, “ Há os grandes escritores e uma legião de escritores menores que tentam assimilar seus estilos.”. Então eu sou da legião dos que tentam ser aspirante a escritor que digere o estilo da legião dos escritores menores, que assimila o estilo da legião dos grandes escritores. Estou bem na fita,
domingo, 30 de junho de 2019
domingo, 2 de junho de 2019
Repetidamente
Uma vez, ouvi algo mais ou menos assim: os fantasmas ficam
aprisionados no mesmo ciclo de erros e sofrimentos.
No primeiro momento, não liguei, mas, agora isso emerge na
memória.
Talvez, eu seja um espectro a vagar por aí e a repetir os mesmos
equívocos para encontrar a luz no final do túnel. Pode-se achar que é a
salvação, mas, é uma miragem provocada pelo desespero, que nem uma
mariposa que se debate na lâmpada.
Eu me reconheço no seu desespero em encontrar uma saída e se
perder, ainda mais, no labirinto. Há tantas luzes falsas que nos fazem se
perder.
Preciso continuar, talvez, encontrarei o descanso tão desejado.
O ônibus abarrotado de gente aparece no horizonte.
***
Faz sinal como os outros que estavam no ponto. Pergunta-se se eles
sabem ou não de viverem a mesma coisa eternamente.
Tem a impressão de ouvir o barulho da asa da mariposa a se debater
na lâmpada.
sábado, 25 de maio de 2019
Certa sombra
Tenta capturar a imagem da borboleta pelo celular.
Conseguiu, mas, ela continua a voar.
Insatisfeita, a sombra retorna a sua jornada. Deseja por meio dos cliques roubar vidas para preencher seus espaços vazios.
A única coisa que consegue é abarrotar as memórias dos seus dispositivos com várias fotos, que perdem o sentido ao decorrer do tempo.
terça-feira, 21 de maio de 2019
"NUDES"
Madrugada adentro.
Travessia.
De repente, percebo meu reflexo na vidraça da
janela.
Estou só de cueca e me fotografo.
Faço isso, porque a imagem reflete a nudez de
minha alma.
O vazio e o todo lá de fora comunicam-se com o
vazio e o todo dentro de mim.
Eu me aproximo do divino, pois, no momento,
estou despido de valores egocêntricos e egoístas construídos pela realidade
humana.
A nudez absoluta é amoral e vai de encontro aos
mistérios de Deus.
Horas depois, o post foi
deletado da rede social. Nunca soube se foi denunciado e censurado pela imagem
ou pelo conteúdo escrito.
***
terça-feira, 14 de maio de 2019
Transformação
O guerreiro cansado de lutar, abaixa a espada suja ensanguentada. De repente, sente uma presença e olha para um jardim destruído.
Surpreende-se com as borboletas sobrevoando algumas flores e se lembra de um sonho antigo e esquecido.
Companheiros o procuram e só encontram a armadura e a espada.
Desapareceu com as outras borboletas por aí.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Quando transbordei...
Eu nem sabia por quais motivos. O dia estava lindo e eu me sentia até bem. Eu achava?
Mas, agora, veio-me lembranças de pensamentos que se faziam gotas e as quais gotejavam em câmera lenta em mim.
Eram átmos de segundos que percebia isso, mas, ligava o botão do automático.
Mesmo sem saber, as gotas-pensamentos se lançavam ao longo dos anos e comecei a me sentir represado. Fiquei com medo de algo explodir dentro de mim e me transformar em enxurrada.
Construí mecanismos de defesas para ficar sempre na superfície. Nunca gostei de profundidades reais e metafóricas. Arrumava algo para fazer, não podia ficar parado.
Resolvi tomar remédios com o intuito de dormir e parar de ouvir o barulho das gotas-pensamentos se espatifarem.
Então, um dia, aconteceu. Foi de repente e pegou todo mundo de surpresa. Transbordei um tsunami. Dizem que durou pouco tempo, mas, a destruição foi devastadora. Não me recordo.
Só me lembro de ouvir sirenes e de estar amarrado. As pessoas que me conheciam a vida inteira, encaravam-me com medo e ódio. Ouvi, "monstro". Estava tão exausto que permaneci em silêncio. Não pudia julgar aquelas pessoas de não mais me reconhecerem. Nem eu me reconhecia. Desejava não existir.
domingo, 31 de março de 2019
CRIME PERFEITO (Ideia revisitada que virou um conto inédito)
O beijo roubado não é visto, mas,
sentido. A lua aparece por entre nuvens, sou empurrado.
