sábado, 5 de setembro de 2015

NU( conto antigo)



De repente, quis ser uma coisa e se despiu das palavras, adentrando a floresta. O filho ao ver que as palavras se tornaram uma trilha, seguiu em frente e a cada passo as guardou numa mochila. Não tinha medo de se perder, conhecia a floresta muito bem. Encontrou o pai bebendo água no rio, no início, o homem rosnou para o filho, mas não fez nada. Conhecia o cheiro do menino, só queria espantá-lo. O filho olhou para os olhos do pai-fera e percebeu que precisava deixá-lo. Foi embora com as palavras que vestiam seu pai. A mãe esperava na porta e percebeu o que havia acontecido. Abraçaram-se. Depois, colocaram as palavras do patriarca em um baú. Quando anoitecia, tanto a mãe e o filho sentiam algo rondando a casa e se revezavam para colocar comida na soleira da porta. No dia seguinte, recolhiam o prato, os talheres e a caneca vazia.


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