terça-feira, 24 de setembro de 2019

Magnólia
















Não era verão ainda, mas, estava uma noite muito quente. De repente, uma mariposa pousou na cortina. O primeiro pensamento de Magnólia: " É uma mensagem..."

O telefone tocou, era o noivo de muito longe, comunicando-a o término do noivado. Magnólia olhou triste para mariposa e, resignada, contemplou a beleza da criatura. 

Na manhã seguinte, resolveu sair com os amigos e percebeu que o inseto ainda está lá, porém, inerte no chão.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Desintoxicação


“Eduardo, desculpa, mas, não vou mais te seguir e vou bloquear você nas minhas redes sociais. Não é nada pessoal. É que preciso fugir de gatilhos que podem me levar ao abismo, entende? Você só posta fotos maravilhosas na Grécia, Nova York, Milão e em outros paraísos. Além de correr sem camisa na praia do Leblon, mostrando seu belo físico. TAMBÉM, vive postando fotos de sua cobertura. Sua vida é tão perfeita e a minha tão lixo. Juro que não sou invejoso, sei que trabalhou muito para ter o que tem. Todavia, preciso me desintoxicar de você e de sua vida perfeita. Preciso fugir dos gatilhos que me levam às profundezas. Fique bem, pois tentarei resgatar minha saúde mental.”

domingo, 8 de setembro de 2019

O BEIJO( conto escrito há 10 anos e um pouco mexido)




Através da boca dos amantes, cada um beijava todos aqueles que já tinham sido tocados por seus lábios. Todos do passado de ambos estavam presentes naquele beijo. Cada indivíduo é uma ponte que a vida vai conectando ao longo do tempo. Como tiveram muitos parceiros, a carícia pesou toneladas e o asfalto cedeu, mas nem perceberam, pois gozavam profundamente.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Lua cheia



...que habita em mim, torna-me fértil de imaginação e prova que não sou somente uma-criatura-que-paga-boletos

domingo, 18 de agosto de 2019

Conectividade inesperada( ideia antiga para um conto novo)



Em certo dia... Apareceu sobrando uma defeituosa peça de quebra-cabeça. Resolveram jogá-la fora, por não ter serventia. Foi lançada na sarjeta.


Inesperadamente, ouviu um pedido de socorro e encontrou outra peça de quebra-cabeça. Tentou ajudar, mas não conseguiam se juntar. Viu um pedacinho de corda e jogou para outra amarrá-la.


De um jeito peculiar, descobriram uma forma de conexão e continuaram suas jornadas, sem mais se sentirem sozinhas.


sábado, 10 de agosto de 2019

LEVEZA




Tempo fluindo
Efemeridade
Constante mudança

Num futuro próximo




Vendem-se corpos


Desconto para downloads de consciências já usadas.

domingo, 4 de agosto de 2019

Viajante


Sempre no mesmo lugar
Mais um na multidão 
Porém imaginação longe...
Passaporte: 
Livro

domingo, 28 de julho de 2019

A esperar


O ônibus

O país finalmente nos eixos

Ganhar na loto ou receber uma herança de um parente distante

Não chegar muito tarde no trabalho

Não ter muitos aborrecimentos

Novas curtidas nas minhas redes sociais


E seguidores

Mais educação do povo

Um sinal de fumaça

Um amor

Por uma vida menos ordinária

Para ter asas e voar

terça-feira, 16 de julho de 2019

Aparentemente





Mesmo a mulher o traindo com o chefe dele.


O melhor amigo o enganou num investimento duvidoso e fugiu com suas economias.

O filho engravidou a namorada e os pais dela ligam toda hora, ameaçando.

O primo não quer que ele vá para casa de campo, porque tira selfie e insinua que a propriedade é dele, porém, pertence ao primo.
Ondas de dívidas se tornam cada vez mais gigantes.
A sensação de queda aumenta.
Sente falta de ar.
Quer gritar e não consegue.
Em frangalhos, a única coisa que consegue fazer, tirar selfies e postar nas redes sociais.
Quem vê suas fotos, não percebe que por detrás daquele homem aparentemente bem sucedido, há um indivíduo caindo cada vez mais na escuridão.



domingo, 2 de junho de 2019

Repetidamente



 Uma vez, ouvi algo mais ou menos assim: os fantasmas ficam aprisionados no mesmo ciclo de erros e sofrimentos. 

