terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um conto antigo, para quem ainda não leu!



Joan Miro

A FENDA
– A Arte Moderna foi um movimento artístico do fim do séc XIX, que fez ruptura da imagem com a arte, desconstruindo os valores tradicionais artísticos...
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Uma fenda surgiu no quadro-negro.
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– Os artistas passam a experimentar novas visões, através de idéias sobre a natureza, os materiais e as funções da arte, tendendo com frequência à abstração...
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Do outro lado, existia um mundo completamente diferente do que eu conhecia. Perdi a autoridade de professor, não havia mais razão de continuar com hierarquias.
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– O discurso da Arte Moderna rompe com a ideia de mimese do real...  
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Todos estavam com muita fome. Começávamos a caçar bichos que pareciam pinturas impressionistas e a pescar peixes no céu violeta. Diplomas em faculdades estrangeiras, mestrados e doutorados, tudo virou pó. 
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– O artista e escritor belga Michel Seupher  comentou que teria que existir uma pintura totalmente independente da figura e como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura almeja comunicar-se com os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência. 
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Como sinto falta das reuniões em casa de amigos e na Universidade. Debatíamos teorias, pensamentos... Sinto falta das exposições, das bienais e dos livros da minha biblioteca particular.
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– A Arte Contemporânea está relacionada com a Pós-Modernidade. O pós-moderno é caracterizado pela diluição do tradicionalismo em função da novidade e pelas formas contemporâneas de olhar na direção do passado. O sujeito pós-moderno é fragmentado. Tudo acontece em tempo real, o tempo se desvincula do espaço físico e suas relações sociais são diluídas.
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Meus alunos tornaram-se feras vorazes. Distanciei-me, não queria perder a minha civilidade. Meus pais me educaram muito bem, não me transformarei numa besta. Foi uma batalha sangrenta comigo mesmo. Dividia o meu tempo relembrando todos os livros que li e procurando comida. Alimentava-me das criaturas amórficas que nadavam no céu-violeta e comia algumas frutas de formas geométricas. 
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– Mesmo recebendo a herança da ruptura da Arte Moderna, a arte Contemporânea busca a sua identidade e discute outras questões que estão acontecendo agora como: meio ambiente, política, sociedade, transcendência, tecnologia e o indivíduo.
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Criaturas-sombra me rodeavam, instintivamente comecei a falar de arte em geral. À medida que transmitia o conhecimento, minha memória ficava mais viva. Eles se reuniam para me escutar todos os dias. 
Voltei a ter o prazer de ensinar e me sentir importante.





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