domingo, 31 de janeiro de 2016

Será que nunca mais verei meu rosto? ( conto revisado)


















“O sonho estava composto como uma torre formada por camadas sem fim, que se erguessem e se perdessem no infinito, ou descessem em círculos, perdendo-se nas entranhas da terra. Quando me arrastou em suas ondas, a espiral começou, e essa espiral era um labirinto. Não havia nem teto nem fundo, nem paredes nem regresso. Contudo, havia temas que se repetiam com exatidão.”
Anais Nin em WINTER OF ARTIFICE


 Um dia, bateram na porta e era uma encomenda. Não tinha nenhum bilhete que identificasse quem me enviou aquele pacote de presente. Abri-o e encontrei uma máscara. Achei estranho, já que constantemente sonhei com máscaras. Por impulso, coloquei-a no meu rosto e ela grudou em mim como uma segunda pele e nunca mais saiu. Via-me mascarado no espelho, porém, para os outros estava normal. Parecia estar preso em um labirinto espiral, que projetava a imagem da mesma máscara. Era torturante não perceber a mudança do tempo na minha face, esse fato bizarro já se passaram muitos anos. Será que nunca mais verei meu rosto? Fui a vários psicólogos, psiquiatras e até fiquei internado. Nenhum tratamento fez desaparecer a máscara sobre meu rosto. E o pior, de um tempo para cá, estou me habituando a ela e me flagro a pensar que sempre esteve comigo.

Será?
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