sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

CONTO ANTIGO

romantismo Dia dos Namorados: Filmes Românticos para Assistir Juntos
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ACORDO COM UM GRITO ABAFADO...

Não sei onde estou? Mais uma noite de bebedeira e de orgias. O grito está mais forte. Vou para um quarto e abro o closet.

- Cara que bom que você me soltou. Vamo embora, antes que Antônio apareça. Ele disse que vai me matar e você, por vomitar no tapete da avó dele.

Não estou raciocinando direito, a mulher fica gritando. De repente, chega um homem com uma peixeira na mão e diz que vai nos matar. Pego um vaso para jogar em cima dele.

- Não, por favor, este vaso foi presente de minha tia Gertrudes Patrícia.

- Então, porra, deixa a gente sair.

- Vai levar esta vagabunda, ela vai te chifrar com um monte de homem.

- Eu nunca te traí com homem nenhum. Quero ser freira.

- Como?

- Sim. Não quero mais você e nenhum homem. Quero seguir minha vocação, servir a Deus.

- Se não deixar a gente sair, vou arrebentar este vazo.

O homem nos deixou ir. Pegamos um ônibus vazio, apenas umas três pessoas no transporte coletivo. Ela morava perto de casa. Um caminhão ultrapassa o sinal e joga o ônibus do Viaduto. Das cinco pessoas no veículo, só eu sobrevivi. Fiquei internado por alguns dias. Não recebi nenhuma visita. Todos da minha pequena família morreram. 

Deprimido, tentei viajar clandestinamente para os EUA. Juntei todo o dinheiro de economias de anos, da casinha do subúrbio dos meus pais mortos e desviei algum do meu antigo chefe. Paguei os coiotes para me atravessar o deserto e o rio. Mas, na correria, torci o pé e fui pego pela polícia.

Fui deportado. Arranjei alguns bicos. Aluguei um quarto. Numa noite, quando fui mijar, escutei um ruído na banheira velha, eram quatro ratazanas cruzando. Pequei uma faca grande, mas quando avancei, pularam entre as minhas pernas e gritei de susto. Tenho pavor de ratos, principalmente, ratazanas.

Será que um dia vou ser feliz? Puta que pariu, que frase clichê. Vago pela cidade. Encontro uma moça muito bonita. Para onde ela está indo? Sigo-a. Ela vai para um Sebo. Deve gostar de ler, comprou um monte de livros. Disfarcei e a segui. Duas horas depois, vejo que ela mora no Bairro dos Surdos das Colinas Verdejantes. Eu a amo, como vou me aproximar dela. Sinto que não posso deixar a oportunidade de ser feliz me escapar outra vez. Com um pouco de dinheiro, fiz um curso para aprender a linguagem dos sinais e assimilei o jeito dos surdos e mudos, que encontrava pela frente. Aluguei um quarto de pensão, em frente à casa da moça que estou apaixonado.

O plano é me fingir de surdo e mudo. Sei lá, talvez tenha mais confiança em mim. Quando falei com ela, me respondeu com sinais:

- Você não é como eu. Eu te conheço faz tempo. Sei que me segue e aprendeu a linguagem dos sinais por minha causa. Seu bobo, não precisava fingir. Meu nome é Jéssica Marina.

Meses depois, casamos e tivemos três filhos. Finalmente, consegui ficar em paz e ter um lar. Não sei se este final ficou bom, mas quero ter um bom clichê final feliz dos antigos filmes românticos americanos:


THE END

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012




QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Fui comprar pão na padaria. Quando caminhava, um grupo me cercou, dizendo que meus vídeos e textos eram péssimos. Saio correndo. Estão atrás de mim me xingando. Vejo uma anã fantasiada de Mulher-maravilha, peço-lhe ajuda. A baixinha pega uma arma e começa a atirar, soltando gargalhadas estranhas. Os valentões se transformam literalmente em gazelas aladas e purpurinadas, depois, voam para o céu. Agradeço e volto para casa com dor de cabeça. As pessoas estão muito loucas hoje em dia.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012



Atriz Ângela Vieira, que não tem nada a ver com atriz do meu conto.




- FAÇO QUALQUER COISA PARA TER O PAPEL. DAREI TUDO DE MIM.