Quem me compeliu, foge.
Sozinho no chão, ouço ruídos na mata. As nuvens ocultam novamente a lua.
Vejo um vulto de um cachorro ferido ao sair do matagal e nos encaramos. Somos reflexo um do outro. Ele vai embora, quando a lua reaparece.
Levanto e já penso numa desculpa, para ficar tudo bem em casa.
Quem me compeliu, foge.
Sozinho no chão, ouço ruídos na mata. As nuvens ocultam novamente a lua.
Vejo um vulto de um cachorro ferido ao sair do matagal e nos encaramos. Somos reflexo um do outro. Ele vai embora, quando a lua reaparece.
Levanto e já penso numa desculpa, para ficar tudo bem em casa.
É sério, gente...
Apareceu esta aranha na minha cama e me encarou de um jeito estranho. Acho que ela é uma espiã comunista e está registrando tudo o que faço.
Vocês precisam acreditar em mim. Precisamos defender nosso país da peste comunista. Tenho fontes sérias de que milhares de soldados cubanos invadirão o Brasil, além, dos venezuelanos que lançarão uma bomba atômica mais poderosa que Hiroshima aqui. Temos que nos unir com os EUA, ficaremos protegidos.
A aranha está fazendo posição de ataque, ela quer me sequestrar porque eu sei de tudo.
Sabiam que o leite condensado é cancerígeno? Sabia que existe uma vacina, a qual tem o poder de transformar as pessoas em homossexuais e comunistas? Eu sei de tudo, devido às estrelas que cochicham no meu ouvido.
A Ursal não é fake e sim um projeto de poder comunista. Precisamos lutar contra e mudar tudo que está aí.
É muita pouca vergonha, há casos de professores ensinando suruba para os alunos e até um lance de "banho de ouro". Inclusive, eles doutrinam os alunos com esta baboseira de "Direitos Humanos", palhaçada!
Esses esquerdopatas desejam destruir o país e praticar um surubão imensurável. Precisamos lutar contra isso, devemos proteger as criancinhas de serem cozidas nas panelas dos comunistas da Ursal.
A aranha solta uma fumaça vermelha, estou tonto. Ela dança freneticamente. Chega! Basta! Nossa bandeira nunca será vermelha, quem sabe laranja... A aranha está crescendo, ela vai me devorar. Morrerei com dignidade e com orgulho de ser patriota. Viva o golpe de 64!! A ditadura militar foi uma época linda, em que os pais podiam brincar com seus filhinhos na praça do bairro. Todos eram felizes, saltitantes e cantavam junto com os animais do bosque. Não existia assalto e nem violência.
Não havia corrupção, pois, os militares possuem muita rigidez de caráter.
Adeus! Brasil acima de tudo e Deus acima de todos! E obrigado os EUA por defender o mundo.
terça-feira, 19 de março de 2019
ENTRE OS MORTOS E OS VIVOS( CONTO REVISITADO)
Desde que me entendo por gente, quando a noite chegava e o sono vinha, ninguém dormia. Todos ficavam vagando por aí como zumbis e à espreita de quem está acordado, para mordê-lo. Ao amanhece, todos voltavam ao normal.
No início, tinha medo os gritos da madrugada,
mas, acostumei-me com os sons que minha família emitia.
Ao crescer, curti minha infância e juventude sem muito
drama. A única coisa que me incomodava, era os gritos ou quando alguém ficava a
me observar, para ser se dormiam realmente.
O
tempo passou, tive mulher e filhos. Eram zumbis, também. Até quis ser mordido
por eles, para não ser mais diferente. É muito pesado ser diferente dos outros,
além, de não sentir nada como aquela música:
“Socorro,
não estou sentindo nada.
Nem
medo, nem calor, nem fogo,
Não
vai dar mais pra chorar
Nem pra rir.”[1]
Quando surgiram as redes sociais, descobri o "grupo
dos acordados". Entrei em contato e conversei bastante com os integrantes.
A que dialogava mais comigo era Ana e nos conhecemos no mundo real. Era casada,
também, e sofria de ver os seus na madrugada, caçando os acordados.
