segunda-feira, 30 de março de 2015

"ENCONTREM SEU VERDADEIRO DOM"


Cena do filme Professora sem classe




- A professora Sofia sempre dizia isso para gente e seguindo seus conselhos me tornei um assassino em série. Matei tanta gente e nunca fui descoberto... Até agora. Infelizmente, tive o azar de ter uma testemunha para meu último crime. Enfim, até os gênios cometem erros, não é mesmo?

***
Ao assistir pela tevê o assassino, sentiu-se lisonjeada com a lembrança do ex-aluno. " Pelo menos seguiu seu próprio caminho e se destacou. Não viveu uma vida medíocre como os outros que reproduziram a mesma estagnação de seus pais."


domingo, 29 de março de 2015

"Quero mostrar como o sistema é falho, serei o cara que quebrou as regras. "



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Mas, com o passar do tempo, os jornais que publicaram sobre ele serviram para embalar peixe. Vieram outros que o substituíram na mídia. O esquecimento veio. Só era lembrado rapidamente por causa de suas vítimas e não por ele mesmo.

quinta-feira, 26 de março de 2015

PROTETOR



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Sempre protegeu a namorada alegando que os outros poderiam lhe fazer mal. Um dia, ela foi encontrada enforcada em seu quarto e ele está foragido, procurando outra para proteger. 

SEGURANÇA




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Pais zelosos sempre verificavam as portas e janelas se estavam trancadas. Quando amanheceu, um avião de grande porte caiu na casa e a família toda não sobreviveu.

terça-feira, 24 de março de 2015

SEM FÔLEGO( série antiga de minicontos antigos)



O TAPA


 ela cai na cama tem vergonha de sentir uma sensação gostosa o homem vem a beija ardentemente tudo se misturava saliva línguas sangue ela fica mais excitada lembra-se de quando era pequena o padrasto batia de vara de marmelo no seu traseiro por fazer alguma arte não chorava fingia sempre gostava das surras do padrasto o tempo correu virou mulher quando não tinha ninguém para machucá-la maltratava seu corpo usava agulhas velas  chicotes porém sentia arrependimento fez anos de análise nunca conseguiu deixar de sentir prazer na dor um dia encontrou ele que a perseguiu na rua deserta ela começou  a correr  mas ele conseguiu alcança-la a empurrando forte na parede de um beco qualquer ela o arranhou  ele simplesmente a esbofeteou a possuiu ali mesmo encontraram-se mais vezes hoje moram juntos apesar  dela ser feliz tem um pouco de vergonha do caminho que escolheu 

TUDO SE ACABOU

estou vermelho quero que minhas lágrimas se transformem em lanças para atingir todos os que me prejudicaram Sara por que foi embora me deixando sozinho sonho com você todas às noites você me aparece é metade sereia e felina seus cabelos amarram meu pescoço sinto falta de ar acordo vou à janela as estrelas estão brilhantes são tão bonitas mas já estão mortas quero ver o mar para encontrar você minha sereia-gatuna todos me odeiam quando ando nas ruas as sombras das pessoas aumentam querem me pegar corro o mais rápido que posso ninguém me ajuda um monstro verde aparece vou para faculdade encontrar Lúcio a gente tem que fazer o trabalho de História escuto gritos no meu apartamento está pegando fogo vejo a fumaça ter uma forma de bailarina a vida é uma merda que homem é esse que aparece na minha sala cantando ópera sai daqui filho da puta mãe gosto de você do pai sereia-gatuna aparece diz "vem meu amor" vou sim tudo está se dissipando o castelo de areia da minha vida é diluído pela maré alta



HOMEM-FOGO E A MULHER-LAGO

   numa praça havia uma fogueira e ao seu lado um lago eram apaixonados porém não podiam consumar a paixão uma estrela cadente apareceu no céu os dois fizeram um pedido em comum o fogo tomou a forma de um homem forte o lago em uma bela mulher pela primeira vez conseguiram ficar no mesmo espaço com o contado de dois corpos tão opostos ouve uma condensação no ar surgindo uma  neblina o homem-fogo suga os exuberantes seios d’água da amante e a invade com seu pênis de fogo  a mulher-lago sente o membro em chamas penetrar em sua vulva d’água o gemido final de ambos ecoou por toda a praça  as pessoas foram ver o que estava acontecendo  a fogueira e o lago desapareceram nunca mais ninguém os viram na praça os mais velhos sempre contavam a lenda do homem-fogo e da mulher-lago





segunda-feira, 23 de março de 2015

O SALTO NO ESCURO





Sou uma gota d'água que está prestes a cair no breu da noite. Aceitarei meu destino de ir ao encontro com o mistério. O instante da queda se aproxima, quero viver o momento de não agir e esperar a hora de ser lançado ao escuro. A escuridão que me aguarda é tão concreta e sou tão frágil.  Pela primeira vez, estou bem com minha solidão. Para saltar no escuro precisa estar só. O momento está chegando, o instante da queda. Tocarei o mistério sem tentar desvenda-lo, talvez, irei me tornar outro enigma. A hora chegou

domingo, 22 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

OVO



Vocês não estão vendo, como assim? Está diante de seus olhos e ninguém faz nada? Por quê? Cometem um crime horrível e ninguém percebe! Como são cruéis! A violência é atávica em vocês! Gente, esse ovo cozido é vida! É origem de tudo e vocês querem comê-lo. Não ouvem o pranto do ovo, ele chora por dentro. Deixem o ovo viver com sua ancestralidade. Como podem ser tão irresponsáveis! Graças a Deus, eu me alimento de luz! Sou um ser especial, que não mata um ovo para satisfazer meus impulsos mais primitivos. O ovo é universo! Ele é mais que vocês todos juntos! O ovo é Deus! Queria ter um ovo mítico em Brasília ao invés de políticos. O ovo com sua brancura ilumina a escuridão do caos. Não veem isso? Não adianta chamar a polícia! Não deixarei que toquem em sua divindade. Ele é tudo-nada e nada-tudo. Senhor! Perdoe essas pessoas que não sabem o que fazem. São bestas famintas que, mesmo ao comer o ovo, nunca encontrarão sua inteireza.