- Qualquer coisa?


- Sim.


- Está bem, cheira meu pé.


- Como?


- Cheira meu pé e diga que tem o aroma de rosas.


- É isso que você quer eu faça?


- Também diga que meu pé é apaixonante e que não consegue deixar de cheirá-lo. Meus pés são fantásticos.


- Serei a sacerdotisa deles.


- Ok.


***
JORNAL FOLHA DA TARDE

Atriz corta pés de diretor e tenta fugir de policiais. Quando foi presa, disse que era a sacerdotisa que protege os pés sagrados. 




- Tudo muda.


- Como assim?


- O quê?


- Fale logo!


- O quê?


- O que quer dizer.


- Só falei por falar. Por que pra você, tudo tem que ter um motivo?


- Tá certo. Vou ver filme.


- Tudo muda.-. Pega algo da sacola. Tiros. Vai embora com o mesmo pensamento: “Tudo muda.”

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


 



APROPRIAÇÃO


- Que música é essa?


- É da minha mãe. Ela adora ouvi-la.

Crédito da imagem: http://www.viceland.com/blogs/pt/2011/07/20/passatempo-milhoes-de-campainhas/





-OI...


- Entra.


- Como está?


- Bem e você?


- Cansado e com fome.


- Toma um banho, preparo uma comida.


- Está satisfeito de me ver assim?


- Triste.


- Quero tomar banho mesmo. Obrigado.


- Vou ver o que tem para cozinhar.


- Não ficarei muito tempo...


- Fique o tempo necessário.


- Você e sua bondade...


- Não começa. Vai tomar banho. Acho que tem bife na geladeira.

CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.corposaun.com/celulas-sangue-menstrual-celulas-tronco/17349/


INTERPRETAÇÕEs


Filho: Sonhei que um vampiro te sugava e quando fui empurrá-lo, era eu.


Mãe: Será que sua anemia aumentou. Marcarei médico.


Avó: Calma, filha, você tinha o mesmo sonho comigo. Os filhos sempre sugam algo dos pais, faz parte da natureza.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

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Fúria

A madrugada adentra e a ira me envenena. Mas, ao escrever fico mais calmo. Meus olhos estão voltando ao normal e os dentes diminuem. As unhas não são mais garras. O turbilhão de sentimentos dá lugar aos pensamentos. Escrever me salva. Abro a janela, não tem mais perigo. Pronto, tudo está bem. Agora, apertarei o delete. Pronto! Página em branco, como se nada tivesse acontecido.



Imagem retirada na internet




- Mamãe, tá saindo um monte de gente da cabeça do papai, de novo.


- Seu pai e os personagens dele...



Imagem retirada na internet

PREFÁCIO

Mais um conto antigo, cuidado para não espirrarem. Esse é do fundo do baú.

***

SEGUNDA OPÇÃO NUNCA MAIS!!!!!

“ Meu Deus, por que eles fizeram isso comigo? Eu os adoro tanto, até mais que a minha própria vida e família. Desgraçados, vou matá-los. Mas e a minha monografia, tenho que terminá-la logo, para me preparar melhor no mestrado do período que vem. Filhos da puta.”

Ronaldo estava na kombi. Pegava esse mesmo transporte para ir ao estágio e à faculdade, que eram muito longe de onde morava. Vivia o dia inteiro fora de casa.

Trabalhava com o professor e orientador de sua monografia. Foi segunda opção. Um outro aluno não aceitou a proposta de estágio, por ter arranjado coisa melhor. Ronaldo era esforçado, fazia de tudo para agradar o professor, mas este nunca o elogiava. Só dizia que seus trabalhos eram fracos e que tinha que melhorar bastante. Sempre mandava Ronaldo refazer tudo de novo.

Ana, a namorada, no início era apaixonada por outro rapaz, só que ele já tinha uma outra. Ronaldo, que sempre gostou dela, consolou-a. Logo, foi à segunda alternativa outra vez. Ele não se importava com esta situação, queria ser feliz. Desde criança vivia a mesma coisa. Era sempre o reserva nas partidas de futebol na rua, onde morava, e até o cachorro, que ganhou de presente de aniversário, primeiro fazia festinha em qualquer um que chagasse com Ronaldo, depois era que brincava com o seu dono.

