quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Indiferença( conto antigo e revisado, pelo menos por enquanto)

“Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Indiferença é apatia, parasitismo, covardia. Não é vida. Por isso, abomino os indiferentes. Desprezo os indiferentes, também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Vivo, sou militante. Por isso, detesto quem não toma partido. Odeio os indiferentes.” Fonte: Quinzena, nº 236. São Paulo, CPV, 31.08.96, p.32. Antonio Gramsci 

 Vi um assassinato, merda! Não posso me preocupar com isso. Tenho prova amanhã cedo na faculdade, preciso arranjar emprego; levar o cachorro ao veterinário, comprar as coisas para o churrasco do final de semana. Nem conheço o cara que foi morto. Tenho muitos problemas para resolver. Bem, estava equivocado... 

Meses depois, fiquei perplexo com o sumiço de minha noiva e com um bilhete curto: " estou indo embora, não te amo mais" , pedi à sua mãe que me deixasse ir ao quarto da filha. Ao vasculhar todo o lugar, descobri o diário dela: "...estou apaixonada por ele e esta paixão me deixa louca. Ele me revelou sua profissão, tive medo e ao mesmo tempo excitação. O meu namorado é indiferente, já o outro é quente e atencioso. Um dia, comentou que me viu saindo com Jorginho e que eu parecia estar. Falou que o reconheceu, quando assassinou seu desafeto... Quis matá-lo, também, mas, o meu namorado não fez nada como sempre (vivi só para si!!!). Então, Márcio decidiu deixar pra lá e poupar a vida Jorginho . Disse que vai fazer o último serviço, que custará uma boa grana. Depois, a gente vai fugir para um lugar tranquilo. Não vamos passar a perto."

 Pois é, deveria ter denunciado aquele cara. Agora, serei alvo de fofoca de toda a vizinhança. Mas o tempo passa. Esse caso que aconteceu comigo se tornará indiferente para mim e aos outros. Cairá no esquecimento.


Postar um comentário