rosto-abismo ainda se sentia vazio e solitário. Atravessava alta madrugada a
adicionar pessoas em suas redes sociais e a fome aumentava até transcender sua
existência.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
ESTOU CANSADO DE SENTIR MEDO
Sinto que vão invadir a casa a qualquer momento, mesmo fechando as janelas e as portas, diferentes sons entram pelas frestas e as vidraças vibram. A cada ano que passa, eles dominam cada vez o espaço e sinto saudade do tempo de criança que não volta: dias longos e serenos. Hoje, tudo é rápido demais. O cachorro rosna, será alguém a caminhar no quintal? Lembro-me que li um conto de um escritor argentino (qual será o nome dele mesmo?), recordo, Júlio Cortázar(Agora, o título do conto?). Deixa procurar no google ... Achei, Casa tomada narra a história de dois irmãos solteiros que vivem numa casa ampla, espaçosa, velha e cheia de lembranças dos seus antepassados. O protagonista é quem narra a história dele e sua irmã, Irene. Meu Deus, como este conto me assombra, principalmente, por experimentar um caso semelhante. Lógico que vivo num contexto completamente diferente, mas, a sensação de meu mundo particular ser tomado por um turbilhão lá fora é angustiante do mesmo jeito. Até, tive um sonho( ou será que foi um miniconto que escrevi há anos?) de ser um passarinho fugido da gaiola e que foi devorado por um gato, entretanto, vi pelos olhos do felino a visão do céu infinito. Talvez, se for embora para uma mata fechada e ter um encontro com uma onça, veja no reflexo de seus olhos meu paraíso, o retorno do tempo perdido. O cão late sem parar, olho pela janela e vejo um gato enorme a olhar fixamente para mim. Ouço passos estranhos pela casa e, de repente, sinto que a casa está parecida da qual quando era criança. Tenho a impressão de escutar meus pais me chamando ao longe.
sábado, 6 de agosto de 2016
“PINTINHO”
Imagem encontrada no google
Mantinha uma relação profunda de amizade com
seu pênis e considerava que todas as mulheres eram um objeto para seu desejo
sexual. Porém, algumas vezes, sonhava com uma vizinha bem mais velha que
cuidava dele, quando era menino. Às vezes, os pais precisavam sair e o deixavam
com a caridosa e simpática senhora. Ela tirava a calcinha e exibia a vagina
para ele, dizendo que iria devorar seu " pintinho". Acordava
assustado e com as mãos protegendo-o.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
SEU GAROTO
Foto de Jan Saudek - the motherhood
O fazendeiro viu o filho de quinze anos a chupar o seio da ama de leite.
Ficou feliz ao descobrir que seu garoto virou homem, apesar do estado em que
se encontrava. Na verdade, enxergou o que desejava.
O jovem se aconchegou no colo de sua ama de leite, para esperar a morte
que se aproximava.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
ASSOMBROS
Imagem encontrada pelo google
Acordava por causa
dos pesadelos e o tio sempre aparecia para acalmá-lo. Passou a infância
atemorizado com os monstros dos sonhos e o tio ao seu lado lhe amparando. Anos
depois, o senhor revelou ao sobrinho que os bichos-papões o perseguiam e quando
corria para cama do menino, iam embora.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
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