Nós nos apaixonamos, porém, não podíamos abandonar nossas
famílias. Encontrávamos um jeito para passar a noite se amando trancados
num quarto de motel, enquanto os zumbis noturnos perambulavam pela madrugada.
Será que somos os loucos?! Ou pertencemos aos poucos sãos
que ainda existem no mundo?
Não consigo responder esta pergunta. A única certeza que
continuarei com Ana e nos ajudaremos na travessia entre os vivos e os
mortos.
quarta-feira, 13 de março de 2019
CONTATO INSÓLITO( Um conto ainda inacabado)
“Sim, minha força está na
solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias
soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” Clarice Lispector
“Jogue fora as luzes, as
definições.
Diga o que você vê na escuridão.”
Wallace Stevens
LX300: - Sonho de novo
com a criatura. Vive na floresta densa. Há momentos que parece me perceber e se
aproxima de mim. Mas, para e ouve o barulho do vento nas árvores. O estranho é
que ouço o barulho da floresta no quarto e vejo as sombras das árvores. Mas,
agora, é diferente. Fizemos contato e experimentei suas sensações ao caminhar
pela cidade. É uma criatura extraordinária. Gosto de me sentir confuso, já fui
fazer uma revisão dos meus circuitos. Falei tudo sobre a criatura para você.
Não pode caçá-la, agora, só porque tem curiosidades de querer dissecá-la.
O caçador ouve sua
história com muita curiosidade. Sempre teve inveja de seres genuínos, que vivem
em si mesmos e sem o manto da moral para aprisiona-los. Queria caçar como eles,
sem julgamentos.
Na mata cerrada a
criatura sempre percebia cheiros vindos de outras terras e ensaiava alguns
passos para fora, mas, desistia, tinha medo de se machucar. Esquecia-se do
desejo repentino, distraindo-se com os outros elementos da brenha.
Porém, em uma madrugada, foi atraída por uma
caverna, que aparecera do nada na mata. Viu um corpo sem fragrância deitado na
cama. A criatura o observava, ficou fascinada.
Lambeu-o, mas não sentiu nada.
Então, começou a visitá-lo sempre, quando as madrugadas se tornavam mais
densas e começaram a se conectar através dos sonhos de LX300. Depois, ele
interagia acordado com ela, sem precisar sonhar.
O tempo passou e, em
certa madrugada, a criatura percebeu LX300 agitado. Repentinamente, sentiu-se
observada. Por um triz, escapou de uma flecha. LX300 avançou contra o caçador,
que o jogou para longe. A criatura avançou e olhou fixamente para o caçador,
que sentiu um medo devastador por causa de seu olhar e, inclusive, ao ouvir os
ruídos da floresta negra, fugiu.
A criatura se aproximou
do LX300. Viu certas luzes surgindo na sua cabeça. Aflita lhe deu uma lambida.
LX300 a agradeceu por mostrar um mundo tão diferente e belo. Entrou em pane e
se apagou de vez e, na área atingida, uma violeta brotou.
A criatura o levou para
seu lar e LX 300 tornou-se parte da mata. No final, realizou o desejo de se
transformar em ser vivo.
Reconfortou-se na
escuridão da floresta e nas lambidas da criatura.
domingo, 10 de março de 2019
Fugidio
Sempre quis tatuar um passarinho. Mas, a ideia escapava e voava às profundezas do inconsciente.
Um dia, conseguiu pegá-lo. Quando o tatuou e saiu do ateliê, foi atacado por um pássaro que perfurou seu olho.
A tatuagem desapareceu e só ficou uma cicatriz com formato de pássaro.
Depois disso, andava sobressaltado. Ouvia, constantemente, barulho de asas.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Akira
Quando o sol bate no chão da sala, ela se deita para se "bronzear". Olho para sua sombra e vejo um lobo. Curioso, pois, contrasta-se com a figura meiga da Akira.
Mas, mesmo que eu tente humanizá-la ou torná-la fofinha, o instinto primitiva de lobo está enbernado em algum recanto de sua existência.
Ele se manifesta nos momentos em que está distraída a tomar um banho de sol ou quando caça moscas.
A sombra do lobo parece e me encara, diz com o olhar: " Estou aqui, mesmo que tente me aniquilar, por meio de biscoitinhos e carinhos na barriga. "
Então, começo a pensar ... Será que o afeto pode ser, também uma relação de poder? O homem se sente o PROTETOR, inibindo a verdadeira natureza dos animais?
