sábado, 22 de agosto de 2015

OUTRO CONTO ANTIGO PERDIDO POR AÍ...

Acho isto tão interessante, li um conto antigo meu em um blog que colaboro. Nem me lembrava mais da historia, parece que encontrei uma parte de mim perdida no passado.


“Pobre diabo”

... Gente arrogante! Sempre tem alguém que me diz: "Você tem que contar tudo". Não quero. Agora estou em casa, escrevo no computador e às vezes vou ver o mar. Plagiando, na cara-de-pau, Clarice Lispector, a imensidão do mar é a imagem refletida da minha essência. Tudo que escrevo não é original, todos nós somos seres amórficos com capacidade de digerir pensamentos e teorias que nos antecedem há gerações. Nada é novo e sim repaginado.

Um amigo disse que escrevo as mesmas coisas, está certo. Sou como as ondas, vou e volto... Até na época das ressacas de inverno. Uma vez me disseram que devemos resolver os nossos problemas, se não acumulam. Ora, não somos um poço de alegrias, tristezas, perdas e recalques? Vida real é deste jeito, se você ganha de um lado, perde de outro. Se você é bem-resolvido numa área, em outra, é uma droga. Não me venha com a lógica racional ou de autoajuda. Somos bestas feridas e famintas, que constroem castelos de nada.

O pessoal da minha família se divide em dois grupos: os que me acham vagabundo e os que me acham maluco. Sou um pouco vagabundo e maluco. A vadiagem e a loucura que tenho me acompanham, desde quando minha mãe me pariu. Tentei mudar, não consegui e o pior de tudo é que se pelo menos fosse um artista genial, talvez justificasse minhas excentricidades.

Gosto de observar minha filha na escola. Fico de longe, ela é linda. Muitas vezes, parece ser minha mãe: "Papai, você tá fedendo... Papai, quando você vai crescer e for pai de verdade". Ela foi um delicioso acidente que aconteceu na minha vida. A última notícia que tive da mãe dela era que virou prostituta na Itália. Quem cuida da menina são os meus pais e eu sou o irmão-mais-velho-desajustado-que-só-arranja-problemas.

Ultimamente, fico horas no computador trancado no quarto. Todos lá de casa perguntam o que escrevo tanto "neste maldito computador". É difícil explicar, só sei que me sinto bem, paro de pensar asneiras. Quando termino, vou direto para cama e apago. Acordo e recomeço a mesma rotina. Estou trocando os antigos vícios por um novo. O analista disse que não estou resolvendo os meus problemas e que somente os aglutino.

Mas a vida não é um jogo de videogame em que se precisam vencer as etapas e as dificuldades. Quem é feliz pra sempre? Quem é bem resolvido? Quem não tem fantasmas? Quem não tem um pouco de mesquinhez? Quem não tem manias obsessivas? Quem não tem certo quê de perversidade e tenta se controlar para não cair totalmente no lado obscuro?...


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