domingo, 31 de julho de 2016

DIAGNÓSTICO






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- Eduardo, seus textos estão anêmicos. Receitarei vitaminas de poemas para você.

PERCEBEU-SE( Conto antigo para quem ainda não leu)

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A garota com sua cadela caminhavam no campo. Tudo estava tedioso e silencioso. Ao se aproximarem de uma ribanceira encontraram um cadáver de um rapaz. Olhou fixamente, depois correu com a cadela para casa.

 Sentiu que um mundo novo e assustador se abria para ela. “ Como pude fazer isso?”.  Horas antes, brincava com o primo mais velho e no auge da brincadeira, empurrou-o e ele caiu de uma ribanceira, quebrando a cabeça numa rocha. Ela ficou sem ação e voltou para casa. Tomou um banho e foi almoçar. A tia perguntou por seu filho e ela disse que o primo estava no campo. De tarde, a garota foi passear com a cadela.

Trancou-se no quarto e se olhou no espelho. “ Não foi sonho...”, pensou.

Percebeu-se assassina. Mas, para a cadela, continuava ser sua dona e amiga.

- Mamãe, por que aperta minha mão tão forte?


NO ESPELHO( contito antigo)



Vejo outra pessoa a dizer coisas sem sentido e, através do olhar, decidimos atravessar juntos a imensidão incoerente.

sábado, 30 de julho de 2016

TRIUFANTE



Imagens encontrada no google





Era orgulhoso e fazia de tudo para não mostrar que estava falido. Um dia, em uma lanchonete, certa senhora reconheceu o olhar daquele homem bem arrumado. Era o mesmo do que o dela, no passado, ao ver nas vidraças dos restaurantes os outros.  Comprou um lanche e lhe entregou sem dizer nada. Ele não a agradeceu, saiu depressa  e o devorou em segundos.


Agora, com o estômago um pouco cheio, podia pensar como sairia triunfante dessa situação.

MUITO AMOR ENVOLVIDO


quinta-feira, 28 de julho de 2016

FILHOTE DA NOITE( miniconto antigo)

















Esfomeado, experimenta orifícios e fendas com a língua. Quanto mais prova, a fome de prazer aumenta. Quando amanhece, adormece profundamente. Suas experiências, ao longo da noite, tornam-se quimeras que o envolvem num casulo.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Na cadeira de rodas...

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Vê a amada dançar com outros homens. Observa seu rosto transbordando de felicidade e se sente satisfeito. Depois de bailar a exaustão, ela retorna aos seus braços.

SIMBIOSE


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No vaso sanitário, esquecia-se do que estava fazendo e digitava empolgado. Quem observasse a cena, teria a sensação que ele e o celular tornavam-se um só. Quando o telefone caiu no vaso, teve enfarto fulminante. 

MONSTRO



Incubo



Quando era muito criança via um monstro em cima de sua mãe e ela gemia bastante. Parecia que sentia muita dor. Ele ficava apavorado, mas voltava para o quarto rezando para o  pai voltasse logo do trabalho. Ao amanhecer, corria para ver a mãe e se aliviava de ver os pais dormindo abraçados na cama. Subia e ficava entre eles.
Alguns anos depois, já adolescente, transou pela primeira vez com a namorada e, no auge do gozo, compreendeu que o monstro que afligia a mãe era o o pai, na verdade.


domingo, 24 de julho de 2016

MAIS UM CASO DE BALA PERDIDA

A suposta cabeça da modelo do quadro  “A Origem do Mundo” de Courbet



A vidraça da janela é estilhaçada e a bala atinge a jovem que está no quadro. Seu amante fica transtornado ao ver sua amada agonizando.

 No dia seguinte os jornais dão a seguinte notícia:

 “ Homem desesperado corre por todos os hospitais com um quadro atingido por projétil de arma de fogo, alegando que a mulher da pintura está correndo risco de morte.”.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Imaginava-se...