Um dia, Ronaldo ficou desesperado porque o seu computador havia quebrado. Pediu para usar o de Ana. Ela relutou um pouco, mas vendo o desespero do namorado resolveu deixar, deixando-o sozinho, tinha compromisso. Ronaldo digitava o trabalho, bem concentrado, quando o telefone do quarto de Ana tocou. Estava tão absorto que não prestou atenção. Após alguns toques, a secretária eletrônica atendeu. Uma voz conhecida começou a falar. Essa voz é do meu professor, pensou Ronaldo.

 - Ana, você esta aí? Vamos nos encontrar de novo?

 “Não acredito!! Meu professor orientador e minha namorada tendo um caso!! Vou matá-los!”. Não quis saber mais de nenhum de trabalho, quis vingança. As pessoas que ele mais admirava estavam de sacanagem com ele: “Ela é uma ratinha no cio. Ele é um idiota que só vive do passado. Para ele, a década de 70 ainda não passou. Se acha o máximo só porque lutou contra a ditadura, fez orgias sexuais e foi para Cuba, exilado. Mas, isso não quer dizer que seja melhor do que eu, nem a sua geração melhor que a minha!!”.

Traído e revoltado teve um plano, iria matá-los.  Passado algumas semanas, seguiu a namorada até o apartamento do professor, gastou tudo que tinha, pediu um empréstimo aos seus pais, que deram muito a contra gosto e roubou a metade do salário da empregada. Tudo isso para subornar o porteiro e entrar no apartamento escondido.

Conseguiu entrar. Foi direto ao armário do quarto esconder-se. Ronaldo ficou admirado com a performance do professor. “Como ele faz tudo isso? Quero aprender também, que disposição, é mais velho do que eu e tem muita energia!! Ele é inteligente, intelectual e bom de cama, desgraçado!! Tanta perfeição me enoja. Com esta faca que estou segurando, vou acabar com toda essa personificação da perfeição!!”.

Depois do casal fazer quase todas as posições do Kamasutra, Ronaldo, que tudo assistia, se preparava, com a faca na mão, para vingar-se desses “traidores nojentos”. Contudo, o casal de amantes começou a conversar, alguns assuntos triviais, até começarem a falar de Ronaldo. Ele ficou inibido em atacá-los.

- Ronaldo é um cara legal. Gosto dele, apesar de ser um pouco limitado – disse a Ana.

- Está até melhorando na escrita. Mas ainda está muito ruim.

- Eu falo para ele ler mais. Até tenta, mas lê um minuto e já dorme esgotado. Só consegue ler um livro por ano. Eu disse que deveria ler pelo menos seis livros por ano.

- Você não está sendo muito exigente?

- Eu sou assim, não gosto de mediocridade.

- Ele vai conseguir melhorar, para ser uma pessoa tão culta quanto a gente.

- Tomara que sim, outro dia peguei um filme do Bergman e ele simplesmente dormiu, e até babou, molhando todo o meu ombro.

- Puxa, Bergman é divino!

- Mas, ele gosta de filmes do Spilberg e possui uma coleção dos livros do Sidney Sheldon. Fazer o quê, né...

- Não acredito! Precisamos queimar esta coleção para salvar a intelectualidade que está nascendo naquela pobre cabecinha!

- Vamos fazer isso!

Ronaldo ficou apavorado; “Não! Minha coleção de Sidney Sheldon, nem pensar!”. Saiu do armário e disse:

- Sei que vocês gostam de mim. Querem me salvar da alienação e do mau gosto. Posso até permitir que vocês controlem a minha vida, mas não vou deixar que vocês destruam a minha coleção do Sidney Sheldon, herança da minha falecida avó Marinalda.– foi embora.
Ana e o professor ficaram chateados. Não conseguiram iluminar a mente de Ronaldo.

Pela primeira vez quis encontrar o seu caminho, sem interferência de ninguém. Não sabia o que ia fazer, porém desejava ser ele mesmo e não o que os outros diziam para ser. Chegou a sua casa, subiu na laje e gritou bem alto: - SEGUNDA OPÇÃO NUNCA MAIS!!!.