domingo, 15 de março de 2015

SUPERFICIAL E PROFUNDA


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Todos a viam como alguém transparente, sem segredos. Um dia, encontraram-na com os pulsos cortados na cama. Não deixou sequer uma carta. Marido e filhos se perguntaram por qual motivos se suicidou ou quais eram seus segredos mais densos. Não deixou rastros e depois de sua morte tornou-se enigmática e profunda. 

DESAPARECIDO


Uma pessoa invisível
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Um dia, tornou-se aparecido. Mas, a vida que havia deixado para trás desapareceu. Perdido, voltou a desaparecer, descobrindo-se desaparecido por natureza.

VIVA

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Viva a democracia
Viva as manifestações pacíficas
Viva os que foram para as ruas
Viva os que ficaram em casa
Viva os brasileiros
Viva o Brasil
Viva os vencedores
Viva os perdedores
Viva o tempo
Viva a esperança

Viva o amor

***


domingo, 8 de março de 2015

DIANA


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Estavam exaustos de tanto se amar e felizes por não precisarem se esconder. Diana resolveu deixa-los me paz e assinar o divórcio. Lauro apareceu na casa de Amanda com o vinho.

No breu do quarto uma fresta de luz surgiu.  Os amantes acordaram e uma flecha foi lançada no peito do homem. Amanda gritou e ficou perplexa ao reconhecer o rosto da assassina.

***
Quando Diana estava enfurecida, gostava de produzir à exaustão. Um dia, moldou uma estátua, que era a sua imagem e foi dormir exaurida sem perceber o que fizera; ao amanhecer, a estátua não estava no ateliê. Diana considerou que foi delírio e resolveu preparar um café da manhã daqueles. Pela primeira vez, sentiu-se tão bem... Parecia que a dor da separação havia desaparecido do nada. Não sentia mais nada por Lauro, só vazio. Achou estranho, ela sentia tanta falta daquele homem, principalmente, quando a possuía. Mas, decidiu não pensar muito, resolveu seguir em frente. Ligaria para Paulo, estava pronta para recomeçar.

***
No restaurante com Paulo, Diana foi abordada pela polícia. Era suspeita de assassinato de Lauro. Com o tempo, provou sua inocência. As câmeras do apartamento de Amanda não registraram sua presença. Porém, se não foi Diana, quem foi?

Diana lembrou-se da estátua que tinha feito, depois de uma noite de fúria. Relatou à polícia e o inacreditável esvaziamento que sentira no dia seguinte.

Claro que todos acharam bobagem e o caso não teve solução. Amanda continuava a acusar Diana, mas ninguém dava ouvido.

No enterro, Amanda viu Diana e elas se entreolharam. Quando, todos se despediam de Lauro, elas viram uma mulher de arco e flecha, escondida na árvore. Diana assustou-se ao ver como eram parecidas. Amanda presenciou a tudo e a verdade se revelou para ela, também.  

***

Obs: Conto inspirado em um miniconto antigo... 


quinta-feira, 5 de março de 2015

ERA UMA VEZ...


Desenho de um artista anônimo

Ana Lua fica horas no banheiro a mexer no telefone. A mãe se preocupa com a filha, pois ela não larga o celular por nada. Mas, não sabe que o aparelho eletrônico é um portal mágico e quem vendeu a Ana Lua, foi uma fada madrinha muambeira. A jovem viaja para o mundo encantado de seu belo príncipe. A mãe se espanta ainda mais, quando ela sai do banheiro continuando a manipular o celular e os passarinhos luminosos voando a sua volta.

  

quarta-feira, 4 de março de 2015

VOVÓ




Amava a neta e achava um absurdo os pais da menina a proibirem de comer doces. A garota adorava a maça do amor e a senhora comprava escondido para ela. Com o passar dos anos, a mocinha tornou-se que nem a avó... Diabética.

domingo, 1 de março de 2015

GRITOS

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- Pai, ouço gritos em você.
- Que isso, filho? Está com uma imaginação fértil.
- É verdade, pai. Quanto tempo que não escreve.
- Estou tão sem tempo...
- Arrume um tempo, pai. Os gritos que vem de você, não me deixam dormir. Faz uma experiência, escreva.
- Tá bom.
O homem ligou o computador, começou a digitar algumas palavras. Com o tempo, a tela branca do Word transbordou palavras.  Ele se espantou com tantas histórias e personagens que gritavam em sua mente.  
Quando amanheceu, o filho muito contente foi ao encontro do pai, que ainda escrevia.
- Obrigado pai. Dormi muito bem.

- Pois é, enquanto eu vou penar no trabalho, já que não dormi nada. Mas, sinto-me em paz. A zoeira que estava na cabeça passou. 

A BESTA( miniconto antigo)



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Invade um antigo casarão. Atravessa um longo corredor vazio. Encontra um quarto todo branco e uma jovem à janela. Lambe os lábios e olha a sua presa, que não demonstra medo. Percebe que na moça, apesar de ser bela, não há mais o viço da inocência. Está oca como uma boneca. Perde a fome e vai embora.