segunda-feira, 25 de abril de 2016

DURANTE ANOS, ( conto antigo)



tinha medo de mostrar os textos que escrevia compulsivamente, quando imaginava um olhar crítico desnudando suas obras e revelando que várias passagens são ecos de outras narrativas. Sente um frio na espinha. Nunca plagiou nada de ninguém, porém quando comentava sobre um conto que havia terminado, alguém dizia que já ouviu falar. Isto o frustrava bastante; deletava diversos arquivos do computador. Uma vez, conversando com um amigo, o outro lhe disse de repente: “Sabe qual é o seu problema? Você se leva muito a sério e esta barreira de escrúpulos aprisiona sua alma.”. No início, não gostou de ouvir a opinião do amigo. “ Quem ele pensa que é, para saber o que tem dentro da minha cabeça?”. Porém, o conselho atiçava toda hora seus pensamentos. Até então, sempre se trancava. Ligou o computador e deixou a fantasia manar como um rio. Nem se preocupou se as imagens que descrevia eram genuínas da sua imaginação. Começou acreditar que através dos sonhos, todos os indivíduos se banhavam numa fonte ancestral e inesgotável: O oceano das quimeras.
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