No primeiro momento, não liguei, mas, agora isso emerge na memória. 
Talvez, eu seja um espectro a vagar por aí e a repetir os mesmos equívocos para encontrar a luz no final do túnel. Pode-se achar que é a salvação, mas, é uma miragem provocada pelo desespero, que nem uma mariposa que se debate na lâmpada.

Eu me reconheço no seu desespero em encontrar uma saída e se perder, ainda mais, no labirinto. Há tantas luzes falsas que nos fazem se perder.
Preciso continuar, talvez, encontrarei o descanso tão desejado.

O ônibus abarrotado de gente aparece no horizonte. 

***
Faz sinal como os outros que estavam no ponto. Pergunta-se se eles sabem ou não de viverem a mesma coisa eternamente.
Tem a impressão de ouvir o barulho da asa da mariposa a se debater na lâmpada. 

sábado, 25 de maio de 2019

Certa sombra



Tenta capturar a imagem da borboleta pelo celular.
Conseguiu, mas, ela continua a voar.
Insatisfeita, a sombra retorna a sua jornada. Deseja por meio dos cliques roubar vidas para preencher seus espaços vazios. 
A única coisa que consegue é abarrotar as memórias dos seus dispositivos com várias fotos, que perdem o sentido ao decorrer do tempo.


terça-feira, 21 de maio de 2019

"NUDES"




Madrugada adentro.

Travessia.
De repente, percebo meu reflexo na vidraça da janela.
Estou só de cueca e me fotografo.
Faço isso, porque a imagem reflete a nudez de minha alma.
O vazio e o todo lá de fora comunicam-se com o vazio e o todo dentro de mim.
Eu me aproximo do divino, pois, no momento, estou despido de valores egocêntricos e egoístas construídos pela realidade humana.
A nudez absoluta é amoral e vai de encontro aos mistérios de Deus.
 ***

Horas depois, o post foi deletado da rede social. Nunca soube se foi denunciado e censurado pela imagem ou pelo conteúdo escrito.



terça-feira, 14 de maio de 2019

Transformação




O guerreiro cansado de lutar, abaixa a espada suja ensanguentada. De repente, sente uma presença e olha para um jardim destruído. 
Surpreende-se com as borboletas sobrevoando algumas flores e se lembra de um sonho antigo e esquecido. 
Companheiros o procuram e só  encontram a armadura e a espada.

Desapareceu com as outras borboletas por aí.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Expectativa e Realidade



O rosto pontilhado e irregular sou eu, um esboço que talvez nunca será terminado.

O outro com traços contínuos e simétricos representa como eu gostaria de ser; sem " em tempos", digos" e " ressalvo rasuras".

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Quando transbordei...




Eu nem sabia por quais motivos. O dia estava lindo e eu me sentia até bem. Eu achava?
Mas, agora, veio-me lembranças  de pensamentos que se faziam gotas e as quais gotejavam em câmera lenta em mim.
Eram átmos de segundos que percebia isso, mas, ligava o botão do automático.
Mesmo sem saber, as gotas-pensamentos se lançavam ao longo dos anos e comecei a me sentir represado. Fiquei com medo de algo explodir dentro de mim e me transformar em enxurrada.
Construí mecanismos de defesas para ficar sempre na superfície. Nunca gostei de profundidades reais e metafóricas. Arrumava algo para fazer, não podia ficar parado.
Resolvi tomar remédios com o intuito de dormir e parar de ouvir o barulho das gotas-pensamentos se espatifarem.
Então, um dia, aconteceu. Foi de repente e pegou todo mundo de surpresa. Transbordei um tsunami. Dizem que durou pouco tempo, mas, a destruição foi devastadora. Não me recordo.
Só me lembro de ouvir sirenes e de estar amarrado. As pessoas que me conheciam a vida inteira, encaravam-me com medo e ódio. Ouvi, "monstro". Estava tão exausto que permaneci em silêncio. Não pudia julgar aquelas pessoas de não mais me reconhecerem. Nem eu me reconhecia. Desejava não existir.

domingo, 31 de março de 2019

CRIME PERFEITO (Ideia revisitada que virou um conto inédito)



 O beijo roubado não é visto, mas, sentido.  A lua aparece por entre nuvens, sou empurrado.

Quem me compeliu, foge.

Sozinho no chão, ouço ruídos na mata. As nuvens ocultam novamente a lua.

Vejo um vulto de um cachorro ferido ao sair do matagal e nos encaramos. Somos reflexo um do outro. Ele vai embora, quando a lua reaparece.