Os vizinhos olharam assustados, achando que Ronaldo ficara louco. Dona Creuza, uma senhora bem idosa disse para uma colega sua: – Minha filha, esses jovens universitários é tudo maconheiro. Deve ser que o filho da Maria Augusta fumou tanto, que agora tá louquinho da silva.

E assim o dia terminou e uma nova fofoca para se comentar na rua chamada Sossego.


Em tempos de carnavais...


fantasia-se de zumbi e ataca as pessoas bêbadas e desacordadas para comer os miolos.




Crédito da imagem: http://joseeduardomattos.com.br/feminino%20e%20masculino.html


No carnaval:




- Torno-me ela.


- Torno-me ele.


O casal na quarta-feira de cinzas: "SOMOS UM."



domingo, 19 de fevereiro de 2012


Crédito da image: http://seboeacervo.blogspot.com/2011/02/maquiagem-de-filmes-de-terror.html#axzz1ms3xTtv1


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No bloco, fui conversar com uma pessoa maquiada de monstro. Ela me revelou: " É meu rosto verdadeiro, por isso só saio no carnaval."

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Uma senhora na cama diz: "Vem, queridinho da vovó.". Memória embaralhada e me vejo esganando-a. Fujo do quarto e me junto ao bloco da rua.

OLÁ, MAMÃE QUERIDA.


Sára Saudková




PREFÁCIO
Mais um conto antigo e deletado que me deu vontade de reescrever.

****


- OLÁ, MAMÃE QUERIDA.



- Oi, o que quer?

- Nossa, que manifestação calorosa...

- Desculpa, é que vou para um chá beneficente. Precisa de dinheiro?

- Não... É que estava com uma ideia para fazer um novo filme e preciso de você. Pode me ouvir?

- Sim. Temos uma hora, querido.

- O roteiro que estou escrevendo, narra a história de uma senhora déspota que obriga os empregados a fazer sexo com ela. Tem uma cena em que a senhora mija no rosto do jovem jardineiro e para  que a cena fique mais impactante, o mijo tem que ser de verdade.

- Que horror, mas o que tenho haver com isso?

- Pensei que poderia ser você.

- Não sou atriz e ,se fosse, jamais faria um papel desses.

- Mãe, não seja retrógada. Eu contrataria uma professora de interpretação para você. Também, você sendo a senhora déspota, o filme teria mais  repercussão.

- Filho, desculpa. Gasto meu patrimônio para você fazer seus filmes fracassados, mas não me peça para mijar em ninguém de verdade. O que as minhas amigas irão dizer...

- Pensa com carinho, talvez você descubra outros eus fazendo este filme. Ah! Não é só o mijo que é de verdade, mas as cenas de sexo.

-Como? Está louco! As drogas queimaram sua mente.

- Para de fazer drama. Nunca entendeu minha alma de artista.

- Querido, preciso sair, pegue este dinheiro. Tchau.

- Estava mesmo precisando... Mas, estou muito chateado com você, está restringindo minha criatividade artística.

- Fala com seu analista, querido. Mais uma culpa que carregarei nas costas.

sábado, 18 de fevereiro de 2012



Sou leão que caça a presa e a presa que foge dele. Gota d’água que cai da folha e se desmancha no chão. Também, a fruta podre na calçada quente. O bebê que chora com fome, a mãe que oferece seu seio para saciá-lo. O guerreiro que defende seu povo contra os inimigos, o feiticeiro que faz longos rituais para a chuva molhar a terra ressequida. O vinho compartilhado numa reunião em família, as lágrimas que percorrem a pele. Decomponho-me em vários e nos labirintos de formas, percebo que tudo é uma coisa só, mas que varia de acordo com o olhar de cada um.







quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CONTO ANTIGO

Prefácio
Mais um conto antigo que tentei escrever de novo. O engraçado que na época que o escrevi, estava numa fase de me sentir o máximo: Um aspirante a escritor com ideias muito originais. Principalmente, por ter feito duas oficinas literárias, já estava me sentindo pronto para enviar originais às editoras.

Enfim, mais um mico para minha coleção.