E eu? Tenho um lado selvagem?
Acho que a sombra do lobo de Akira me pegou...
domingo, 10 de fevereiro de 2019
A FESTA( REVISITADO E MODIFICADO UM POUCO)
Estava numa festa em que os convidados sorridentes, elegantes começaram a feder, apesar do aroma dos perfumes estrangeiros que usavam. Almejou tanto ir àquela festa, mas o desejo se desmanchou feito água no ralo. Ao seu redor, tudo ficou sem sentido e um vazio o invadia. Teve medo de ser um morto vivo como as pessoas da festa. Ele não entendia que mesmo belas, tinham algo corrompido em seus olhos. Eram jovens sem viço.
Foi embora até ao ponto de ônibus. Lá
havia um senhor com uma carrocinha de
cachorro quente. Ele abordou o rapaz:
- Está com fome?
- Sim.
- Preparo um do jeito que você gosta.
- Valeu. Estou estranhamento cansado.
- A festa não estava boa?
- Sei lá, senti falta de ar.
- Maltrataram você?
- Não.
- Pareciam mortos vivos?
- Sim...
- Sei como se sentiu. Aconteceu
comigo e seu avô me esperou neste mesmo ponto de ônibus e nesta mesma carroça.
Além do mais, o mesmo céu estrelado.
- Pois é, o céu está lindo mesmo. Não
quero vender cachorro quente...
- Não precisa, siga seus próprios
caminhos. Mas, cuidado com essas pessoas que frequentam essa festa. São
criaturas ilusórias que empurram a gente para o abismo.
- Quando chegar em casa, dormirei cem anos.
- Roubaram um pouco
sua energia. Porém, uma boa
noite de sono resolverá.
- Quem são eles?
- Não sei. Vivem por aí, vagando de
festa e festa. Procuram por algo que perderam há muito tempo. Vivem com uma
eterna fome de devorar qualquer
coisa. Por isso, sempre estão eufóricos.
Pai e filho foram embora tranquilos,
o sol nascia. A festa continuou a todo vapor.
TEMPESTEAR
Chuva forte, barulho do vento, falta de luz... Fim do mundo?
Acendo a lanterna do celular e minha sombra se projeta num quadro de um artista . Estranho, quando penso que vou me lembrar do seu nome, foge para as profundezas da memória.
Minha sombra quer ir embora. Mas, não sei se é pelo dilúvio lá fora ou por mim.
Tempesteio.
Calma, querida, como dizem: " Depois da tempestade, vem a bonança". Também, não adianta fugir através do quadro. Tudo, em algum dia, tempesteia.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Sou um homem bom
Juro! Eu não queria bater na cara da minha namorada. Estava bêbado e quando bebo só faço merda... Precisam acreditar em mim, sou um cara super legal! Quando fugi ao atropelar aquele garoto, não sabia o que estava fazendo, sabe? Só pensei na minha família e como poderia destruí-la, sabe? Sei que estava com velocidade excessiva, mas, sabe como é? Ganhei de presente do meu pai a Ferrari e queria tanto testá-la... Não sou mau, JURU. Acreditem em mim, o cadáver enterrado no jardim foi um terrível acidente. Lauro era um colega de escola, meio bichinha, e eu tive a ideia de dar um susto nele para gravá-lo tendo um ataque de pelanca e quando puz em prática meu plano, ele ficou apavorado, pulou pela janela e se eborrachou no chão. Eu e meus pais resolvemos enterrar o corpo no jardim. Sei que muitos não acreditarão em mim, mas, sou azarado e os incidentes me seguem. Juro, sou do bem! Sou honesto e do lar. Aparentemente, posso parecer esses caras superficiais e milionários, porém, tenho Jesus no coração e vou à igreja todos os domingos. Por favor!!! Não me prendam, só tenho quarenta anos, sou muito jovem e com bastante tempo para aprender com a vida e com meus erros.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Lucrécia Gertrudes
Sou uma drag queen a favor da família, da
moral e dos bons costumes.
Odeio a vulgaridade que está acontecendo
hoje em dia, devido à ida das mulheres ao mercado de trabalho. As mulheres
precisam ficar em casa, tomando conta dos maridos e dos filhos. Mulheres
decentes são depiladas, recatadas, do lar. Além, é óbvio de nunca inserir
crucifixos nas vaginas.