Levanto e já penso numa desculpa, para ficar tudo bem em casa.

É sério, gente...



Apareceu esta aranha na minha cama e me encarou de um jeito estranho. Acho que ela é uma espiã comunista e está registrando tudo o que faço. Vocês precisam acreditar em mim. Precisamos defender nosso país da peste comunista. Tenho fontes sérias de que milhares de soldados cubanos invadirão o Brasil, além, dos venezuelanos que lançarão uma bomba atômica mais poderosa que Hiroshima aqui. Temos que nos unir com os EUA, ficaremos protegidos. A aranha está fazendo posição de ataque, ela quer me sequestrar porque eu sei de tudo. Sabiam que o leite condensado é cancerígeno? Sabia que existe uma vacina, a qual tem o poder de transformar as pessoas em homossexuais e comunistas? Eu sei de tudo, devido às estrelas que cochicham no meu ouvido. A Ursal não é fake e sim um projeto de poder comunista. Precisamos lutar contra e mudar tudo que está aí. É muita pouca vergonha, há casos de professores ensinando suruba para os alunos e até um lance de "banho de ouro". Inclusive, eles doutrinam os alunos com esta baboseira de "Direitos Humanos", palhaçada! Esses esquerdopatas desejam destruir o país e praticar um surubão imensurável. Precisamos lutar contra isso, devemos proteger as criancinhas de serem cozidas nas panelas dos comunistas da Ursal. A aranha solta uma fumaça vermelha, estou tonto. Ela dança freneticamente. Chega! Basta! Nossa bandeira nunca será vermelha, quem sabe laranja... A aranha está crescendo, ela vai me devorar. Morrerei com dignidade e com orgulho de ser patriota. Viva o golpe de 64!! A ditadura militar foi uma época linda, em que os pais podiam brincar com seus filhinhos na praça do bairro. Todos eram felizes, saltitantes e cantavam junto com os animais do bosque. Não existia assalto e nem violência. Não havia corrupção, pois, os militares possuem muita rigidez de caráter. Adeus! Brasil acima de tudo e Deus acima de todos! E obrigado os EUA por defender o mundo.

terça-feira, 19 de março de 2019

ENTRE OS MORTOS E OS VIVOS( CONTO REVISITADO)






Desde que me entendo por gente, quando a noite chegava e o sono vinha, ninguém dormia. Todos ficavam vagando por aí como zumbis e à espreita de quem está acordado, para mordê-lo. Ao amanhece, todos voltavam ao normal.

 No início, tinha medo os gritos da madrugada, mas, acostumei-me com os sons que minha família emitia. 

Ao crescer, curti minha infância e juventude sem muito drama. A única coisa que me incomodava, era os gritos ou quando alguém ficava a me observar, para ser se dormiam realmente.

O tempo passou, tive mulher e filhos. Eram zumbis, também. Até quis ser mordido por eles, para não ser mais diferente. É muito pesado ser diferente dos outros, além, de não sentir nada como aquela música:
“Socorro, não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir.”[1]

Quando surgiram as redes sociais, descobri o "grupo dos acordados". Entrei em contato e conversei bastante com os integrantes. A que dialogava mais comigo era Ana e nos conhecemos no mundo real. Era casada, também, e sofria de ver os seus na madrugada, caçando os acordados.

Nós nos apaixonamos, porém, não podíamos abandonar nossas famílias. Encontrávamos um jeito para passar a noite se amando trancados num quarto de motel, enquanto os zumbis noturnos perambulavam pela madrugada.

Será que somos os loucos?! Ou pertencemos aos poucos sãos que ainda existem no mundo? 

Não consigo responder esta pergunta. A única certeza que continuarei com Ana e nos ajudaremos na travessia entre os vivos e os mortos. 








[1] Arnaldo Antunes- Socorro



quarta-feira, 13 de março de 2019

CONTATO INSÓLITO( Um conto ainda inacabado)





“Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” Clarice Lispector
“Jogue fora as luzes, as definições.
Diga o que você vê na escuridão.” Wallace Stevens

LX300: - Sonho de novo com a criatura. Vive na floresta densa. Há momentos que parece me perceber e se aproxima de mim. Mas, para e ouve o barulho do vento nas árvores. O estranho é que ouço o barulho da floresta no quarto e vejo as sombras das árvores. Mas, agora, é diferente. Fizemos contato e experimentei suas sensações ao caminhar pela cidade. É uma criatura extraordinária. Gosto de me sentir confuso, já fui fazer uma revisão dos meus circuitos. Falei tudo sobre a criatura para você. Não pode caçá-la, agora, só porque tem curiosidades de querer dissecá-la.
O caçador ouve sua história com muita curiosidade. Sempre teve inveja de seres genuínos, que vivem em si mesmos e sem o manto da moral para aprisiona-los. Queria caçar como eles, sem julgamentos.