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Ser um assassino implacável. Mas, quando viu o vizinho esfaqueado, percebeu que lhe bastava matar pessoas inventadas.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

EMOÇÃO DESNUDA



Mesmo que a bailarina esteja embaçada por causa de sua memória em degeneração, ainda consegue se emocionar com seu bailar. Perguntam por qual motivo chora, mas não consegue vestir a emoção com as palavras para explicar.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

PILANTRA


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Em uma tarde agradável, quando viu certa jovem no café e percebeu que era a vítima perfeita. Inventou um sotaque italiano e perguntou sobre a vida dela. A moça revelou que era viúva há pouco tempo e sentia falta do marido. O homem começou a seduzi-la, dizendo ser um fotógrafo italiano e que pertencia a uma família tradicional por lá. Ela se deixou levar aos encantos daquele desconhecido.

O "fotógrafo" elogiou seu colar de pérolas. A jovem viúva comentou que foi um presente valioso do pai fazendeiro. O " italiano" sorriu. Depois de muita conversa, convidou-a para ir ao motel. Tiveram momentos de prazer até o anoitecer e se despediram, sem passar números de telefone.

Sozinha a "jovem viúva" passou a mão pelo pescoço e o colar de pérolas não estava mais lá. Deu uma gargalhada, ao imaginar a decepção do " italiano fotógrafo", quando descobrir que roubara a joia falsa.

***

Depois de publicar o conto, percebi que já escrevi outro bem parecido. Armadilhas da memória...

O lobo e o cordeiro e o cordeiro e o lobo http://dudv-descarrego.blogspot.com.br/2016/06/o-lobo-e-o-cordeiro-o-cordeiro-e-o-lobo.html

segunda-feira, 18 de julho de 2016

HELENA A GORDA

Fernando Botero



Era assim que o marido a chamava e dizia para os vizinhos que ela era horrenda de gorda. Helena aturava porque já estava acostumada desde a infância a todos zombarem dela por causa de seu peso.


Um dia, ele a abandonou e Helena ficou surpreendida de não ficar triste. Decidiu que cuidaria sozinha dos filhos e uma força surgiu dentro dela. Olhou-se no espelho e, pela primeira vez, e disse que era bela. Começou a caminhar, a diminuir a quantidade de comida e a procurar um emprego.


À medida que aprendia a se amar, os homens começaram a enxerga-la. Mas, ela não nem ligava por estar ainda encantada consigo mesma. Era vaidosa não pelos outros e sim por ela mesma. Ao emagrecer descobria curvas em seu corpo nunca antes vistos, inclusive, quando começou a comprar blusas estampadas. Todavia, almejava ser natural e não ter um corpo esculpido de academia. Ser abundante pertencia a sua individualidade.


Na alta madrugada, acostumava -se a passar cremes pelo corpo, exibia-se para o espelho e se divertia como se fosse menina. Estava no casulo, preparando-se para um novo começo.



sábado, 16 de julho de 2016

CAMINHAVA CAMINHAVA CAMINHAVA


  
O menino impaciente foi à padaria para mãe.

Na volta os raios de sol começaram a incomodar sua vista, o calor confundia as ideias. Percebeu que as casas da rua que sempre conhecera tinham sido substituídas por prédios imponentes. As pessoas se vestiam de modo diferente, modelos estranhos de carros e ônibus circulavam na rua com uma velocidade que ele nunca vira antes. Angustiado, caminhava... caminhava... caminhava e a trajetória de voltar para casa se alongava cada vez mais. Gritou, xingou e se resignou. Continuou a jornada com força de vontade e, segurava a sacola que continha os pães já murchos, conseguiu chegar a sua casa. Tentou abrir o portão, estava fechado, apertou a campainha e uma senhora de bastante idade que lembrava uma pessoa muito próxima apareceu.


ELE E EU( conto antigo)


Saiu de casa. Deixou um bilhete. Tinha algumas economias, havia trabalhado na quitanda do seu pai. Foi para a rodoviária e pegou qualquer ônibus que o levasse para longe.

