quarta-feira, 8 de junho de 2016

CEREJEIRAS( conto antigo)


Imagem encontrada no google


... Andava a receber comentários anônimos no meu blog e e-mail. Estavam escritos em japonês ou chinês, não sabia ao certo. No início apagava, pensava que era trote ou vírus, porém a insistência fez nascer a curiosidade de quem me enviava diariamente essas mensagens. Comentei com meu colega Flávio, que indicou um primo que cursava Japonês na faculdade. Passou uma semana, Flávio enviou a tradução por e-mail: “ É japonês mesmo e os textos contêm o mesmo conteúdo:“ As cerejeiras caem no chão. Você promete que vai voltar, mas sei que desaparecerá com o vento. Imergi no silêncio e me deixei acarinhar pelas pétalas das cerejeiras que caiam sobre mim. Passaram muitos anos e desejo reencontrá-lo. Preciso que você faça aquilo, para me libertar.”. Dois dias depois, a campainha tocou. Quando abri a porta, encontrei duas moças. Uma oriental e a outra negra. A última falou que a japonesa precisava de um favor muito especial. Dizem que os olhos são o espelho da alma.  Seus olhos puxados, refletiam uma luz cálida que me transbordou de ternura. Aproximei-me e soprei a sua nuca esguia, ela chorou e suspirou longamente. Em seguida falou em voz baixa com a jovem negra, que retornou a mim: “ Ela disse muito obrigada.”. Foram embora.

Depois desse encontro, sonho com cerejeiras constantemente...
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