Na mata cerrada a criatura sempre percebia cheiros vindos de outras terras e ensaiava alguns passos para fora, mas, desistia, tinha medo de se machucar. Esquecia-se do desejo repentino, distraindo-se com os outros elementos da brenha.
 Porém, em uma madrugada, foi atraída por uma caverna, que aparecera do nada na mata. Viu um corpo sem fragrância deitado na cama. A criatura o observava, ficou fascinada.  Lambeu-o, mas não sentiu nada.  Então, começou a visitá-lo sempre, quando as madrugadas se tornavam mais densas e começaram a se conectar através dos sonhos de LX300. Depois, ele interagia acordado com ela, sem precisar sonhar.
O tempo passou e, em certa madrugada, a criatura percebeu LX300 agitado. Repentinamente, sentiu-se observada. Por um triz, escapou de uma flecha. LX300 avançou contra o caçador, que o jogou para longe. A criatura avançou e olhou fixamente para o caçador, que sentiu um medo devastador por causa de seu olhar e, inclusive, ao ouvir os ruídos da floresta negra, fugiu.
A criatura se aproximou do LX300. Viu certas luzes surgindo na sua cabeça. Aflita lhe deu uma lambida. LX300 a agradeceu por mostrar um mundo tão diferente e belo. Entrou em pane e se apagou de vez e, na área atingida, uma violeta brotou.
A criatura o levou para seu lar e LX 300 tornou-se parte da mata. No final, realizou o desejo de se transformar em ser vivo.
Reconfortou-se na escuridão da floresta e nas lambidas da criatura.



domingo, 10 de março de 2019

Fugidio





 Sempre quis tatuar um passarinho. Mas, a ideia escapava e voava às profundezas do inconsciente.
Um dia, conseguiu pegá-lo. Quando o tatuou e saiu do ateliê, foi atacado por um pássaro que perfurou seu olho.
A tatuagem desapareceu e só ficou uma cicatriz com formato de pássaro.
Depois disso,  andava sobressaltado. Ouvia, constantemente, barulho de asas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Akira





Quando o sol bate no chão da sala, ela se deita para se "bronzear". Olho para sua sombra e vejo um lobo. Curioso, pois, contrasta-se com a figura meiga da Akira.
Mas, mesmo que eu tente humanizá-la ou torná-la fofinha, o instinto primitiva de lobo está enbernado em algum recanto de sua existência. 
Ele se manifesta nos momentos em que  está distraída a tomar um banho de sol ou quando caça moscas.
A sombra do lobo parece e me encara, diz com o olhar: " Estou aqui, mesmo que tente me aniquilar, por meio de biscoitinhos e carinhos  na barriga. "
Então, começo a pensar ... Será que o afeto pode ser, também uma relação de poder?  O homem se sente o PROTETOR, inibindo a verdadeira natureza dos animais?
E eu? Tenho um lado selvagem? 
Acho que a sombra do lobo de Akira me pegou...

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A FESTA( REVISITADO E MODIFICADO UM POUCO)






Estava numa festa em que os convidados sorridentes, elegantes começaram  a  feder, apesar do  aroma dos perfumes estrangeiros que usavam. Almejou tanto ir àquela festa, mas o desejo se desmanchou feito água no ralo. Ao seu redor, tudo  ficou  sem sentido  e  um vazio  o invadia. Teve medo de ser um  morto vivo  como  as  pessoas  da  festa.  Ele  não entendia  que mesmo belas,  tinham  algo  corrompido em seus olhos.  Eram jovens sem viço. 