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TEMPESTADE

Almeja estar só. “Envelheci!”. O celular toca. É o Fernando. Desliga. " Babaca, nunca assume nada". O celular toca. É a sua mãe. " Preciso visitá-la”. Desliga. O celular toca. É o chefe. " Já disse que vou apresentar o projeto na semana que vem!". Desliga. Vai à piscina. Quando está cansada e chateada, gosta de nadar. Ana sente uma presença. Tem um leve tremor no corpo. Quer sair da água. Vai até a escada da piscina e olha para trás. Vê uma parte da água se desprender do todo, moldando-se num corpo masculino e vai ao seu encontro. Ana está paralisada, não consegue se mover. Ele começa a tocá-la. O medo que sente antes se dilui. Lembra-se de quando era mais jovem gostava de ficar horas sentada no bidê, sentindo a água do chuveirinho invadir seu sexo. Neste momento, era uma ducha vigorosa penetrando-a. Olha para o céu e para de pensar.

Acorda com os pássaros. Percebe que a cama e os cabelos estão encharcados. Confusa, não se lembra de como parou no quarto. As únicas certezas que tem: reatar com Fernando, visitar sua mãe e terminar logo o projeto. 

Olha pela janela os estragos da tempestade da noite anterior.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012





MINHA QUERIDA AMIGA BRUXA...

Obrigado por me lançar a maldição de ficar distorcido. Estou experimentado sensações inimagináveis. Este desarranjo me leva ao prazer total. Realmente você, na realidade, é minha fada madrinha.





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Madrugada. Não consigo dormir, os sonhos do meu irmão ao lado cavalgam e o quarto estremece.





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ESBOÇO DE ROTEIRO REPROVADO


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PREFÁCIO

Às vezes( Mentira, em diversas ocasiões) acho-me muito criativo e que se eu divulgar meus contos e textos, todos me chamarão de escritor brilhante. Viajo na maionese legal. Enfim, mais um esboço recusado e o republicarei pela milésima vez no meu espaço virtual, onde sou o editor supremo.




A REVELAÇÃO DE TABATA CRISTINA


– Filho...preciso lhe revelar uma coisa. Não sou sua mãe.

– Você não é minha mãe, então quem é minha mãe verdadeira?

– Querido... sou seu pai!

– Como?

–Fiz operação pra trocar de sexo, quando você era bebê.

–Então, vivi todos esses anos numa mentira?!

– Por favor... me deixa explicar... Eu era um rapaz muito violento. Um dia, encontrei sua mãe, uma moça do campo, que amava correr pelas colinas verdejantes. Como estava sofrendo um conflito psicológico terrível, eu a violentei perto do rio. Sua mãe se chamava simplesmente Jamilly Gertrudes. Era muito bondosa e me perdoou. Ficamos amigas e, meses depois, me disse que estava grávida e que eu era o pai.

– Mas, eu tinha uma ligeira desconfiança de que você era lésbica. E sua amiga Martão?
– O Martão vai fazer operação para colocar prótese. Só falta isso para ele ser um homem completo. É o amor da minha vida.

– Preciso assimilar o que acabou de me revelar. Desejo saber onde minha outra mãe está enterrada, quero visitá-la e organizar um sarau de leitura gótica no seu túmulo.

– Meu bem, você teve duas mães que te amaram muito. E tem Martão, adoram sair juntos e olhar as gatinhas que eu sei. A sua mãe adoraria ler os seus escritos sombrios e aterrorizantes. Desculpa, eu não gosto muito deles porque tenho pesadelos, depois. Ainda bem que Martão tem braços fortes para me proteger.

– Mesmo que tudo que acreditei tenha sido mentira, eu te amo mamãe e te perdoo por ter me escondido a verdade por vários anos.

– Garoto lindo, é parecido com sua mãe.

Abraçaram-se. Uma luz surgiu pela janela e Jamilly Gertrudes apareceu com um longo vestido branco. Emocionou-se com a cena, depois, dissipou-se com o vento balançando as cortinas.