Essa história de que precisam estudar e
ser independentes é uma mentira descabida destes
maconheiros-esquerdistas-comunistas. Mulheres, voltem para as suas
raízes. Não fiquem brigando com seus parceiros, há outras maneiras de
conseguirem o que desejam. Uma boa mulher nunca discute com seu marido.
Minhas queridas, vocês sabem que eles são
meninos mimados e briguentos que só querem a atenção. Precisam ser pacientes e
amorosas, pois, são suas segundas mães.
Por isso, é importantíssimo criar as
meninas para estimularem seus instintos maternais. Foram feitas para cuidar e
servir, minhas lindas. Fico triste de ver algumas de você tão vulgares e obscenas.
Aí, reclamam quando um cara tenta agarrá-las.
Tenho consciência de que muita gente
questionará minhas ideias, devido a minha condição.
Mas, nunca quis ser drag queen. Foi
macumba de uma vizinha. Ela tinha inveja do relacionamento dos meus pais. Dizem
que ela ficou nua e arrancava as tripas de uma galinha com os dentes. Cenas
impactantes...
Acompanha-me nas redes sociais, sempre
trarei dicas para vocês que não almejam mais ser feministas, para se tornarem
femininas.
Por um mundo sem marxismo e putaria!!!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Ao vento
Seu fim estava próximo, decidiu imprimir seus textos inacabados, soltando-os ao vento.
Deu o último suspiro, enquanto quase todas as histórias foram adotadas e eternizadas por outros escritores.
Só teve um texto que continuou ao vento, pois, encantou-se com a liberdade fugaz de viver.
Tornou-se pássaro.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Comerei rabanada
Tenho uma ideia, preciso escrever, espera, tem um fio de cabelo no teclado. É complicado tirar o fio entre as teclas. Lá vou eu... Preciso ver rapidinho meu Instagram... Ganhei duas curtidas e um comentário que, na verdade, é um convite de alguém para segui-lo. Preciso focar na ideia, que é o ponto de partida para um conto. Notificação do facebook, deixa ver rapidinho... Nada de interessante. Voltando ao princípio da minha história... Mensagem no whatsapp... Saco, mais uma corrente de mensagens fofas de final de ano. A ideia do conto está desaparecendo, como começa mesmo? Vou ao insta para esfriar a cabeça... Desgraçados! Ficam posando felizes em paisagens exuberantes, só para me mostrar que tenho uma vida de merda! Juro que não é inveja, mas, este povo ostenta muito. Com certeza, não são tão felizes assim. Uma nota: Não sou um “stalker”, só gosto de xeretar a vida dos outros nas redes sociais, pois minha vida não é tão interessante. Empa! Um comentário na minha foto: “Oi, conheça meu perfil e saiba mais da dieta das celebridades...”. Escroto! Quem lhe disse que quero emagrecer. Vou bloquear! E a minha ideia que se tornaria um conto, não consigo me lembrar mais. Outra notificação do face... Nada demais, de novo. Já sei, queria escrever um conto inédito sobre o ano novo. Talvez, ouvir uma música me faça ter uma “brainstorm”... Vou flanar um pouco no Youtube... Há novidades do Netflix... A ideia se perdeu em mim. Ouço fogos e o ano novo chegou. Sinto que vivi várias vezes esta situação. Deixa para próxima. Comerei rabanada.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
" DOCES LEMBRANÇAS"( CONTO REVISITADO)
Quanto mais
velho eu fico, percebo que não sei nada. Tudo que acontece há várias
interpretações. Até os conceitos básicos do bem e do mal, variam de acordo com
diferentes pontos de vistas.
Estou
perdido e talvez nunca me ache de verdade em um labirinto de janelas, que são prismas sobre
este mundo, onde vivo.
De repente,
lembro-me do menino que eu era. Adorava passear na fazenda dos meus
avós. Era tratado com um “reizinho” por todos. Quando brincava com os filhos
dos empregados, sempre era o líder.
Minhas festas de aniversário
eram surpreendentes. Bem, no meu olhar de garoto, a época era boa e
me sentia feliz por fazerem todas
as vontades. Mas, um dia, um monte de homens armados
invadiu a fazenda, prenderam meus pais e meus avós. Os empregados com seus
filhos se abraçavam contentes. Uma antiga empregada abraçou-me e a ouvi
pedir para os caras armados me deixasse ficar com ela.