Foi embora até ao ponto de ônibus. Lá havia um senhor  com uma carrocinha de cachorro quente. Ele abordou o rapaz:

- Está com fome?
- Sim.
- Preparo um do jeito que você gosta.
- Valeu. Estou estranhamento cansado.
- A festa não estava boa?
- Sei lá, senti falta de ar.
- Maltrataram você?
- Não.
- Pareciam  mortos vivos?
- Sim...
- Sei como se sentiu.  Aconteceu comigo e seu avô me esperou neste mesmo ponto de ônibus e nesta mesma carroça. Além do mais, o mesmo céu estrelado.
- Pois é, o céu está lindo mesmo. Não quero vender cachorro quente...
- Não precisa, siga seus próprios caminhos. Mas, cuidado com essas pessoas que frequentam essa festa. São criaturas ilusórias que empurram a gente para o abismo. 
- Quando chegar em  casa, dormirei cem anos.
- Roubaram um  pouco  sua  energia. Porém,  uma boa  noite de sono  resolverá.
- Quem são eles?
- Não sei. Vivem por aí, vagando de festa e festa. Procuram por algo que perderam há muito tempo. Vivem com uma eterna fome de  devorar  qualquer  coisa.  Por isso, sempre  estão eufóricos.      


Pai e filho foram embora tranquilos, o sol nascia. A festa continuou a todo vapor. 




TEMPESTEAR



Chuva forte, barulho do vento, falta de luz... Fim do mundo?

Acendo a lanterna do celular e minha sombra se projeta num quadro de um artista . Estranho, quando penso que vou me lembrar do seu nome, foge para as profundezas da memória.

Minha sombra quer ir embora. Mas, não sei se é pelo dilúvio lá fora ou por mim.

Tempesteio.

Calma, querida, como dizem: " Depois da tempestade, vem a bonança". Também, não adianta fugir através do quadro. Tudo, em algum dia, tempesteia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A descoberta



Sempre estranhei minha sombra ser mascarada, apesar de ser nu em pelo e na alma. Um dia, compartilhando esta curiosidade com alguém, foi-me revelado: - Você é mascarado. Todos nós somos. A vida é um vasto baile de máscaras.

Fui lançado ao desconhecido e não sei quando voltarei em mim.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Sou um homem bom



Juro! Eu não queria bater na cara da minha namorada. Estava bêbado e quando bebo só faço merda... Precisam acreditar em mim, sou um cara super legal! Quando fugi ao atropelar aquele garoto, não sabia o que estava fazendo, sabe? Só pensei na minha família e como poderia destruí-la, sabe? Sei que estava com velocidade excessiva, mas, sabe como é? Ganhei de presente do meu pai a Ferrari e queria tanto testá-la... Não sou mau, JURU. Acreditem em mim, o cadáver enterrado no jardim foi um terrível acidente. Lauro era um colega de escola, meio bichinha, e eu tive a ideia de dar um susto nele para gravá-lo tendo um ataque de pelanca e quando puz em prática meu plano, ele ficou apavorado, pulou pela janela e se eborrachou no chão. Eu e meus pais resolvemos enterrar o corpo no jardim. Sei que muitos não acreditarão em mim, mas, sou azarado e os incidentes me seguem. Juro, sou do bem! Sou honesto e do lar. Aparentemente, posso parecer esses caras superficiais e milionários, porém, tenho Jesus no coração e vou à igreja todos os domingos. Por favor!!! Não me prendam, só tenho quarenta anos, sou muito jovem e com bastante tempo para aprender com a vida e com meus erros.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Lucrécia Gertrudes


Sou uma drag queen a favor da família, da moral e dos bons costumes.
Odeio a vulgaridade que está acontecendo hoje em dia, devido à ida das mulheres ao mercado de trabalho. As mulheres precisam ficar em casa, tomando conta dos maridos e dos filhos. Além de ser obediente, recatada e do lar.
Elas são o núcleo da família tradicional  brasileira.
Essa história de que precisam estudar e ser independentes é uma mentira descabida destes maconheiros-esquerdistas-comunistas. Mulheres, voltem para as suas raízes.  Não fiquem brigando com seus parceiros, há outras maneiras de conseguirem o que desejam. Uma boa mulher nunca discute com seu marido.
Minhas queridas, vocês sabem que eles são meninos mimados e briguentos que só querem a atenção. Precisam ser pacientes e amorosas, pois, são suas segundas mães.
Por isso, é importantíssimo criar as meninas para estimularem seus instintos maternais. Foram feitas para cuidar e servir, minhas lindas. Fico triste de ver algumas de você tão vulgares e obscenas. Aí, reclamam quando um cara tenta agarrá-las.
Tenho consciência de que muita gente questionará minhas ideias, devido a minha condição.
Mas, nunca  quis ser drag queen. Foi macumba de uma vizinha. Ela tinha inveja do relacionamento dos meus pais. Dizem  que ela ficou nua e arrancava as tripas de uma galinha com os dentes. Cenas impactantes...
Acompanha-me nas redes sociais, sempre trarei dicas para vocês que não almejam mais ser feministas, para se tornarem femininas.
Por um mundo sem marxismo e putaria!!!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Ao vento


Seu fim estava próximo, decidiu imprimir seus textos inacabados, soltando-os ao vento.