“Estou cansado. Voltei para casa. A mãe me recebeu com muitos beijos. Vinte anos foi muito papo em um dia só. O pai não quis falar comigo, está magoado. Pedi para trabalhar outra vez na quitanda. Fez cara feia, mas deixou. Aparentemente é um homem rude, porém quando soube que cheguei, comprou um monte de carne, sabe que adoro churrasco. “


Fez de tudo. Foi peão, pedreiro e garimpeiro. Passou momentos intensos.Uma vez, teve um caso com uma mulher casada e o marido o feriu com o facão nas costas. Foi à primeira cicatriz entre tantas. Machucou-se quando tentou montar um cavalo bravo e levou um tiro no garimpo, quando um colega, viu-o encontrar uma valiosa pepita de ouro.


“Estou ajudando muito  meu pai. Vou aos fornecedores para abastecer a quitanda. O velho já pode dormir de tarde. Tomo conta de tudo. Um dia, encontrei Rosa,  está tão bonita.  Fingiu que não me viu.”


Estava deitado na cama e ao lado uma mulher roncava. Não conseguiu amar ninguém. Sempre pensava em Rosa. Era muito tímida e criada pela avó rigorosa. Trocavam olhares, um colega percebeu e contou para os outros rapazes. Todos ficaram zombando dele. Mentiu, disse que não se interessava por ela. Os amigos fizeram uma aposta.  Aceitou. Rosa no início tentou resistir, mas não conseguiu esconder os sentimentos. Quando transaram na mata, os outros presenciaram tudo. Quando Rosa descobriu, fugiu para casa de uma tia.


“Tentei conversar com Rosa, que foge sempre. É viúva e têm dois filhos. Sempre a encontro indo à igreja.  Uma vez, um dos seus filhos caiu de bicicleta perto da quitanda e machucou o joelho, fui levá-lo ao posto médico. Ela estava no trabalho, era professora. Quando me viu com o seu filho, agradeceu-me. Disse que se eu precisasse de alguma coisa, era só pedir. Respondi-lhe: “ Se você puder me perdoar algum dia...”.”


Sozinho, olhou para o espelho. Não se reconheceu.


“Fiz até serenata... Ela viu que estava diferente. Começamos a namorar. Tempos depois casamos.”


Morreu. Retornou para casa.


“Nasci de novo. Continuei a trabalhar com o pai. Rosa espera um filho meu e me dou muito bem com os seus filhos. No domingo, a minha mãe prepara um delicioso almoço para todos. “



– Quem é este rapaz na sua carteira?

Marlon Brando 




– Não percebe que esta foto é antiga?

– É alguém do passado?

– Está brincando? É você quando jovem.


terça-feira, 12 de julho de 2016

CAMADAS

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Quando criança, Cláudio adorava ir à casa dos avós. Podia brincar à vontade na chácara. Era um paraíso para ele e os primos.

Numa noite, quando foram dormir, a avó saiu para dar uma volta. Sempre sentia calores e precisava caminhar pela noite fresca. Cláudio estava sem sono e, quando foi à varanda, flagrou a avó beijando ardentemente o caseiro mais jovem. Cláudio ficou horrorizado, sempre achou sua vó parecida com a imagem imaculada da dona Benta do Sitio do Pica-Pau Amarelo. Retornou a cama, chorando. Nunca mais quis voltar à chácara.


Alguns depois, retornou para ver o avô doente e deprimido pela morte de sua esposa. Foram dias agradáveis.  O avô lhe perguntou por que nunca mais quis ir ao sítio. O jovem revelou o caso da avó e se surpreendeu de o velho não esboçar nenhum sentimento.


Só disse que o desejo para ele tinha passado, mas, não para ela e que isto era insignificante em relação ao fato de estarem juntos na alegria, na tristeza, na saúde e na doença por quase toda a vida juntos. O avô sabia que ela o amava verdadeiramente.

Ainda disse a Cláudio que era muito jovem para compreender as ambiguidades do ser humano. Todo mondo possui camadas que se revelavam com o passar das estações.

Cláudio só entenderia o diálogo com o avô, anos depois.  


DIA ENSOLARADO...( conto tosco e antigo, mas tentei tirar alguns exageros.)