Então, fui morar numa casa simples da
periferia. No início, fiquei revoltado, queria minha vida antiga de volta, mas,
com o tempo, fui me adaptando e os dias na fazenda se tornaram um belo sonho.
Anos depois, quando voltava do trabalho, na porta de casa havia uma jornalista.
Queria me entrevistar sobre minha família biológica. Minha mãe de criação
apareceu e a expulsou e veio conversar comigo.
Bem... É lógico que eu sabia de tudo,
porém, não queria ter consciência disso, principalmente, perder as doces
lembranças da infância. A verdade veio dilacerando meu reino particular.
Minha verdadeira família escravizava
as pessoas para trabalhar na fazenda. Todos me tratavam bem, porque eram
obrigados. Fiquei alguns dias à deriva.
Minha mãe adotiva me disse para tocar
a vida. Seguirei seu conselho. Quem sabe um dia me encontre por aí.
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Conto revisitado
Tentei reescrevê-lo. Achei que estão
versão ficou um pouco melhor.
INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA
"O sonho é a estrada real que conduz ao
inconsciente" Sigmund Freud
André adorava pintar paisagens e
muitos o achavam cafona. Sua namorada, uma crítica de arte, dizia que precisava
mudar urgentemente de estilo, já que a pintura acadêmica ficou muito “demodê”. A
mãe de André não concordava, adorava os quadros do filho, porque transmitiam
paz.
Quando a noite surgia, André tinha
pesadelos e ao amanhecer desenhava as criaturas estranhas e as trancava numa
jaula nos fundos da casa. Somente a mãe tinha acesso ao lugar, para alimentar
os seres taciturnos.
Com o passar do tempo, a noiva
percebeu que havia um segredo na casa e resolveu investigar. Seguiu
André e encontrou um esconderijo, onde
havia uma jaula com um monte de
pinturas penduradas nas grades.
Quando observou, ficou admirada com a coleção de desenhos grotescos que lá habitavam. Aproximou-se da jaula, de repente ouviu rugidos
apavorantes. Ficou paralisada de medo. O cadeado da jaula se rompeu.
Na manhã seguinte, ao encontrar o
corpo da amada estraçalhado se desesperou e foi pedir ajuda à mãe.
- Meu filho, além
das criaturas fugirem, precisamos nos livrar do corpo.
- E o pior que surgirão outras
criaturas através dos meus pesadelos.
- André, é só reforçar o cadeado e
ter mais cuidado para ninguém descobrir. Entretanto, um problema por vez.
Um vulto passou rapidamente entre eles
e sentiram um odor forte. Não estavam sozinhos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
INVISÍVEL
Sentia-se assim, já que todos o esbarravam na rua. Vivia tão
calado que nem se lembrava de sua voz.
Com o tempo, adquiriu o hábito de seguir e a observar as pessoas. O
vazio que sentia, diminuía brevemente.
Nas festas de finais de ano, começou a entrar de penetra nos lugares, para se
alimentar das alegrias dos outros.
Em certo natal, entrou
numa casa e, como sempre, ninguém
o percebeu. Explorou a casa, até encontrar uma menina
que lhe sorriu. Pegou em sua mão e o levou
ao quarto. Seu corpo estremeceu,
há tempos que ninguém o tocava. Tentou lembrar-se de alguma lembrança remota, mas, só havia uma
tela em branco.
Ela mostrou os brinquedos novos e não parava de
conversar. De repente, alguém a chamou. Minutos depois, ela voltou com sua mãe para
apresentar o novo amigo. A mãe pensou
que se
tratava de um novo amigo
imaginário. Mandou a garota brincar com os primos e fechou a janela
escancarada do quarto para não
entrar insetos.
Ele correu com o coração quase saindo pela boca. Sentia
felicidade e medo ao mesmo tempo,
por se visível por segundos. Perguntava-se como agiria se todos voltassem a vê-lo, acostumara-se a
não ser visto. Um grupo de
homens e mulheres passou por ele e lhe desejaram um
feliz natal.
Retribuiu e quando ouviu sua voz, um onda
de alegria o arrebatou.
****
domingo, 2 de dezembro de 2018
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