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Querida amiga...

sei que não é só um corpo boiando na piscina. Por detrás dos seus seios siliconados, existia um coração puro. Queria gritar bem alto para mostrar sua verdadeira essência. Nunca foi uma caricatura barata de aspirante a modelo, atriz e apresentadora de televisão. Lembro-me quando corria de pés descalços na rua, defendia os passarinhos dos gatos e dos moleques valentões de estilingues; ajudava sua mãe na arrumação da casa sem fazer muxoxo e a acompanhou até seus últimos dias de vida. Até hoje, guardo o verso que escreveu para mim e me pediu para que nunca mostrasse a ninguém. Minha querida, enquanto a polícia resolve as causas da sua morte e as especulações da Imprensa sensacionalista, eu sei a verdade: VOCÊ É MUITO MAIS DO QUE ISSO TUDO. E agora está como os outros anjos no colo do Senhor. Finalmente, encontrou a luz que tanto perseguiu.

domingo, 12 de fevereiro de 2012


 
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- POR QUE DESMANCHOU O QUEBRA-CABEÇA, LEVOU HORAS PARA MONTAR?


- Gosto de reproduzir várias vezes o ciclo da vida.



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- VOCÊ NÃO EXISTE


- Existo!


- Provo que não.


-Como?


- Pegue esta faca. Atinja o peito e eu farei o mesmo.


Enquanto um se esvai em sangue, outro se alaga em palavras.

CLARA ( conto antigo)



Edward Hopper



Chega a sua casa toda dolorida, mas satisfeita. Encontrou dois amigos da faculdade que não via há muito tempo e recordaram os velhos tempos. Fizeram sexo a três, como estavam acostumados na época da universidade. Trocaram telefones e se despediram.

Clara vai direto ao quarto do filho, que dormia tranquilo junto com a antiga empregada. Ele estava na cama de cima e a senhora na cama de baixo. Clara não gosta que a empregada fique fazendo todas as vontades dele. Tem medo que ficasse mimado e medroso, mas, não consegue repreender a mulher, que foi praticamente sua mãe.

Ela dava suas escapadas para se divertir, porém não se desleixava com o filho. Ajudava-o a fazer o dever de casa, lia histórias para ele e o levava, junto com a antiga empregada também, para passear. Mesmo sendo boa mãe, ficava apreensiva de um dia o menino descobrir suas preferências sexuais. Contudo, tinha certeza que fazia tudo discretamente.

Tira a roupa e vai ao chuveiro, percebe que seu corpo está cheio de marcas de chupões. Pega um espelhinho e vê sua vagina. Sempre achou seu sexo misterioso, por isso desde pequena, gostava de tocá-lo e senti-lo.
Deita na cama, o telefone toca. No identificador de chamada, o mesmo número de telefone público. "Meu Deus, quem saí de casa a esta hora, para fazer trote num telefone público?". Atende, uma voz de homem diz:
 – Por que faz essas coisas nojentas, você é uma beleza tão delicada... Deixa de fazer essas coisas.

-Tem a impressão que conhece essa voz, ela vem de um passado distante. Desliga, não quer saber.

Clara é divorciada. O ex-marido e pai do seu filho está na Europa. Constituiu outra família. Ela casou, tentando fugir de si mesma e da repressão familiar. O matrimônio foi um fracasso. Separaram sem brigas. Resolveram, que quando o filho crescesse, passaria as férias com o pai. Depois que completasse dezoito anos, poderia morar, se quisesse, com o pai:
 – Filho é para ser criado para o mundo e não grudado na barra da saia da mãe. O cordão umbilical foi cortado há muito tempo. – ela dizia constantemente. Contudo quem não gostava muito da história, era a senhora empregada, que amava o menino como se fosse seu neto.

Ao deitar na cama já fresquinha pelo ar condicionado, pensava numa citação do James Joice: "Ele estava só, feliz, perto do selvagem coração da vida". Leu-a, à primeira vez, no livro Perto do Coração Selvagem de Clarice Lispector. Clara considerava este selvagem mais intuitivo do que animalesco. "Uma pessoa fazer o que deseja, é livre por ter consciência; o animal é escravo dos seus impulsos. Há diferenças de instintivo e intuitivo. O ermitão almeja transgredir as normas sociais e até a natureza humana, que é coletiva". 

Ela realiza todas suas fantasias, mas se previne. Está sempre de camisinha na bolsa e não tem vergonha de pedir aos parceiros, que a usem. Exerce a liberdade plena, que vem da intuição. De repente o sono chega e a domina totalmente. Amanhã é Domingo, dia de levar o filho ao zoológico.