- Mãe é só a gente?
- Sim.
- E o pai e a mana?
- Estão em casa. Vou levá-lo para a casa de campo.
- Legal!!! Mas, você não está brava comigo?
- Não. Você fez alguma coisa de errado?
-Não. A viagem dura quanto tempo mesmo?
- 2 horas.
 Sofia  viu o filho dormir ao seu lado. Era um olhar de ternura. Estava cansada, não gostava de dirigir e principalmente para lugares distantes. Não queria parar, desejava chegar logo.  Chegaram ao entardecer. Ela preparou um lanche bem caprichado para o filho. Ele estava radiante por estar só com a mãe.
- Mãe, amanhã vou tomar banho de piscina, andar de bicicleta e andar pela mata.
– Vou fazer tudo isso com você.
Quando o garoto dormiu. A mãe ligou para a casa:
– Oi amor,  como está Aline?
- Tá com febre e muito agitada. E aí...
- Tudo certo.
- Espero que tudo corra bem...
- Conversamos depois... deseja-me sorte.
- André tá dormindo? Queria falar com o meu filho...
- Melhor não Rodrigo, deixa tudo como está.

Foi uma semana maravilhosa para André. Só fez o que queria. A mãe colocou nenhum limite. Ele tinha doze anos. Sofia quando lhe via nadando e correndo pela mata, ficava admirada. Percebia como o seu filho crescia, porém  ao se lembrar do motivo de estar ali,  sentia-se triste.
–  Mãe, que olhar triste é esse?
- Nada filho.
- Hoje é domingo, que horas a gente vai embora.
- Ficaremos até segunda.
- E a escola?
- Não esquenta. Um dia sem ir...
- Tá bom.
Noite. André tomava banho. Sofia ligou para casa.
- Me deseja sorte. A Aline tá bem?
- Continua muito doentinha... parece ser emocional.
- Cuida dela. Tudo vai ficar bem.
Ela foi à cozinha. Colocou um sonífero no refrigerante do filho, começou a chorar, mas, não desistiu do que faria. “ É para o bem de todos”. André saiu do banheiro e foi para a mesa. Alguns minutos, sentiu muito sono e a mãe o ajudou ir para cama. Sofia pegou o travesseiro e o sufocou. Depois, abraçou o cadáver do filho.

André era um menino cruel. Torturava e depois matava vários animais de estimação que a família pegava para criar. Espancava os colegas da escola e da rua. Manipulava todos com sua inteligência doentia. Os pais procuraram os melhores psicólogos e psiquiatras, contudo, nenhum tratamento dava jeito na sua essência má. 

O estopim foi tentar matar a irmã mais nova, sorrindo como um anjo.



MÃO


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Os encontros eram sempre às terças-feiras, dia que a mãe ia ao plantão. Alisava suas pernas sob as cobertas. Desejo. Culpa. Queimou o desenho da mão que havia feito antes da morte do pai que, inexplicavelmente, caíra da varanda.



domingo, 10 de julho de 2016

DOR IMENSURÁVEL( conto atigo com alguns reparos)



Lúcio entra em casa e vai direto ao vaso sanitário. Uma bola de massa sai do ânus, ele fica com medo de ter hemorragia e de pensarem que faz “ coisas feias”. Percebe que a dor imensurável desaparece, porém, escuta um barulho de asas. Sai rapidamente do vaso. Um pássaro surge e voa direto ao basculante do banheiro. Põe as mãos nas nádegas, vê que não estão sangrando e coloca o dedo no ânus, está "fechadinho" e "apertadinho". Aliviado, deixa de imaginar rostos grotescos rindo e debochando dele. Vai direto para cama, quer esquecer tudo. No dia seguinte, quando abre a janela, vê o pássaro em cima do muro com arame farpado olhando fixamente para ele. Em seguida voa, desparecendo no horizonte.