Deu o último suspiro, enquanto quase todas as histórias foram adotadas e eternizadas por outros escritores.

Só teve um texto que continuou ao vento, pois, encantou-se com a liberdade fugaz de viver.

Tornou-se pássaro.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Comerei rabanada




Tenho uma ideia, preciso escrever, espera, tem um fio de cabelo no teclado. É complicado tirar o fio entre as teclas.  Lá vou eu... Preciso ver rapidinho  meu Instagram... Ganhei duas curtidas e um comentário que, na verdade, é um convite de alguém para  segui-lo.  Preciso  focar na ideia,  que  é o  ponto de  partida para um conto.  Notificação do facebook,  deixa ver rapidinho... Nada de interessante. Voltando ao princípio da minha história... Mensagem no  whatsapp... Saco, mais uma corrente de mensagens  fofas  de  final de ano. A ideia do conto está desaparecendo,  como começa mesmo? Vou ao insta para esfriar a cabeça... Desgraçados! Ficam  posando  felizes  em  paisagens  exuberantes,  só  para  me  mostrar  que tenho  uma  vida  de merda!  Juro que não é  inveja,  mas,  este  povo ostenta  muito. Com certeza, não são tão felizes assim. Uma nota: Não sou um “stalker”, só gosto de xeretar a vida dos outros nas redes sociais, pois minha vida não é tão interessante.  Empa! Um comentário na minha foto: “Oi, conheça meu perfil e saiba mais da dieta das celebridades...”. Escroto!  Quem  lhe disse  que quero emagrecer.  Vou  bloquear! E a  minha ideia que se  tornaria  um conto,  não consigo  me  lembrar  mais.  Outra notificação do face... Nada demais,  de  novo.  Já sei, queria escrever um conto inédito sobre o ano novo.  Talvez, ouvir uma música me faça ter  uma “brainstorm”... Vou  flanar  um  pouco no Youtube... Há novidades  do Netflix... A ideia se perdeu em mim.  Ouço fogos e o ano novo chegou. Sinto que vivi várias vezes esta situação.  Deixa para próxima.  Comerei rabanada. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

" DOCES LEMBRANÇAS"( CONTO REVISITADO)





Quanto mais velho eu fico, percebo que não sei nada. Tudo que acontece há várias interpretações. Até os conceitos básicos do bem e do mal, variam de acordo com diferentes pontos de vistas.

Estou perdido e talvez nunca me ache de verdade em um labirinto de janelas, que são prismas  sobre  este  mundo,  onde vivo.
 
De repente, lembro-me do menino que eu era. Adorava passear na fazenda dos meus avós. Era tratado com um “reizinho” por todos. Quando brincava com os filhos dos empregados, sempre era o líder.

Minhas festas de  aniversário  eram  surpreendentes.  Bem, no meu olhar de garoto, a época era boa e me sentia  feliz por fazerem  todas  as  vontades.  Mas, um dia, um monte de homens armados invadiu a fazenda, prenderam meus pais e meus avós. Os empregados com seus filhos se abraçavam contentes.  Uma antiga empregada abraçou-me e a ouvi pedir para os caras armados me deixasse ficar com ela. 

Então, fui morar numa casa simples da periferia. No início, fiquei revoltado, queria minha vida antiga de volta, mas, com o tempo, fui me adaptando e os dias na fazenda se tornaram um belo sonho. Anos depois, quando voltava do trabalho, na porta de casa havia uma jornalista. Queria me entrevistar sobre minha família biológica. Minha mãe de criação apareceu e a expulsou e veio conversar comigo.

Bem... É lógico que eu sabia de tudo, porém, não queria ter consciência disso, principalmente, perder as doces lembranças da infância. A verdade veio dilacerando meu reino particular.

Minha verdadeira família escravizava as pessoas para trabalhar na fazenda. Todos me tratavam bem, porque eram obrigados.  Fiquei alguns dias à deriva.
Minha mãe adotiva me disse para tocar a vida. Seguirei seu conselho. Quem sabe um dia me encontre por aí.