quarta-feira, 1 de maio de 2013

PSICOSES


A casa do filme Psicose, de Alfred Hitchcock

- Conta-me,  Gustavo,  o que aconteceu naquela noite, há vinte anos?

- Estou na sala com minha babá e vejo um filme de um cara estranho, que mora num casarão. De repente, uma mulher no chuveiro é esfaqueada...

-  Você sabe que esse filme é Psicose? Inclusive, tinha um personagem que nutria um forte respeito e temor por sua mãe... Mas o que aconteceu de verdade?

- Estava fixado no filme e senti algo escorrer em mim, era o sangue da babá que me havia pegado no colo, doutor.

- Você viu quem a matou?

-  Levei anos para decifrar o rosto.

- Quem era?

- Meu irmão mais velho.

-  Seu irmão, Gustavo,  que se suicidou em Genebra?

- Sim. Ele morreu vestido de babá.

- Então, você viu o rosto de seu irmão e...

- Mas, ele estava diferente. Usava a roupa da babá.

- Seu irmão matou a babá, Gustavo?

- Agora que as coisas estão fazendo sentido, acho que sim. Ele gostava muito de mim e pedia para eu o chamasse de babá, doutor. Meus pais o obrigaram a estudar fora do país e ele chorava, dizendo que não queria se afastar de mim.

-Nós progredimos bem hoje.  A Sessão terminou, até sexta.

***
O terapeuta Lauro César ficou impressionado com a história, mesmo anos de psicanálise e histórias tão quanto terríveis, algo o atraía para esse caso de Gustavo. De repente, sentiu ser dominado por alguma coisa e saiu do consultório sem rumo. Quando deu por si, estava com um uniforme de babá e um sentimento de proteção em relação ao seu paciente Gustavo.  
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