segunda-feira, 7 de abril de 2014

O menino esqueleto ( nova versão para um conto antigo)


Imagem encontrada no google


O bruxo Josef era muito sozinho e vivia em uma casa sombria,  no meio da mata. Para não se sentir mais solitário, utilizava a magia para criar amigos obedientes, mas, não duravam muito.

Certo dia, pegou todos os ingredientes e jogou no caldeirão secular. Surgiu um esqueleto pequeno, que parecia ser um menino. O bruxo gostou de o servo ser menor, seria como um irmão mais novo, que o colocaria no altar de irmão mais velho experiente e sábio.

No início, o menino esqueleto o admirava e o obedecia cegamente. Mas, quando foi colher uma planta na mata, a mando do bruxo, encontrou crianças brincando com um cachorro. Admirou-se e quis curtir também. Quando se revelou, as crianças fugiram e o cachorro mordeu sua perna com gosto. Nunca vira um enorme grande osso ambulante.

Apesar do medo do desconhecido, as crianças foram ao seu encontro. Os olhares se transformaram em toques e, depois, em perguntas. O menino esqueleto não conseguia responder, sua cabeça estava embaralhada. Brincou tanto com as crianças que chorou de felicidade. A meninada se surpreendeu ao ver lágrimas escorrerem na face do menino esqueleto.

Não quis falar ao mestre sua experiência com as crianças. Tinha medo de sua reação. O bruxo dizia sempre: “ Sou seu senhor e dono. Tem que me obedecer sempre, do contrário vou destruí-lo com minha varinha.”

Voltou diferente e o bruxo sentiu uma angústia no peito. O menino esqueleto começou a questionar sobre o motivo de só obedecer e, mesmo inventado por feitiços, era um ser vivo independente. O bruxo ficou triste e com raiva de voltar a ficar só. Pegou a varinha para destruir sua criação. Mas, o menino esqueleto fugiu pela janela e foi para mata.

No dia seguinte, as crianças e o cachorro retornaram para brincar com ele. O menino esqueleto gostou de fazer amigos. Mas, no meio da brincadeira o bruxo apareceu. O cachorro avançou e o mordeu.

O bruxo chorou e uma das crianças foi para casa pagar curativos. Ele ficou sem ação e o cão lambeu até o rosto dele, como forma de pedir desculpa. Depois do curativo feito, o bruxo disse que não faria mais mal ao menino esqueleto.

Entretanto, o menino esqueleto começou a se dissipar no ar e se despediu com um sorriso. Todos ficaram tristes, até o cachorro uivou. O bruxo disse que seus feitiços sempre foram provisórios e se fizesse outro menino esqueleto, aconteceria de novo.

As crianças disseram que não. Pediram se ele poderia fazer nevar um pouco, já que nunca brincaram de fazer bonecos de neve. Vivia em um país tropical.
Surgiu uma amizade duradoura entre o bruxo e as crianças, que persistiu apesar das brigas, desencontros e o tempo.

 E sempre se lembravam do amigo efêmero, mas não descartável: O menino esqueleto 


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