“ Está escuro!”( outra versão de um conto)


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Olha pela janela descascada da biblioteca. Um leve arrepio na nuca. Tem um pressentimento. Sai apressada, o campus está escuro. O ônibus circular da universidade demora. Pensa na moça que foi currada e assassinada. “ Não quero pensar nisto”. As mãos estão geladas. Tenta ligar para casa, não consegue. O celular cai no meio fio da calçada. Ao pegá-lo, vê um cordão dourado arrebentado, o pingente tinha o formato da letra J. “ A garota morta,  chamava-se Julieta.”. Coração acelera. Um vulto passa rapidamente. “É uma besta enorme.”. Surgem passos, corre outra vez para o prédio da biblioteca, que está fechada. Começa a chorar e as pernas paralisadas. Corre com dificuldade. A besta emite um som aterrorizador. Começa a lembrar dos seus queridos pais, irmãos e do ex-namorado que a não deixava em paz. Os passos aumentam, parecem bandos. O campus está um breu total. Vândalos atiram nos transformadores. Sente a urina escorrer entre as pernas, quer gritar, sua garganta se fecha, falta-lhe ar. Escuta um grito dolorido que se expande na decadente arquitetura do campus. Corre. Encontra um corpo, o reconhece o corpo de ex-namorado. Apesar do choque, sente-se livre. De repente, se encontra cara a cara com a besta e se reconhece no olhar dela. Ouve o barulho do ônibus.



sábado, 9 de julho de 2016

EVA



her apple - David Hettinger

Mesmo endividada e morando de favor com amigos, só comprova os produtos da Apple

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A PIOR ESCRAVIDÃO




"Todo mundo deva atuar no teatro de marionetes da vida e sentir o arame que nos mantém em movimento."

Quando se começa a observar, percebe-se que existem armadilhas em todo lugar, mas, possuem aparências atrativas para persuadir as vítimas. A fama, dinheiro e o poder não libertam como muitos pensam, pelo contrário, aprisionam, tornando qualquer um em escravos de seus desejos e egos. Além de servir como isca aos "poderosos" que controlam o planeta. A pior escravidão não é o domínio do corpo e sim da alma. E você, é livre? Eu não sei se sou, porém, o fato de ter a consciência que existir linhas que me controlam algumas vezes, é um caminho para trilhar a conquista da minha liberdade. Sou marionete que insiste em ser indivíduo livre.


terça-feira, 5 de julho de 2016

Laura adorava ver a filha com Lauro...

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" O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio." José Saramago

Sempre dizia aos dois que pareciam um casal perfeito como nos contos de fada. Mas, um dia, a filha de Laura, Antônia, desmanchou o namoro para ficar com Washington Kauan. Laura não escondeu o descontentamento.

Antônia respondeu se a mãe gosta tanto de seu ex, por que não se relaciona com ele? Laura deu um inesperado tapa na filha e não soube por qual motivo. A única impressão que teve, foi de se sentir nua. 

Ao anoitecer, sonhou com Lauro. Ele saiu do imenso espelho que tinha no seu quarto e foderam. No ápice, Laura viu seu próprio rosto em cima dela.

Acordou sobressaltada e com muita culpa. Pediu desculpas a filha e lhe pediu a convidar o novo namorado para um jantar, com a intenção de se conhecerem.

Tempos depois, recebeu uma mensagem pelo inbox de uma rede social:

“ Oi, sou Lauro. Sinto falta de nossas conversas e mesmo não namorando Antônia, gostaria de manter uma amizade com você.”



segunda-feira, 4 de julho de 2016

FOLHAS( escrito em 2015)


“Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.” Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

Sempre sonhou ter uma piscina de água azul no meio de uma área arborizada, batalhou muito para conseguir. Quando realizou o sonho, houve um pequeno senão.

Sucessivamente havia folhas boiando na piscina. Irado, mandava o cuidador limpá-la toda hora. Tinha que ficar intacta como em seu sonho.

Um dia, no auge de sua fúria, mandou arrancar todas as árvores ao redor da piscina. Triunfante, dormiu profundamente, entretanto, só teve um sonho que estava sendo perseguido por folhas em um labirinto de vidro. 

Na manhã seguinte, resolveu se banhar na piscina dos sonhos e ficou estupefato ao vê-la trasbordando de folhas.
Verificou todas as câmeras de sua propriedade e compreendeu que apareceram do nada.

Vencido pelo absurdo decidiu se desfazer a piscina.  Começou a pensar em outras aspirações de consumo.