Acorda com a porta se fechando. É a velha criada. " Pobre Severina, vai à missa de domingo, pedir que Deus me perdoe pelos meus pecados. Percebo que me olha apreensiva". Levanta-se para acordar o filho, já são nove horas da manhã. Tomaram um café reforçado e foram ao zoológico e ao museu.
– Mãe, quero tomar sorvete na praia. Quero ver o mar.
– André, você quer tudo. Mas, vamos sim.
O mar estava calmo. Os dois sentaram na areia e tomavam os sorvetes. Um rapaz sai da água. Clara olha para ele. É um homem alto, moreno e forte. Vai ao encontro da namorada e lhe dá um beijo apaixonado. Clara tem um pensamento...
– Mãe, é verdade que quando ficar grande vou morar com o papai.
– Se quiser sim.
– É que gosto de ficar com você.
– Mas, tem que conhecer seu pai. É uma pessoa maravilhosa. Tem que conhecer seus irmãos também. E longe ou perto de casa, sempre estarei em contato com você. Filho, o que importa não é a quantidade de tempo que passamos juntos, mas a qualidade.
– Mãe quero ter um cachorrinho. Por favor?
– Tá bom. Já que insiste tanto, mas quem vai ter que cuidar dele é você.

O telefone toca. Clara já sabe quem é. Ele recita um poema. Ela desliga. Não tem medo dele, sabe que não vai fazer mal a ela e ao seu filho. " Deve ser um homem solitário, uma alma penada vagando na madrugada", pensa. Um livro está sobre sua cama. Está com pena em terminar de ler. Pega a agenda e marca um compromisso que tem de manhã cedo. Deita na cama; pensa no banhista da praia. Começa a se tocar. André dorme no quarto dele; sonha ser um super herói; já Severina faz uma oração, para que nada de ruim aconteça com "seu menino" e "sua menina".

Cocada foi o nome escolhido do cachorrinho. Todos se apaixonaram por ele, apresar das brigas por mijar e cagar por toda a casa. Ficou sendo o filho caçula de Clara e outro netinho para Severina. Na faculdade, Clara é considerada uma excelente professora e pesquisadora. Tem até uma coluna em um jornal. É requisitada por quase todos os alunos, por ser exigente, mas, sem ser grosseira. Ajudar com dicas e tem  paciência de ler relatórios, monografias nas madrugadas de sábado e domingo. Pegava a caneca cheia de café e ficava até o sono vencê-la.

Clara corre de manhã no calçadão da praia. Mora num apartamento antigo e amplo, onde à primeira coisa que se vê: livros. Severina tenta convencê-la doar alguns, contudo no que se diz respeito aos seus livros, não abre mão. O telefone toca. É um antigo amigo de escola. Descobriu seu telefone.

– Oi Clara, é o Fernando.
– É... Como está.

– Tô bem, bem... Te liguei, para ver se a gente se encontra. Posso ir à sua casa.

– Não, na minha casa não. Na sua.

– Tá bem...Sábado à noite?

– Por mim, tá ótimo.

Começa pensar no Fernando. " Ele era bom de cama. Será que o tempo melhorou sua desempenho, ou, piorou".  Conversa com a antiga empregada, dá dinheiro para que comprasse frutas e legumes na feira. Deseja comer manga, gosta de se lambuzar toda, chupando a fruta. Lembra-se da época que ia ao sítio com seu pai. O filho do caseiro pegava mangas deliciosas para ela.

"Juliano...". Era o filho do caseiro. Amigos na infância e amantes na juventude. Passaram momentos maravilhosos na mata, no rio e no quarto dela , quando seu pai saía de madruga para pescar. Hoje, Juliano está casado e pai de quatro filhos. Atualmente, é o caseiro do sítio e aguenta as rabugices do pai aposentado de Clara, que está morando lá agora. “Ele é mais filho dele do que eu". Clara não tinha paciência com os valores conservadores e hipócritas do pai. Rompeu relações com ele, quando disse que ela não tinha decência para criar um filho, que deveria dá-lo para ele ou ao pai. Clara simplesmente o mandou ir à merda e nunca mais foi para o sítio. "Talvez, seja o Juliano que me liga no telefone público. Apesar dele fingir a voz, algo me diz que é ele. Não vou me abater...".

Clara vive como quis. Sem se arrepender de nada. Era livre.